Conrado Laef era meu melhor amigo desde quando tínhamos 6 anos de idade, nossas famílias se tornaram vizinhas assim que eles chegaram no bairro. Sempre em churrascos ou datas comemorativas nós reunimos para passar juntos. Conrado era um menino distante, demorou para se abrir para mim, mas aos poucos passamos a dividir brincadeiras e momentos únicos, como quando aos 12 trocamos nosso primeiro beijo, já que os meninos da escola não pareciam de interessar muito por mim, eu nunca fui uma menina exatamente feminina, ganhei até o apelido de Karl que pra eles era uma piada, me sentia mal até que Conrado me convenceu que era um apelido legal, e eu até que gostava de como o apelido soava por seus lábios. Eu me sentia ligada a ele de alguma forma e pensava que ele pensava da mesma forma sobre mim, porém eu estava enganada. Aos 15 Conrado passou a fazer parte do time de futebol, passando a conviver cada dia mais com a galera "popular". Aos 18 já havíamos nós formado no colégio e mal tínhamos contato, ele já era muito bonito, cabelos escuros, seus olhos castanhos eram marcantes e seus lábios eram ainda mais chamativos, seus corpo semi definido pelo esporte, fazia com que as meninas se jogassem sempre pra ele. Repugnante de assistir eu diria.
Nossas famílias ainda passavam bastante tempo juntos já que nossos pais são melhores amigos, no entanto nosso contato era mínimo, no ano seguinte eu fui para faculdade acabando com qualquer contato mínimo entre a gente.
Recebi uma mensagem da minha mãe perguntando se eu já estava a caminho de casa para esse natal, há três anos que eu não aparecia em casa, a correria da faculdade mais o estágio na empresa dos meus sonhos, então eu sequer tive tempo de respirar, mas eu havia prometido que iria passar com eles, então respondi que estava a caminho e segui colocando minhas malas no carro.
A rua da minha família não havia mudado muita coisa, o jardim de casa estava todo nevado e a decoração de natal chamava atenção, assim como a casa da frente, haviam carros do outro lado da rua e eu me perguntei se Conrado estava por ali, a última vez que soube dele, havia sido aprovado para uma faculdade em Londres, mas já não ouvia falar dele e eu não pensava sobre isso de qualquer forma, não éramos mais crianças e desde a adolescência aprendi a lidar com sua presença de forma casual.
Estacionei meu carro em frente a garagem, ao lado do carro do meu pai e não foi necessário avisar que havia chegado, assim que desliguei o carro meu pai já estava de pé ao lado da porta para me receber.
- Minha linda! - Disse papai ao me abraçar forte, retribuí o abraço que eu estava com saudades e sequer havia percebido. - Olhe só para você, está uma mulher linda!
- Obrigada pai, já o senhor não mudou em nada! - Sorrimos um para o outro e logo ele me soltou do seu abraço protetor.
- Entre, sua mãe está louca para te ver, pode deixar que eu pego suas malas! - Apenas concordei e segui para dentro de casa, sendo recebida por um cheirinho delicioso de biscoitos de chocolate que minha mãe costumava assar sempre.
- Meu Deus Karl, você está linda! - Ouvi a voz da minha mãe que se aproximava de mim. Corri em sua direção e a abracei, sempre fomos muito ligados e eu sentia falta de casa muito mais do que eu imaginava.
- Olha pra você mamãe, está radiante. - Devolvi o elogio e mamãe ficou me analisando parecendo chocada. Eu ri de sua surpresa.
Eu não havia mudado tanto assim, eu sei que costumava a usar roupas largas, na sua maioria roupas masculinas, mas com o tempo eu fui tento mais confiança com roupas justas e mais femininas, eu havia trocado as bermudas largas por jeans justo e as camisas por regatas e as vezes ousava com blusinhas que mostravam a barriga, meu corpo havia mudado muito na adolescência, porém creio que com as roupas largas ninguém havia de dado conta, como eu tinha pego a estrada optei por uma calça jeans, camisa lisa e minha inseparável jaqueta preta.
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ATTENTION - ONE SHOT
RandomO que esperar do reencontro de amigos? E de melhores amigos que a chama arde como nunca?
