Capítulo 1

498 22 0
                                        

Jake estava sentada na poltrona do avião, nervosa com sua então nova vida no Canadá, mais precisamente em Winnipeg. 

Na expectativa de passar 1 ano na casa de um estranho, cuidando de uma criança de dois anos que até então só tinha visto três vezes pelo face time.

Ela era uma empresária e tinha uma distribuidora de grãos em Rondonópolis, sua empresa era bem-sucedida e seus negócios só aumentavam, com isso, Jake recebeu uma proposta de parceria com uma empresa norte americana, voltada para alimentos veganos.

Era a oportunidade que estava faltando para alavancar ainda mais o seu negócio e torna-lo internacional, já que o país tinha um crescimento acelerado no ramo de alimentos saudáveis.

Porém, como nada na vida eram só flores, haviam alguns empecilhos que a amedrontaram. Como a não fluência do idioma, o desconhecimento territorial do lugar e a falta de pessoas conhecidas, por exemplo. Isso a fez desanimar um pouco, mas nem cogitou a possibilidade de desistir.

Seus advogados tomavam conta de todo a documentação do setor jurídico. E os demais problemas relacionados a empresa, eram todos resolvidos através dela e seu sócio. Sobre esses assuntos, voltados para o administrativo, Jake dominava.

Seu problema, era mudar para um país desconhecido, onde não conhecia ninguém, longe de tudo e de todos.
Decidida a encarar esse desafio, ela passou a procurar por programas que lhe oferecessem recursos como; morar na casa de brasileiros ou mesmos de pessoas estrangeiras, mas que falassem seu idioma, como se fosse um intercâmbio, só que sem o choque da língua nativa.

Após alguns dias de pesquisa, encontrou um programa que mais se adequava ao seu perfil. Chamava-se AuPair.
Esse programa consiste em cuidar da casa e da criança de uma família, enquanto os pais trabalham fora. Isso tudo, por um determinado tempo do dia.
Em troca você recebe moradia, alimentação e até um salário mensal por isso.

E Jake adorou, decidindo se inscrever nesse programa e procurar por uma família que lhe acolhesse durante um tempo de experiência.

No começo foi um pouco complicado pois os horários eram incompatíveis aos seus. Quando não, haviam muitas crianças em uma só família e isso acarretaria em uma maior disponibilidade e esforço, comprometendo assim, seu trabalho na abertura da nova empresa.

Até que recebeu um e-mail do site que tinha se inscrito com a proposta de viver na casa de um brasileiro, natural de Campo Grande e seu filho de 2 anos. Eram somente os dois e o horário era flexível.

No mesmo instante em que leu, adorou a proposta e respondeu confirmando o processo de aceitação.  

Era algo funcional e primordial para a segurança tanto da família abrigadora, como da AuPair abrigada. E assim, um dia depois, Jake recebeu os dados (Face Time, WhatsApp e Skype) do abrigador, que se chamava Mariano, para que pudesse conversar por um período até que ambos se sentissem seguros e não ocorresse nenhum inconveniente.

Após a primeira chamada de vídeo, Jake pode conhecer mais da rotina dos dois, que combinava com seus horários, nessa sua nova vida.

Mariano lhe explicou como funcionava os horários do filho Valentim, que consistia basicamente em casa, escola, casa. Ela iria passar apenas a manhã com a criança, já que por volta das 10h da manhã, ela teria que  alimentá-lo e levá-lo até a creche/escola, voltando para casa em seguida, para arrumar o que tivesse bagunçado até as 11h e ai sim ela estaria dispensada, já que Mariano, na volta do trabalho, pegava o menino na escola, que tinha horários flexíveis ao dos pais.
À noite, geralmente Mariano saía, então ela teria que ficar com a criança, porém, era algo opcional e remunerado à parte, como um extra.

AuPair - Malyne (adaptação) Donde viven las historias. Descúbrelo ahora