Péssimo dia
— Você acha que é difícil ser magoado pelas pessoas que você gosta?
— Se sim, não deveria.
Após uma longa história, quebras de confiança, um clima pesado e pessoas magoadas.
O dia está lindo, o sol brilha como nunca tinha brilhado antes. Eles sempre se encontram ao lado do colégio, perto de uma lanchonete, é um lugar onde todos os alunos vão, antes e depois das aulas e muitas vezes matam aula lá ou perto de lá. Os primeiros que chegam são o Adam e o Vicente, eles moram bem longe do colégio, ou eles chegam cedo demais ou tarde demais, e por mais incrível que pareça eles sempre conseguiam entrar na escola, quando se atrasavam.
— E aí Cris, como que vão as vendas? — Adam diz, enquanto tira seus cabelos da frente dos seus olhos, muito empolgado com o primeiro dia de aula, depois de muito tempo. — Já conheceu os alunos novos do primeiro ano?
— Cara, não tem nem como eu falar sobre minhas vendas, vocês são os primeiros que chegaram. — Diz Cristian empolgado por ter visto o Adam e o Vicente, não por eles serem amigos, por eles talvez comprarem um salgado. — Vocês podem comprar um salgado pra meu dia já começar bem.
— Então, manda aí, dois hambúrgueres, mas tem que ser rápido, antes que as meninas cheguem. — Vicente diz, com uma risada baixa.
— Você que manda! — Cristian diz, acenando com a mão, para que um dos seus funcionários venha, e faça o lanche. — Ei! Venha aqui! — Chamando o Gustavo.
— Fala, cara. — Gustavo viu o seu chefe acenar, e foi correndo. Ele está muito ofegante e se apoia na árvore. — Estou aqui, vocês vão pedir algo?
— Sim, eles vão pedir, querem dois hambúrgueres. — Diz Cristian abrindo a porta da cozinha para ele passar.
Cristian, é muito conhecido, já estudou lá, começou o negócio no colégio, vendia pirulitos, balas e essas coisas, e é o sabe-tudo, sabe todos os podres de todo, sabe de tudo o que acontece no colégio mesmo não estudando mais lá.
— Como está no colégio, está sabendo de alguma coisa? — pergunta Vicente sentando em uma das cadeiras perto do balcão. — Não deve ter mudado muita coisa, nos últimos 2 anos, nunca mudou.
— Não, não mudou nada. — Cristian coloca a mão na cabeça, como se estivesse decepcionado. — Os diretores e professores sempre contra os alunos, não estão fazendo nada para mudar, nem para ajudar. O colégio tem regras, mas não exatamente seguidas conforme a escola espera, nem os professores levam a sério, só quando desrespeitam eles, usam de todas as normas da escola para fazer a vida de um aluno específico, um inferno.
— Sei como é, eles só querem ganhar o salário, e ir embora. — Diz Adam olhando para atrás do Cristian. — Olha só quem chegou. — Diz Adam, apontando para o Gustavo que trazia os lanches.
— Isso mesmo, seu lanche. — Gustavo afirma, colocando os lanches no balcão. — Pronto!
— Obrigado, Gustavo! — Adam e Vicente agradecem.
— Esse menino vale ouro, Cris! — Diz Vicente saboreando o seu lanche.
— Eu sei, por isso o contratei. — Diz Cristian, muito orgulhoso da sua escolha. — Olha quem está chegando aí!
Adam e Vicente sempre ficam na lanchonete do Cristian conversando com ele, ou até mesmo comendo, para não dar comida para as meninas, depois da aula. Logo depois chega a Maria, ela não mora tão longe assim da escola, mas chega cedo, e é difícil ela se atrasar, e quando se atrasa, sempre consegue entrar, mas não como o Adam e o Vicente que tem sorte que o porteiro está de bom humor, ela consegue convencer ele, ou fica irritando-o tanto que deixa ela entrar, mas consegue entrar pela lábia.
— Bom dia, meninos! — Chega Maria contente por ver os meninos. — Vocês não sabem o quanto senti a falta de vocês depois daquela maldita viag... — Ela logo ver os hambúrgueres na mão deles. — Vocês tinham que ter me esperado, sabem que eu amo comida, mas eu posso perdoa vocês, se me derem um pedacinho. — Diz Maria, ansiosa para que os meninos a deixe comer.
— Não, não. Da última vez você comeu o meu todo. — Vicente diz lembrando do último dia de aula. — Faz tempo, mas eu lembro.
— Parece que você não tem escapatória, Adam. — Maria já avançando no Adam. — Vai me dá, só um pouco, não lembro de vocês serem tão egoístas.
As mais atrasadas são Samantha e Alexia, sempre chegam atrasadas, infelizmente elas não têm tanta sorte como os outros e quase sempre ficam no lado de fora da escola. Podemos falar que a culpa é da Samantha, por sempre fazer a Alexia esperar.
— E aí, gente? — Chega Samantha acenando pra todo mundo.
— Bom dia, gente. Vocês não sabem a felicidade que eu estou por ver vocês, peço perdão por ter arruinado a viagem. — Diz Alexia, animada.
— Você não arruinou a viagem, não foi culpa sua! — Diz Maria, indo a abraçar.
— Não tem nada, vamos marcar outra viagem. — Diz Vicente, terminando seu lanche.
— Não liga pra isso não. — Diz Adam, com a boca cheia e limpando a boca.
— Eu já falei pra ela, mas ela não para de pensar nisso. — Diz Samantha se apoiando na parede com os braços cruzados. — Mas essa conversa de outra viagem, isso não vai acontecer tão cedo, só se o riquinho do Vicente pagar pra todo mundo. — Diz Samantha rindo.
Todos riem com ela, menos Vicente.
— Ei! Eu não sou riquinho, quero saber de onde você tirou isso. — Diz Vicente resmungando. — Eu estava falando de uma viagem simples, para um lugar perto e barato.
— Não é tão fácil assim, mesmo sendo perto e relativamente barato, ainda vai custar dinheiro, vamos ter que trabalhar muito ainda, então sem ansiedade dessa vez. — Diz Adam, se levantando da cadeira para jogar a papel no lixo.
— E temos que tomar cuidado com quem vamos chamar. — Diz Alexia, rindo.
— Muito mesmo, não podemos ter a viagem destruída de novo. — Diz Maria, concordando com Alexia.
— Vocês já estão pensando em outra viagem? Estão doidos? — Diz Samantha indignada. — Vamos pensar em outras coisas, não quero pensar em viagem nem tão cedo.
O clima está ótimo, nem tão quente, nem tão frio. As folhas das árvores se mexem com leveza e delicadeza, que nem uma sequer folha caiu, e esse vento sútil faz com que os cabelos loiros do Adam se balançarem e atrapalhe sua vista, mas não é forte o suficiente para levar o seu passado obscuro para longe.
O sol está brilhando ao ponto de que Vicente coloque a sua mão na frente dos seus olhos verde esmeralda, que são levemente puxados, mas as mãos dele não podem esconder o que ele irá ter que ver.
A árvore que está ao lado deles, ela é tão linda por ter flores, e uma dessas flores cai, gentilmente nos cabelos lisos da Maria, e a flor tão pequena e delicada, dá destaque nos cabelos pretos dela, mas ela não será como a flor, que não teve escolha de cair, ela terá uma escolha.
O céu tão azul, como as unhas stiletto que a Samantha está, e essas nuvens que passam tão lentamente e suave, mas será que ela vai se recuperar tão lentamente? Ou a ferida será tão profunda que ela irá se vingar.
Uma joaninha passa, essa joaninha é diferente, ela só tem a cor vermelha pelo corpo, como as bochechas coradas da Alexia, algum dia as mãos dela estará cheias de uma coisa vermelha?
