Capítulo 1

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Estou parada em frente ao meu computador faz exatamente trinta minutos e nada, nada de inspiração ou uma luz que possa me ajudar a fazer meu trabalho idiota de literatura.

COMO VOCE SE VÊ DAQUI 10 ANOS? - E é isso, esse é o meu ultimo trabalho do último ano da escola. A pergunta mais clichê e usada pelos professores que já existiu, e isso deveria ser fácil de se fazer basicamente você pode inventar qualquer coisa como:

-- Daqui 10 anos eu me vejo em Lasvegas jogando toda minha fortuna nos grandes cassinos ou... em 10 anos vou estar em na minha premiação do oscar onde eu ganho pela melhor atriz coadjuvante.

A grande questão aqui é que não é assim que eu me vejo, primeiro porque eu não tenho nenhuma fortuna pra ser gasta, segunda porque eu não sou atriz eu mal consigo fingir que estou doente pra não precisar ir ao shopping com a minha amiga, no final sempre acabo na sessão de maquiagem com ela, e terceiro e última, meu professor saberia que eu estaria mentindo, por mais que seja um trabalho de como a gente se vê, ele saberia ele me conhece bem, melhor que qualquer um, até porque ele é meu pai então basicamente isso é muito difícil pra mim.

Depois de mais dez minutos decido deixa de lado o trabalho, pelo menos tem um lado bom nisso, eu tenho até o final das férias pra fazer.

Desço até a cozinha e encontro meu pai fazendo o almoço, ele adora cozinhar na verdade sua especialidade é lasanha de frango o que é exatamente que está fazendo, ele tá usando um avental rosa que o meu irmão nick e eu demos no dia dos pais junto com um relógio que vimos no shopping, guardei todas as minhas gorjetas durante três meses pra conseguir comprar, nick faz estágio em um banco então ele ganha mais e não tem esse problema, ele até se ofereceu de pagar mais pelo relógio mas não aceitei gosto de pensar que ajudei também no presente.

- Vou até a casa da Mona, ou você precisa de ajuda pai? - entro e sento na sua frente vendo desfiar o frango. Ele olha pra mim com um sorriso e com desconfiança.

- Você não gosta de cozinhar May. - ele está certo eu odeio cozinhar nada do que eu tento fazer sai certo, ou sai queimado ou não cozinha o suficiente, já tentei fazer curso nas férias do ano passado, mas não adiantou muito, quando fui colocar em pratica eu quase coloquei fogo na casa, então a partir da quele dia meu pai decretou que eu estava proibida de entrar na cozinha e fazer alguma coisa a não ser comida que vai direto no micro ondas, eu não o culpo por isso, isso mostra que ele é um bom pai e quer um teto em nossas cabeças.

- O que você quer agora May? - ele pergunta parando de desfiar o frango e me olhando com a tenção.

- O que te faz pensar que eu quero alguma coisa? eu só pedi se o meu pai quer uma ajuda pra fazer o almoço, nada demais - na verdade eu queria sim uma coisa, eu preciso me livrar desse trabalho então decidi subornar ele com trabalho, o que foi uma péssima ideia porque ele ia descobrir, como eu disse meu pai me conhece muito bem.

- Maya- ele me olha com atenção, DROGA

- Pai eu preciso mesmo fazer esse trabalho? você é o meu pai pode me cobrir nessa né? - olho pra ele com a melhor cara de cachorro que sei fazer, ele costuma cair nela quase sempre, então não custa tentar.

- Você sabe que eu não posso fazer isso.

- Mas pai, você é o meu pai, aliás estou decepcionada com você senhor Marcos.

- A está? posso saber porque? - ele volta a desfiar o frango dando risada da minha cara.

- Você é um ótimo professor de literatura e escolhe logo esse tema? todos os professores usam ela achei que você seria mais criativo.

- Se é fácil então você pode fazer não preciso ficar te livrando de nada.

- Pai eu e você sabemos que eu vou tirar dez nela, então porque não poupar sua caneta em? - falo indo até a geladeira pegar uma água, eu sei que ele não vai cair nessa, mas estou desesperada e usando qualquer desculpa. - E você é o meu pai todos os pais professores uma hora livra a filha/ aluna de alguma coisa.

- Eu não - ele fala dando risada ele está se divertindo com a minha cara - e eu sei que você não iria querer isso, você nunca quis, não sei o porquê disso agora, está com bloqueio de escrita?

- Na verdade sim, então já vou avisando não sei se vou entregar - pego minha água e vou saindo.

A escrita é muito importante é nela que eu consigo me perder e ao mesmo tempo me encontrar, é ela que me faz pensar que eu posso mudar tudo a qualquer momento, e meu pai sabe disso também por isso não posso decepcionar ele e nem a mim mesma.

- Quero a redação na minha mesa no primeiro dia das voltas as aulas Maya, - escuto ele gritando da cozinha

- Você é um péssimo pai - grito de volta

- Eu sou um ótimo pai e você me ama. - Ele está certo de novo.

Comentem se estão gostando ☺️

A Sua EsperaWhere stories live. Discover now