I - Decepções e Uma Pitada de Amargura

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Acordei cedo essa manhã, minha cabeça latejou causando uma dor insuportável. Não lembro bem do ocorrido da noite anterior, mas os vestígios de ressaca iriam me consumir durante o resto do dia. Merda! Eu preciso começar a repensar o que estou fazendo da minha vida porque se continuar nesse ritmo, daqui a alguns anos não haverá nenhuma Hope Mikaelson para contar história.

Estava me recusando a dormir devido aos inúmeros pesadelos que venho tendo nos últimos dias, sempre os mesmos pesadelos, e de alguma forma eles estão começando a me incomodar. Ando tão enfadada com tudo e todos que qualquer interação social me sufoca, me deixando sem ar e com o coração descompassado, mas o que me resta é fingir que está tudo bem, fingir que sou forte mesmo tendo a plena certeza de que não sou.

A Hope de antes tinha motivos para lutar pelo o que acredita e sonhos para correr atrás, mas hoje o que me resta é apenas o gélido e solitário travesseiro. Triste vida da garota riquinha mas sem amor, história contada diversas vezes em filmes e livros para adolescentes; Sei que deveria dar glória a "Deus", se é que existe um Deus, por eu ter o conforto que tenho e por ter tudo na hora que eu quero, mas eu odeio isso, odeio o dinheiro da minha família e acima de tudo eu odeio minha vida. Eu odeio minha vida!

Cambaleante levantei do chão, indo direto para o banheiro, vomitando toda a bebida ingerida no dia anterior, limpei minha boca com as costas das mãos, sentando ao lado do sanitário, e mais uma vez o choro desceu, mas dessa vez me permiti chorar, me permiti sentir o desespero, não sei quantos minutos fiquei ali naquele estado desprezível. Lamentável! Hope Mikaelson chorando em agonia ao lado de um sanitário.

Depois de abrir os olhos me obriguei a levantar novamente, indo direto para o chuveiro. Demorei um pouco no banho, como sempre fazia, era o único momento de paz que conseguia ter na minha vida.

Sai do banho com uma toalha enrolada nos cabelos, olhei para o relógio em cima da cama. Merda! Eu estava atrasada novamente. Fui ao guarda-roupa pegando uma roupa qualquer, me maquiei, peguei minha bolsa, meu inseparável violão e sai do quarto, trancando a porta logo em seguida.

Desci as escadas indo para a cozinha. Hayley estava sentada na ponta da mesa com um jornal na mão, fingia ler alguma coisa mas seus olhos estavam distantes, quando percebeu minha presença, levantou a cabeça lançando um olhar sarcástico, bufei, pegando uma maçã e saindo porta fora. Manter distância dessa mulher seria o mais adequado a se fazer para a minha saúde mental.

Digamos que eu odeio a minha mãe mais do que qualquer coisa nesse mundo. Desde o dia que pus meus olhos naquela amaldiçoada eu tive a certeza que não era uma boa pessoa, afinal bebês são sensitivos. Ela sempre foi muito esquentada, agressiva e estúpida comigo, estava a todo momento inventando coisas para o meu pai ou me castigando por coisas que eu nem ao menos sabia o motivo. A minha relação com aquela mulher era de puro ódio e de muito, mas muito rancor.

Ao sair de casa fui direto para a parada de ônibus, como o mesmo não passava, cansei de esperar e fui andando, já estava atrasada para a primeira aula, então não me dei ao trabalho de me apressar. Nunca gostei de ir à escola, sempre achei uma perda de tempo: péssimos professores, aulas maçantes e adolescentes babacas. Escola nada mais é do que um convênio social que obrigatoriamente temos que ir a vida toda. Não sou do tipo que gosta de se sentir presa a algo ou dependente de alguma coisa.

Cheguei no colégio e ainda não havia terminado a primeira aula, caminhei vagarosamente para o banheiro do segundo andar, me olhei no espelho reparando as profundas olheiras e um leve machucado no lábio, fechei meus olhos molhando meu rosto, senti mãos agarrando minha cintura e aquele cheiro adentrou minhas narinas. Sorri com a proximidade dos corpos lembrando do único motivo que me fazia acordar todos os dias.

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