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- Não! Vocês não o podem levar de mim! Ele é o meu namorado! Abram o caixão, eu preciso de o ver mais uma vez, por favor... - ajoelho-me no chão do cemitério aos prantos enquanto a chuva molhava o meu corpo e o caixão do meu amado.
- Não acredito que vieste ao funeral do meu filho, nem aqui deixas a minha família em paz, deixa o meu filho! Já lhe fizeste mal suficiente!
A mãe do meu namorado, ou, neste momento, ex namorado diz enquanto me olha de cima a baixo sem um pingo de compaixão, nem no funeral do próprio filho consegue ser simpática, ela não derramou até agora uma única lágrima, parece que não sente a morte do Aron.
- A senhora como mãe devia estar inconsolável ao invés de estar a espezinhar a mulher que deu alento, consolo e felicidade ao seu filho, mas a senhora é tão cruel que nem isso consegue fazer! - levanto-me do chão gelado dando uma bofetada à mulher requintada que me dirigia a palavra com tanta arrogância.
- Como te atreves sua insolente? - diz acariciando a face fazendo sinal aos guardas para me levarem dali.
- Não é preciso chamar os guardas, eu saio sozinha - virei-me dando uma última olhada ao caixão - Adeus meu amor, esperarei por ti toda a eternidade se for preciso.
Quando saí do cemitério senti que uma parte de mim tinha ficado perdida para sempre. Ele tinha ficado perdido para sempre.

The LieOnde histórias criam vida. Descubra agora