Viver não é nada fácil, ainda mais quando temos que lidar com os inúmeros desafios que se levantam ao longo da nossa jornada, nos fazendo deparar-se com duas opções: persistir ou desistir. Cabe a cada um decidir o que melhor lhe convém, seja pelo medo e falta de coragem ou pela audácia e garra.
Capacidade todos tem, basta acreditar mais no seu potencial e deixar que o destino se encarregue do resto. Ainda que, isso lhe traga drásticas consequências.
— Que porra é isso?
Disse ela, ao adentrar a porta aparentemente confusa, com a testa franzida e as sobrancelhas arqueadas, fixando o olhar naquela cena, expressando total reprovação.
Eu e o David, permanecemos imóveis na cama, nos encarando envergonhados e de certo modo constrangidos, pela situação e a maneira inesperada ao qual havia acontecido.
Amávamos a Bethany e lamentamos profundamente por ela ter descoberto daquela forma, e de certamente a termos magoado. No entanto, sabíamos que mais tarde ela entenderia, e toda sua frustração e decepção seriam esquecidas.
•••
Eram seis e meia da manhã, quando sou cruelmente acordado pelas batidas estrondosa e irritantes na porta do meu quarto, causadas pela histérica da Bethany, que me arrancou de um sonho mágico e para lá de excitante com o Maxwell, o mecânico gostosão da oficina do bairro.
— James, acorda sua bela adormecida! Vamos nos atrasar para o acampamento. O ônibus já sairá!
Óbvio que meu humor não estava entre os melhores. Desde que me entendo por gente, detestava despertar cedo e ainda mais da forma brutal ao qual ela optava.
— Caralho, Bea! Precisa bater igual uma louca? — Reclamei, abrindo a porta ainda zonzo de sono, com a baba pingando, parecendo um morto-vivo.
— Hum! Da próxima vez já chego arrombando.
Agora anda seu preguiçoso! Vai tirar essa remela dos olhos! — Ordenou, já abrindo as cortinas e me encorajando a descer e me arrumar. Automaticamente me afoguei nos travesseiros e tentei a ignorar, mas ela era insistente o bastante para me deixar dormir novamente.
— Levanta bobo! Hoje será o melhor dia das nossas vidas, já estou sentindo!
— Por que está tão animada? É só um monte de mato e ninguém garante que será o melhor dia das nossas vidas. Se formos engolidos por um crocodilo? Picados por alguma caranguejeira ou atacados por algum coiote?
— Largue de ser uma bicha negativa! — Ela me repreende com um beliscão. Em seguida, pega meu celular do criado mudo e continua a tagarelar:
— Esse acampamento vai ser marcante. Já pode publicar o que estou dizendo. “Partiu Dream camp”.
— Por que está com tanta expectativa? — Perguntei intrigado.
— Não devo estar? Os alunos do terceiro ano estarão lá também e será uma excelente oportunidade do novato bonitão me notar. Quem sabe eu saia namorando de lá!? — Falou suspirando, deixando transparecer suavemente, seu desespero em arranjar um namorado.
— Ta falando do Nathan Kolton? Aquele nerd punheteiro, que mata aula pra ficar se masturbando no banheiro vendo pornô asiático? — Perguntei enojado, fingindo um vômito espontâneo.
— Credo! Claro que não, esse ficou no passado. O crush da vez é o Adrian Rudolph, o “Deus grego.”
— Aquele marombado de araque do pinto minúsculo? — Debochei.
— Como sabe que ele tem um pau pequeno?
— Intuição!
Rimos, em seguida desci para me arrumar.
Eu e a Bethany éramos melhores amigos desde os oito anos.
Seus pais vieram de Louvre, um bairro nobre de Paris e mudaram-se para Boston, numa casa bem ao lado da minha. Rapidamente fizeram amizade com os meus, o que fez com que crescêssemos juntos, como se fossemos verdadeiros irmãos.
Nós nos tornamos inseparáveis. Andávamos juntos, estudávamos, sentávamos no refeitório. Contávamos sempre um com o outro para absolutamente tudo.
Éramos filhos únicos, mas nossa união era suficiente para preencher o vazio de não termos outros irmãos.
Com 16 anos, ela havia se tornado a menina mais linda que eu conhecia. Alta, de olhos verdes e cabelos longos ruivos, que fazia questão de dizer serem naturais. Sedutora e dona de um corpo exuberante cheio de curvas, que fazia qualquer marmanjo babar. Autêntica, vaidosa e charmosa, chamava atenção por onde passava.
Ela vivia prometendo que eu seria o primeiro a saber quando perdesse enfim a virgindade, isso porque lhe enchia o saco, questionando o fato dela conseguir ser tão libertina e ousada, mesmo nunca tendo feito sexo antes. Embora, esse termo parecia incomoda-la, de tal modo, que era insanamente desesperada para arrumar um namorado e dar pra ele, antes da faculdade.
No entanto, não era uma tarefa tão fácil como parecia, pois, não era qualquer carinha que lhe enchia a vista. Às vezes, ela cismava em ser duramente seletiva… Quer dizer, não o bastante!
Eu estive presente em três decepções amorosas da Bethany, a vendo debulhar absurdamente em lágrimas e ajudando das diversas melhores formas que encontrava. Sua última tentativa de namoro foi de fato um verdadeiro fiasco. O “felizardo” da vez, tinha tudo para ser seu príncipe encantado, até mais tarde ela descobrir que ele havia engravidado e abandonado três meninas do bairro. Desde então, minha amiga preferiu estudar minuciosamente o pretendente, antes de tentar algo mais sério. Apesar, disso não ser exatamente o que eu pensava.
Enfim, nós não fazíamos ideia de que num futuro bem próximo, o destino nos pregaria uma peça.
(BETHANY NARRANDO)…
O James sem dúvidas, era o irmão ‘gay’ lindo, inteligente, alto astral e mais sem noção que sempre desejei ter.
Brigávamos bastante, até por um mísero último pedaço de torta que a tia Molly, a mãe dele fazia, mas não demorava muito para fazemos as pazes novamente, pois não conseguíamos ficar um minuto sem fofocar da vida alheia, zoar as roupas estrambólicas da moça da padaria e falar mal do nosso professor de matemática durante a aula.
Estávamos sempre grudados, cheios de segredos compartilhados e diversos planos que incluía um ao outro.
Mantínhamos uma relação amigável bem saudável e bonita aos olhos de muitos.
Ele era mais velho do que eu por diferença de três dias, por conta disso, se achava o mais experiente e adulto na hora de me dizer o que fazer. Não havia esquecido do triste dia em que menstruei pela primeira vez e ele chamou uma ambulância, alegando eu ter sofrido um acidente vaginal.
Fui a primeira pessoa a quem ele assumiu abertamente sua sexualidade quando havia se descoberto gay, até o ajudei a como contar para seus pais, o que, aliás, não foi novidade nenhuma. Além de já terem desconfiado, eles super apoiaram.
Para falar a verdade, ele também não havia me surpreendido nem um pouco com a sua revelação. Durante seus treze anos, já era notório seu interesse por garotos. Uma vez, acidentalmente o flagrei excitado, admirando da janela o Maxwell sem a blusa, todo molhado, lavando o carro na oficina em frente de casa. Sem mencionar, que ele nunca demonstrou nenhum tipo de desejo quando me via pelada na sua frente. Pelo contrário, ele dava gargalhadas da minha vagina, dizia parecer uma planta carnívora.
Costumávamos nos trocar um, na frente do outro. Tínhamos intimidade para isso, ambas as partes não via perigo. Ele, por não “curtir a fruta”, como costumava frisar. Eu, por o ver basicamente como uma garota, totalmente desinteressante. Apesar, de que o James era um garoto com uma beleza peculiar e cativante por sinal: moreno, magro, estiloso, organizado e super moderno. Não possuía um pelo no corpo e sua bunda bem redonda e bronzeada fazia inveja, parecia ser maior que a minha, aliás.
As vantagens de ter um amigo ‘gay’, era que eu podia falar livremente sobre toda categoria de coisas, principalmente tirar minhas dúvidas sobre o universo masculino deles. O James me fazia dá altos berros ao me explicar sobre o estranho fato de às vezes acordarem “duros” pela manhã, e inúmeras outras coisas. Eu supunha que toda mulher deveria ter um amigo assim.
Ele era sincero, discreto, divertido, compreensível e me dava inúmeras dicas de moda.
Eu nunca havia o visto com nenhum cara, ou pelo menos flertando com algum em suas redes sociais. Ele dizia que namoro no momento estava completamente fora de cogitação, queria focar nos estudos.
Estava convencida de que o garoto que um dia conquistasse seu coração, teria muita sorte, ele era de fato uma pessoa extraordinariamente incrível, porém, não imaginava o tamanho da confusão que isso resultaria.
•••
Subi no ônibus, forçando o sorriso para o pessoal da minha turma e tentando disfarçar minha total falta de empolgação.
Eu havia planejado passar o verão na casa de praia dos meus avós, não em um acampamento no meio do mato, provavelmente repleto de mosquitos, proibido de usar qualquer aparelho eletrônico e com o pessoal inteiro do colégio. A Bethany seria a responsável por praticamente ter me obrigado a ir, caso eu voltasse traumatizado de lá.
Para quem estava torcendo loucamente para ser notada pelo tal crush, ela nem se quer tinha reparado o quanto ele a comia com os olhos na cadeira ao lado.
— Amiga, ele não para de te fitar. — Lhe cutuquei com o cotovelo, sussurrando discretamente, mas para meu espanto ela simplesmente deu de ombros.
— Não tô entendendo! Não vai corresponder ao olhar?— Perguntei encucado.
— Querido James, sinto informa-lhe, mas esse brutamontes não tem mais importância. Está totalmente descartado. Minutos antes de entrar no ônibus, o ouvi comentar com os amiguinhos que pretendia pegar pelo menos quinze meninas no acampamento, e só pra constar, não quero ser mais uma, na lista desse pervertido metido a mulherengo! — Retrucou calmamente, enquanto retocava seu batom olhando pelo espelho do celular, sem nenhuma ponta de desânimo pelo ocorrido.
— Aham! Saquei. Ótimo! Então agora desceremos e voltaremos para casa, não há mais motivos para irmos né? — Falei, já apanhando as mochilas.
— Claro que sim! Meu foco agora é outro.
— Nossa, como assim tão de repente e quem é agora?
Ela não precisou nem apontar. Pelo esplendor da beleza dele, tudo indicava que aquele ao certo, seria o fulano.
Sua entrada triunfal no ônibus não passava batido. Ele chegou jogando seus cabelos negros, lisos e ralinho, tal como um galã de cinema. Parecia haver holofotes voltados para ele, atraindo todos os olhares, deixando as garotas boquiaberta e os meninos rangendo os dentes, bufando de inveja. Seus olhos eram azuis, uma boca carnuda com lábios vermelhos acima da média, pele clara, alto, aparentando ter cerca de 17 e tinha um sorriso angelical.
— Que… Quem é esse? — Perguntei gaguejando, ainda hipnotizado.
— Também não sei, mas descobriremos! — Falou, se levantando ligeiramente e indo em sua direção.
— Olá, tudo bem? Prazer, meu nome é Bethany, mas pode me chamar de Bea, se preferir. Notei que está sozinho. Se quiser pode se sentar com a gente ali atrás.
A Bethany tinha uma personalidade forte admirável, era corajosa, extrovertida, espevitada e se tinha uma coisa que ela não conseguia controlar, era a atitude destemida que possuía na hora de decidir quando queria algo.
Conseguiu convencer com maestria o tal sujeito a se sentar conosco, nem se importando em se as outras meninas a achassem atirada. Ele não hesitou em se sentar entre nós. Me cumprimentou educadamente e em seguida, se apresentou com sua voz doce e meiga:
— Me chamo David Finley. Entrarei para essa turma no final das férias. Assim que efetuei a matrícula, a diretora insistiu para que eu me juntasse a vocês e tentasse me entrosar antes de iniciar no colégio como um novo aluno.
— Quer dizer que será da nossa sala? — Perguntei, a fim de interagir e causar uma boa impressão. Apesar, de está odiando a ideia de ter deixado a Bethany me convencer a ir para o acampamento, eu não queria parecer mal-humorado e espanta-lo.
— Pelo que me foi passado, sim. Cheguei da cidade há pouco. Vim da Escócia para fazer a vida aqui em Boston e escolhi estudar no Birdsong, porque ouvi falarem muito bem dela.
A Bethany ouvia suspirando e praticamente babando, cada palavra que ele mencionava.
— Legal, será bem-vindo! A propósito, prazer, meu nome é James. — Falei, apertando sua mão.
— Qual seu signo David? — Essa foi a primeira interrogação que a Bethany lançou, após dá início a uma maratona de perguntas, que deveria ter deixado o garoto exausto em passar a viagem toda respondendo.
Ao chegarmos no acampamento, nos reunimos para ouvirmos a palestra entediante do monitor Blancy, sobre as regras e jogos dinâmicos que seriam realizadas ao decorrer da semana naquele lugar.
Uma delas me chamou a atenção: “Será proibido qualquer tipo de contato sexual entre os campistas”.
— Fala sério! Quem em sã consciência transaria num matagal daquele? — Pensei alto.
— David vamos dá uma volta? Soube que aqui perto tem uma cachoeira! — Exclamou ela toda contente, piscando o olho pra mim e, não perdendo tempo em sumir com ele da vista de todos.
— Raciocinando bem, acredito que a Bethany teria essa coragem. Considerando que ela quase transou com seu segundo pretendente anterior numa sala de cinema, eu não duvidaria. — Pensei alto de novo.
Anoiteceu e o dormitório masculino estava numa agitação medonha. Isso, porque os garotos planejavam invadir o quarto das meninas com suas segundas intenções, entretanto, parecia impossível despistar os monitores, que fiscalizavam tudo lá fora.
Em meio a toda aquela algazarra, eu tentava me concentrar lendo um livro deitado na minha cama, até que o David, que parecia também está por fora daquela multidão de estúpidos, veio até mim.
— Oi, posso me sentar? — Perguntou gentilmente, meio tímido.
— Claro. Senta aí! Fica a vontade!
— Desculpa te incomodar, tá? — Falou sentando-se ao meu lado.
— Magina! Não está conseguindo dormir também?
— Com essa barulheira toda, impossível né?
— Concordo! Esses meninos são um bando de sem noção. Sinceramente eu preferia tá no dormitório das meninas fazendo trancinhas em seus cabelos ou tagarelando sobre salto alto, maquiagem e celulites, do quê aturar eles. — Revelei, arrancando-lhe um sorriso.
— Então, eu queria agradecer por vocês terem sido super legais comigo hoje cedo. Tava com receio de não conseguir fazer ao menos um amigo antes de entrar no colégio e me sentir um peixinho fora d'água.
— Magina! Você é um rapaz simpático, inteligente e educado. Ao decorrer do tempo fará muitos amigos.
— Valeu, mas iaí, ta curtindo o acampamento?
— Por enquanto não tenho uma opinião formada. Ainda temos uma semana pela frente. Só espero sair daqui tendo experiências boas pra contar.
— Sua amiga maluquinha, pelo visto está amando tudo isso, né?
— A Bethany não falava em outra coisa antes de vir. Na verdade, ela adora ter contato com a natureza, sabe? — Ressaltei, ironizando.
— Nem me fale, quase não conseguimos encontrar o caminho de volta de tanto que andamos empolgados conversando pela floresta.
— Nossa, e sobre o que tanto falavam? — Perguntei não contento a curiosidade.
— Ah! Sobre várias coisas. Posso te fazer uma pergunta?
— Faz aí. — Respondi, já prevendo o que seria.
— Você acha que ela está interessada por mim?
Eu já estava acostumado com o tanto de garotos que vinham puxar papo comigo, no intuído de perguntar algo sobre a Bethany, precisamente por sermos amigos íntimos. Por isso, eu e a própria já havíamos arquitetado a resposta ideal para esse tipo de pergunta. Uma, que não os fizessem pensar que ela fosse fácil e oferecida, mas também que não quebrasse suas esperanças.
— Tudo é possível, meu jovem. A Bethany é uma menina apta a oferecer interessantes traços de sua personalidade, permitindo encantar-se por qualidades cativantes a ela apresentada — Falei o mais natural possível, como se estivesse lendo um roteiro decorado de novela mexicana.
Ele me olhou com a testa franzida, demonstrando não ter entendido nada. Ao se despedir e voltar pra sua cama, me segurei para não cair na gargalhada.
No dia seguinte, quase fui derrubado por ela, quando saiu correndo em minha direção, ao me avistar no campo. Estava inquieta para saber sobre ele.
— Ai amigo, me conta, o David comentou algo ao meu respeito?
— Primeiramente, bom dia! Respondendo a sua pergunta: sim. Disse que te achava uma tresloucada e que você o assustava. — Brinquei.
— Minha nossa, sério? — Disse, cabisbaixa e desiludida.
— Tô brincando, boba! Ele perguntou se você estava a fim dele. Como se isso não estivesse nítido. — Falei revirando os olhos.
— E você o que falou?
— Narrei exatamente aquele texto combinado e exagerado que criamos.
— Caraca! Porque não falou simplesmente que sim?
— Não tô entendendo, não foi você mesma quem bolou aquele “script”?
— Verdade, sem problemas! Pelo menos ele deve ter sacado que estou “na dele”. Até onde sei, ele não tem namorada, é fofo, gatinho. Resumindo: Tudo a ver!
O monitor Blancy, havia soado aquele apito infernal, pedindo para nos dividirmos em dois times para a realização da primeira gincana.
As duas equipes adversárias deveriam espalhar-se pela floresta, em busca de bandeiras espalhadas por todas as partes. O grupo que conseguisse encontrar a maior quantidade possível em trinta minutos, retornaria ao campo quando o sinalizador alertasse o fim do tempo.
Por coincidência, acabei caindo na mesma equipe que o David. Do outro lado, a Bethany com seu espírito competitivo, me fuzilava com os olhos.
— É uma pena não estarmos no mesmo grupo, mas que vença o melhor! — Brincou, soprando sua franja.
O pessoal optou em nos dividimos em duplas e nos separarmos para facilitar na caça á bandeira.
— Quer ser meu par? — Exclamou o David, pegando no meu ombro.
— Uhum! — Acenei com a cabeça.
Caminhamos bastante, nos afastando completamente do nosso grupo e infelizes por não termos encontrado nenhuma bandeira.
Eu já estava ficando com medo de nos perdemos e agoniado com tantos mosquitos que me atormentava.
— Não se preocupe James. Não ficaremos presos na mata. A equipe de resgate está atenta e temos um mapa. — Falou, percebendo minha apreensão e tentando me confortar.
— Desculpa, não quero parecer fresco, mas não aguento mais esses insetos. Podemos parar um pouco? Eu trouxe repelente na mochila, necessito usa-lo urgentemente.
Ele concordou e, do nada se ofereceu gentilmente para passar o repelente.
— Me dá aqui. Deixa eu passar em você!
Tive uma estranha sensação com o toque de suas mãos grossas e quentes, tocando em meus braços, me massageando e acariciando.
Meu coração acelerava com o quanto mais próximo ele ficava de mim, me fazendo sentir seu cheiro e sua pulsação. Deixando-me arrepiado por inteiro e nervoso. Tive a leve impressão de que ele pretendia me beijar ao virar-se me encarando. Fiquei completamente sem jeito e sem entender o que estava tentando fazer, até que o inesperado aconteceu: subitamente ele pega com delicadeza em meu rosto, fecha os olhos e encosta seus lábios nos meus.
— O que está fazendo? — Falei abismado, o afastando levemente e o olhando dos pés á cabeça.
— Desculpa, não conseguir me controlar. É que você mexe muito comigo. — Confessou, meio embaraçado.
— O que está dizendo? Você é gay?
Antes de recuperar o fôlego para se pronunciar, o sinalizador interveio anunciando o fim do jogo.
— Vamos! Precisamos voltar. — Falei correndo.
A equipe adversária comemorava alegremente sua vitória. Eu estava aéreo, tentando digerir o que acabara de acontecer.
A Bethany ao notar meu comportamento, veio até mim, freando seu entusiasmo.
— Não fica assim, bi. É só um jogo! Não vou nem te cobrar os parabéns. — Disse, me abraçando.
— Amiga, pode me deixar um pouco só? — Pedi com gentileza.
— O que foi? Não tô te reconhecendo, James. Levou isso tão á sério, a ponto de ficar aborrecido? A caso não sabe perder? — Indagou, apostando que aquele seria o real motivo da minha estranheza.
Diante daquela situação complicada, eu não sabia qual seria o melhor a se fazer. Se contava para ela, que sem dúvidas enlouqueceria por ver mais uma vez seu“ castelo de areia desmoronar” ou se continuava o evitando e fingindo que nada aconteceu.
Deitado em minha cama, eu não conseguia tirar aquele episódio inusitado da cabeça.
Todos no quarto comentavam frenéticos sobre as aventuras que tiveram, exceto ele, que me olhava serenamente do outro lado.
Eu estava tão cansado, que acabei adormecendo rapidamente.
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"Seu crush?"
RomanceJames e Bethany são melhores amigos desde a infância. Durante um acampamento de férias, são surpreendidos pela presença de David, seu novo colega de classe. Acontecimentos imprevisíveis fazem com que ambos criem sentimentos pelo tal sujeito, pondo e...
