Salto, sem temer minhas dores,
em busca de invisíveis seres
que vivem nas profundezas
dentro de alguma natureza.
Por longas Eras navego
sem encontrar um amigo;
paro e noto algo que carrego
mais substancial que qualquer abrigo.
Abro uma bagagem de lembranças
e no peito levo a esperança
de um artifício encontrar
para o invisível enxergar.
Vejo memórias antigas de meu irmão,
n'uma prateleira: livros e discos,
que na minha essência causou forte impressão,
deparava-me com templos, pirâmides e obeliscos.
Do lugar onde me ensinavam
coisas, não encontro nada que imaginavam
que eu deveria aprender,
não havia matéria que me fazia transcender.
Ensinavam formas sem vida
e eu me sentia deveras perdida
por não me encaixar em fétidos caixotes.
Estava à margem: um boicote.
Ao olhar essa bagagem com afeto e cuidado,
noto que o artifício já havia me sido dado
Por alguém que de tão perto eu não via aparecer
ele próprio era o meio e o ser.
Meu querido irmão foi uma fonte de inspiração
onde eu bebia mistérios em parágrafos e melodias
conectando-me com mundos além da imaginação
explorando e flutuando em invisíveis filosofias.
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17.06.21
PoetryQuais as minhas memórias da arte durante meu processo de escolarização?
