Ainda era cedo, muito cedo para falar a verdade. A primeira aula ainda nem tinha começado, o professor ainda nem havia entrado em sala. Mas ainda assim haviam alguns alunos que chegaram cedo. Entre eles, Kimberly.
A estudante de artes cênicas esperava pacientemente pela primeira aula do dia enquanto organizava seus materiais em cima da mesa.
— Oi, Kim. — seus amigos chegaram e comprimentaram.
— Oi, gente.
— Hoje vai ter uma apresentação de balé no salão, às oito. Topa?
Kim pensou pouco, já que não tinha nada para fazer nesse horário, respondeu um simples “okay”.
Quando foi umas seis e meia Kimberly já começou a se arrumar. Tomou um bom banho, lavou bem o cabelo e escolheu a roupa menos despojada e razoavelmente mais casual que achou no guarda roupa. Deixou o cabelo solto após inúmeras tentativas falhas de tentar fazer uma trança. Fez uma maquiagem básica e esperou os amigos no lugar marcado.
Enquanto não chegavam, passou o tempo vendo o poster pregado na parede sobre a apresentação. Seria um clássico do balé, uma apresentação do quebra nozes. No centro tinha uma bailarina loira, muito bonita, com um tutu branco, muito lindo. Kim ficaria mais tempo encarando a bela moça bailarina do poster se seus amigos não tivessem chegado no exato minuto.
Entraram no grande salão de apresentações e palestras. Tentaram achar lugares bons para se sentarem e esperaram o show começar. A professora do balé foi até o centro do palco com um microfone sem fio e começou a falar: “Obrigada a todos por terem vindo. Para aqueles que não me conhecem, eu sou a professora de balé, Isabel Martin. Eu e a professora Camille Robert decidimos fazer uma apresentação conjunta com nossas turmas, revivendo um clássico do balé, o Quebra Nozes. Esperamos que gostem”. Saiu do palco.
As luzes se apagaram e se acenderam novamente em um azul pálido. A música de fundo começou a tocar e tudo o que Kim pode deduzir foi que tudo havia sido muito bem produzido. Tudo estava lindo, as danças bem coreografadas, os figurinos excelentes.
Kimberly estava atenta a todos os passos. Sentiu uma leve nostalgia de quando fazia aulas de balé quando criança.
Até que chegou uma cena em que apareceu a bailarina principal. Kim fixou os olhos nela e não conseguiu olhar para outro canto. Ela a observava admirada, tanto pela beleza que a moça continha e pela delicadeza dela com a dança. Parecia que ela era leve ao dançar, como se fosse uma andorinha voando. Ela dançava com amor, paixão, emoção, e isso fez com que ficasse cada vez mais encantadora.
Seus olhos brilhavam pela bailarina, e ainda tinha um sorrisinho bobo na face. Nem se lembrava mais que estava acompanhada de seus amigos.
Chegou um momento que Kim sentiu que de vez em quando a bela bailarina a encarava de relance, e podia ter a sensação que via um sorrisinho vindo da loira. Isso ficou só na imaginação de Kimberly.
— Parece que alguém está apaixonadinha — sussurrou divertido em seu ouvido.
— Vai a merda, Henrique. — Kim resmungou.
Não podia dizer que era totalmente mentira. Apesar de nunca ter visto a garota na vida, não podia negar que surgiu um leve interesse por ela.
Ao fim da apresentação, todos os dançarinos se alinharam numa linha reta, com a protagonista no centro, e se curvaram em agradecimento. O salão explodiu em aplausos.
— Essa foi uma das apresentações de balé mais lindas que eu já vi na vida. — Jullie comentou.
— Não exagera. — Dária disse.
— Quem gostou mesmo foi a Kim. Né, Kim? — Henrique debochou.
Kimberly apenas revirou os olhos, mas não pode deixar de achar engraçado e sorrir.
— Acha que a gente não percebeu como você encarava a garota? — Dária perguntou rindo.
— Se quiser a gente pode chegar nela por você! — Jullie sugeriu maliciosa.
Kimberly riu dos amigos sarcástica. Talvez ela quisesse que fizessem isso por ela, mas não iria se iludir por uma garota que provavelmente nunca mais veria na vida.
— Não tenho ideia do que estão falando. — mentiu rindo, mesmo sabendo que os amigos soubessem a verdade.
— Tá, a gente chega nela e fala “oi, minha amiga não gostou do seu batom e quer tirar ele com a boca dela.” — Dária diz rindo.
— Ou se não alguma coisa mais quente, como “minha amiga odiou sua roupa e quer tirar”. — Jullie disse com uma voz sexy e logo em seguida riu também.
Henrique e Kimberly não evitaram de rir.
— Agora, você escolhe. Quer a cantada sútil ou a cantada suja? — Henrique disse malicioso.
Restava saber qual era a sútil.
— Não, nem pensem nisso!
— Quer saber, esquece, a gente passa as duas que não tem erro. — ignoraram completamente a desaprovação da amiga.
Deixaram Kimberly plantada e foram atrás da bailarina. Kim sorriu de nervoso, porquê sabia como eram seus amigos e sabia as coisas sujas que poderiam falar em seu nome para a garota. Por outro lado, eram bons cupidos, então podia ser que rolasse algo. Sorriu envergonhada com a possibilidade. Seria mais fácil se esconder atrás de uma lixeira caso eles falassem alguma errado para a garota e reduzir as chances de ficarem juntas para -20. Se afastou desses pensamentos quando eles voltaram com cara de desapontados.
— Não encontramos ela. Deu sorte, Kimberly.
Kimberly, não soube se comemorava com fogos de artifício ou lamentava.
— O que é uma pena, a cantada do batom era ótima. — Dária disse.
Kim realmente se sentiu sortuda por não terem a encontrado. É bem mais fácil não se iludir se nem tiver contato com a pessoa.
Os quatro amigos se despediram e foi cada um para sua casa no campus da faculdade.
Kimberly ao entrar em casa tirou os sapatos e a roupa apertada, e os trocou por um pijama confortável e quentinho. Se deitou na cama e ficou apenas com a luz da lua e das estrelas iluminando o quarto pela janela. Pôs uma música romântica no celular, abraçou o travesseiro, suspirou fundo e adormeceu sorrindo, pensando na bailarina.
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Ballerina
RomanceUma estudante de artes cênicas é convidada a ir em uma apresentação de ballet de sua faculdade com seus amigos.
