Um

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Victor

19 de julho de 2021.

Sábado a tarde costumava ser o melhor dia da semana para mim. Sempre passava meus sábados na casa da Andressa. Porém com essa pandemia mantemos o contato pela internet.
Estou fazendo trilha de bicicleta me encontro em um ponto mais afastado da cidade, costumo sempre vim por essa rota, por ser mais espaçosa e com vista para o rio.

Minha paixão pela natureza é tanta, que me perco em meus pensamentos enquanto descanso a margem do rio.
O vento que sopra forte indica que o verão se aproxima, a brisa é espetacular.
Olho para o meu relógio de pulso:
15:20. Acho que fiquei tempo demais pensando sobre a vida, e como eu devo prosseguir...
Subo o pequeno morro para pegar minha bicicleta e voltar para casa. Como ainda está no inverno,  anoitece mais cedo. Não há indício do sol, mas ainda continua claro.

Perto da pista, escuto o som de arbustos se mexendo. Não vou mentir que meu coração gelou na hora.

~Se você for na floresta hoje vai ter uma surpresa, se você for na floresta hoje é bom usar a esperteza...~ Conheço aquela melodia em forma de assovio.
Olho rapidamente para o lado e vejo a sombra macabra de um homem segurando um machado.
Aumento o fluxo de pedaladas na esperança de me livrar do que seja lá quem ele seja. -Mas...Está um pouco ruim de enxergar, a penumbra é visível por conta da noite, não enxergo muita coisa na minha frente...- Foi só eu pensar nisso que sinto minha bicicleta passar por cima de um buraco. Maldito! A corrente caiu! Droga! Não consigo colocar ela de volta..! Estou tremendo muito. Escuto sons de passos se aproximando de mim. Não tenho escolha, saio correndo o mais rápido que consigo.

-Não acha que é perigoso estar andando sozinho na mata essas horas da noite?- A figura com o machado arrasastando no chão passa atravessando a estrada um pouco mais na frente. - Tem muita gente cruel por ai "princesa"- Vira-se de frente para mim. Dou um tranco, assustado com tudo estou em prantos. Sinto falta de ar, estou sufocando! Socorro..! Perco as forças, caio de joelhos no chão tentando encher meus pulmões com o "sopro da vida" mas não consigo.

A tontura vem junto com o apagão. Brevemente escuto os mesmos sons de passos chegando perto.

*****
Não sei quanto tempo eu dormi, só sei que escuto o som ensurdecedor de maquita. Minha visão ainda se acostuma com a pouca luz que o ambiente tem.
Consigo identificar na minha frente uma maca de hospital, do meu lado direito uma estante com ferramentas latas de tintas, e garrafas pets com um líquido escuro dentro.

Olho com mais atenção e vejo a figura do mesmo homem de antes, agora decaptando devagarinho a cabeça de um homem do qual eu não faço a minima ideia de quem seja.

-Aaaah! - o medo me consome por dentro, meus pés soam, minhas mãos tremem...-Vo..Você...?- Gaguejo e embolo a lingua ao falar.
-Sim, e se você não calar a boca, será o próximo!

Sinto meu estômago embrulhar, aquele cheiro de sangue acabou com meu psicológico. A vontade de vomitar vem junto com uma dor de cabeça enorme.
Tento me orientar, tentar me segurar em alguma coisa.
Esperneio na tentativa falha de me soltar.

- Calma princesa, se você se comportar não terá o mesmo fim dele. Shhh...- Sua mão toca em minha bochecha melando a mesma com sangue.

O mundo gira novamente, a última coisa que vejo é sua expressão de satisfação.

*****

Acordo horas depois, sei disso porque vejo pelas arestas da parede que já está de dia. Estou com as mãos e os pés amarrados cama de madeira, com um pano dentro da boca.

Pelo que parece isso aqui é uma cabana, ou uma casa de madeira abandonada. O quarto de tamanho médio, e dominado por basicamente... Sangue. Isso mesmo, sangue seco espalhado pelo chão, com marcas de pés descalço. O cheiro e horrível. A parede à minha frente está estampada com marcas de mão e arranhões.

Ao meu lado, vejo uma prateleira baixa com algumas coisas meio peculiares. Uma tesoura de jardineiro, e uma de cozinha, uma agulha cirúrgica e linha.
Mas a frente um facão e um martelo.

O pânico retoma em mim quando a maçaneta da porta se movimenta rapidamente.

Meus olhos enchem de lágrimas, quando vejo ele, até então estava usando uma mascara preta,cobre apenas sua boca e seu nariz, bem suja por sinal.

- Vejo que finalmente acordou "donzela" - Ele deu ênfase no "donzela" - Porque choras..? - Viro minha cabeça pro lado e fecho os olhos.

O mesmo fecha a porta e sai do cômodo.

Minutos ele volta com um prato de alumínio.

Se aproxima de mim devagar. Puxa um banco que estava debaixo da cama e se senta.
-Vire.- Eu me recuso a obedecer ele. - Olhe para mim cacete! - Grita em meu ouvido.
Viro devagar, com medo de encarar o mesmo.
-Isso mesmo, assim que eu gosto! - Não posso fazer nada além de rezar pra não ser morto aqui mesmo.

O "mascarado" tira o pano da minha boca com certa brutalidade, pega um pouco daquela papa que nem pode-se chamar de comida.

-Abra a boca. - começo a respirar ofegante. - Abre a boca! - O mesmo força a colher em meus lábios.

-Eu vou contar até três. Um...Dois...Três. -Pode ser burrice minha, mas não largo a mão de comer algo vindo dele.

O fim de sua paciência vem com um estouro. Me sujo com aquela papa quente quando o mesmo arremessa o prato contra a parede do meu lado.

-Ai ai ai...- Fecho novamente os olhos me contorcendo com as queimaduras.

-Então ele fala. - Ele pega um canivete de bolso e coloca na minha frente. - Para de gemer porra! Você pediu por isso. - Não paro, a dor estava insuportável.

Sinto seu punho socando o meio do meu nariz. Estou muito fraco, tudo o que eu me lembro é da minha visão escurecer e desmaiar.

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