O som vibrava com seu corpo, encostado nas enormes caixas ao seu lado. Muitos o chamavam de maluco, estava bêbado, chapado pra caralho, e sem dormir a provavelmente dois dias. Mas era ali, naquele palco, naquela casa de shows no subúrbio, era somente ali, que ele era feliz.
Odiava sua vida. Sua família e tudo o que vinha acompanhado dela. Odiava seu trabalho, odiava tudo em sua vida.
Tudo isso se tratava de sua prisão particular. E era ali, na noite da Hell, Que ele se libertava, junto a seus amigos, ele podia passar um fim de semana fugindo de todo o sufoco da rotina que a família impunha sobre ele, e se libertar, enquanto dedilhava sua guitarra, e usava sua voz, para inebriar as duas centenas de pessoas que se aglomeravam, espremidas tentando ficar mais próximas ao palco.
Ele não diria que amava a música. Não tinha sentimentos por ela.
A música fazia parte de seu ser. Estava em seu corpo, sua alma. Ele amava fazer música. Ele amava ser a música.
Era o que fazia naquele momento. Um acorde, um gutural. O público vibrava. O guitarrista principal entrava em seu solo. Ele ia para os fundos do palco a passos rápidos, acenando com os dedos para um assistente. Uma dose de bebida, uísque, vodca, gin, até água ardente de cana cairia bem. A garota sorridente, talvez demais, vinha com o copo, líquido âmbar e escuro, uísque. Ótimo. A bebida somente, a garota fedia a suor.
Ainda com um fio do líquido escorrendo pelo canto de sua boca, voltava correndo para o centro do palco, a guitarra pendia de mal jeito ao lado de seu corpo. Ajustava-se em frente ao microfone no pedestal, ajeitava a belezinha à sua frente, e ditava para a multidão as últimas palavras da derradeira canção.
Todos vibravam. Ele estava no topo do mundo.
E tudo escureceu, ele ouviu vozes alarmadas chamando seu nome. E depois mais nada.
Uma enorme dor de cabeça fez com que se remexesse no sofá, terrivelmente duro. Abrindo os olhos, viu o seu camarim, ou melhor, O camarim da banda, as luzes estavam baixas, provavelmente para ajudar na sua vertigem inicial ao acordar.
Alguns barulhinhos chamaram a sua atenção para um canto próximo ao sofá, numa penteadeira melhor iluminada.
Uma bunda. Uma bela bunda, se movia acompanhando os movimentos do resto do corpo.
Um homem estava debruçado sobre o móvel. Parecia concentrado em algo. Ele usava branco.
Um médico? Provavelmente, ele teria desmaiado de novo. Ele era bem ferrado.
Permaneceu quieto, observando o outro se mover, ainda de costas. Dizem que roupas claras aumentam as proporções do corpo. Caralho! Isso era de fato verdade. Aquele traseiro estava apertando um botão perigoso em sua mente. A cintura era fina, tipo, fina pra caralho. E a pele parecia ser bronzeada. Sentiu a boca salivar.
O homem de branco na mesa, se virou em sua direção com um copinho com três comprimidos. Ao olhar para o músico e ver seus olhos abertos, o homem de branco deu um leve salto. O homem no sofá riu vendo como ele era bonito, uma carinha assustada, que esquentou seu corpo, mais do que qualquer bebida já havia feito.
O moreno tinha uma face inocente e luxuriosa ao mesmo tempo. O cantor estava literalmente pensando com o pau naquele momento.
-Vejo que você acordou- o outro cortou o momento constrangedor, se recompondo de igual forma. -Sou Xiao Zhan, e fui chamado pelo gerente para cuidar de você.
-Oh, eu sou Yibo. -O músico diz sem saber muito bem como responder.
Ele levanta o corpo, se pondo sentado. Um pequeno probleminha surge, mas nada que um movimento discreto com as pernas, e descer a barra da camiseta não disfarce.
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Taste-Me
Fanfiction"Ficou maluco? Se você quiser entrar em coma alcoólico, espere até a próxima semana. Assim outro médico vê você se destruir." O médico estava sério e puxou o braço com o copo para longe de Yibo. "Eu preciso entreter meus sentidos doutor. Se não poss...
