Teu nome - Capítulo I

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Foi num fim de tarde normal de domingo quando minha vida mudou totalmente, mas deixe-me contar essa história desde o início.

Férias. Passei algumas semanas na casa do meu tio. Éramos só nós cinco: eu, o irmão da minha mãe, sua esposa, seu filho - igor, que era um ou dois anos mais novo que eu -, sua filha - julia, uma menininha, lembro que naquela época ela tinha apenas cinco anos de idade. Em um dia qualquer, estávamos almoçando e aí o Igor disse que queria sair para jogar futebol. Feito, nós fomos. Eu, ele e sua irmã. Fui à padaria comprar uns pães, e foi nesse momento que o vi: um rapaz bonito, provavelmente com uns catorze anos, assim como eu tinha na época. Era alto, magro, cabelos pretos e fofos, olhos verdes ou castanhos, dependendo da luz do sol ou de seu humor - característica que lhe dava um toque um tanto romântico - e seu sorriso ... ah, aquele sorriso! Ele passou pela porta, apenas olhando para mim, e sorriu, eu retribuí. Depois de pegar os pães, procurei por ele, mas não estava mais lá. Passei um bom tempo me perguntando o que era aquilo, o que era ele. Tão perfeito, não poderia ser real, algo assim só existia nos meus sonhos, nunca neste estranho e chato mundo real. Voltamos para casa, eu voltei para minha casa, e nunca mais vi aquele menino - sem saber se aquele momento havia sido real ou imaginário - de novo.

Dois anos depois, quando eu tinha dezesseis anos, consegui uma bolsa de estudos em uma escola, que ficava na cidade onde moravam meus tios, então fui morar com eles, apenas por alguns anos, até entrar na faculdade. Passaram-se alguns meses, e ainda não tinha me esquecido dele, daquele garoto fofo - e, ao mesmo tempo, misterioso. Então, em uma tarde normal de domingo, no shopping, eu o vi de novo, saindo com seus amigos, acho que eram quatro garotos e duas garotas ... duas garotas. Uma delas era sua namorada? Eu poderia imaginar, mas não tinha certeza. A única coisa que eu verdadeiramente sabia é que o garoto usando uma camisa azul escuro, calça preta e sapato branco, com uma corrente prateada em seu pescoço e um relógio em seu pulso... aquele era o meu garoto. Aquele era o cabelo impecável do meu garoto, e aquele era.... o sorriso do meu garoto. Ele olhou para mim, como da última vez, e eu pude me lembrar daquele exato momento - que havia ocorrido há alguns anos - como se o revivesse. Será que ele se lembrava de mim também? Será que ele também passou um longo tempo pensando sobre mim e ainda não havia conseguido superar a moça da padaria que sorriu para ele, dois anos atrás? Eu precisava saber, eu precisava falar com ele, ouvir sua voz, tocar seu rosto, saber se aquilo era verdade ... Eu precisava conhecer aquele garoto, cujo nem o nome eu sabia, eu simplesmente precisava.

Teu NomeWhere stories live. Discover now