E foi chorando que eu comecei a escrever este capítulo.
Estou aqui deitada no meu quarto com tudo apagado.
Primeiro fato sobre mim: eu amo a casa fechada.
O ventilador de teto faz aquele barulho que eu não escuto, mas sinto. Sou Surda. Olho para a tela do celular como se eu estivesse delirando, quem em sã consciência estaria escrevendo enquanto as lágrimas caem dos seus olhos? A visão turva, olhos coçando. Para piorar, sinto que estou resfriada. Me levanto e resolvo desligar o ventilador.
Tantas divagações, não sei se continuo.
Basta... Vou continuar.
Hoje eu simplesmente sufoquei. Escrevi um texto enorme para você e ia te mandar no email, mas algo veio em mim e eu resolvi não mandar. Acho que foi intuição, será que doeria mais amanhã cedo enquanto aguardo a sua resposta? Ou acordaria com você me dizendo que estou cobrando muito de você, quando somos apenas "nada"?
Não importa qual seja a resposta, sei que terei que secar as lágrimas que insistem em cair. A verdade, nua e crua, não temos nada.
Ela sabe como eu sou, como me sinto. Nunca fui aquela garota de meias palavras, sou intensa, profunda, assustadora. Sinto demais e com intensidade demais. Não sei se isso é bom ou ruim. Para mim provavelmente é péssimo. Mas não consigo deixar de pensar o quão bom seria se eu fosse fria. Tantos desapegos teriam evitado traumas terríveis. Provavelmente nem aceitaria menos do que eu mereço. Mas isso é ilusão. Sou a porra da intensidade multiplicada por mil e um anos-luz.
E falando assim, já me sinto muito melhor.
Entendam: você não deve negar quem você é para ninguém. Você não merece nada menos que isso. Deixe seu travesseiro molhado, mas não fique escondendo seus sentimentos. Coloque-os no papel. Só não manda mensagem pra alguém que tá nem aí para você.
