1 - POV: Dara

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Não consigo acreditar que meu pai mandou eu fazer isso, que ideia mais sem noção, ele acabou de mandar eu me arrumar, pois vai me levar para o condomínio de apartamentos onde todos os colaboradores da Pista de Corrida Lancaster moram, além de morar lá, irei trabalhar na pista por seis meses, como uma funcionária! Sendo que eu estava saindo para ir para o aeroporto, fazer uma viagem para a Espanha com minhas melhores amigas, Katherine e Penélope.

Para aqueles que não estão entendendo, vou explicar a situação, meu pai, Henry Lancaster, é dono da pista de corrida mais famosa do país, que está localizada aqui no Alabama, e acabou de mandar eu cancelar minha viagem para começar a trabalhar como uma colaboradora amanhã! E já até sei o motivo disso, é porque eu acabei de estourar mais um cartão de crédito com essa viagem para Espanha, que aliás esqueci de contar para ele que iria, ou seja, ele ficou furioso e está me castigando. E além desse castigo, não posso deixar nenhum colaborador descobrir que eu sou, Dara Lancaster, a filha do dono, e meu pai não vai mais me dar mesada durante os seis meses, assim tendo que viver com o salário do emprego.

Agora estou no meu quarto irritada com o fato de que vou ter que montar a mala para ir morar no condomínio dos colaboradores, mas como não quero deixar meu pai ainda mais furioso comigo, vou ter que seguir as regras dele se quiser voltar a receber a mesada. Não consigo nem imaginar como vai ser, pois nunca trabalhei na vida e a eu sempre tive tudo o que queria, minha mãe, Stella, fala que meu pai logo vai desistir dessa ideia e em uma semana vou voltar para casa, mesmo assim está me ajudando a separar apenas algumas roupas, pois meu pai disse que irei passar a maior parte do tempo com o uniforme da pista de corrida. E por falar nisso, nem imagino com o que irei trabalhar.

Desço as escadas, mas nenhum sinal do meu pai, ele deve estar no escritório ainda com raiva do que fiz, sigo até a porta e vejo que o motorista já está me esperando para levar até o condomínio, não penso em mais nada, dou tchau para minha mãe e entro no carro sem reclamar. Pego meu celular, a tela acende mostrando que tenho várias mensagens e ligações perdidas, a maioria de Katherine e Penélope, olho no relógio e vejo que são seis da tarde, praticamente o horário do voo para Espanha, não penso duas vezes e clico em ligar.

Tanto Kate, quanto Penélope, não atendem o telefone, desisto e resolvo mandar uma mensagem no nosso grupo. "Meninas, não irei conseguir ir, meu pai não me deixou viajar", pressiono enviar, mas não recebo respostas, então imagino que já devem ter embarcado no avião. Acabo não mencionando o castigo para elas, pois não quero que elas saibam que estou trabalhando e sem mesada, enquanto elas se divertem nos passeios de lancha em Ibiza com todos aqueles europeus lindos, só de pensar nisso fico com raiva, eu devia estar naquele avião.

Olho para a janela e vejo que já estamos chegando ao condomínio, percebo que não lembrava como a pista de corrida ficava tão bonita e iluminada de noite. Quando era criança costumava vir quase todos os domingos com meu pai para assistir as corridas de carro, eu amava ver os carros passando em alta velocidade bagunçando os cabelos com o vento. Já fazem muitos anos que não venho para a pista de corrida, devia ter apenas uns cinco anos a última vez que vim e por esse motivo nenhum dos colaboradores irá me reconhecer.

Antes de descer do carro, sinto meu celular vibrar, olho para ver o que as meninas responderam, mas para minha surpresa vejo que é uma mensagem do meu pai. "Filha, o Anthony é o gerente da pista, ele irá te levar até o seu apartamento e falar seus deveres, direitos e funções como colaboradora. Ah, já estava quase esquecendo, não mencione o sobrenome Lancaster. Papai te ama muito, só estou fazendo isso pelo seu bem, beijos".

Não tenho nem tempo de responder, pois o carro para e sou recebida por um homem que parece ter uns 40 e poucos anos, alto, magro, cabelos e olhos castanhos, além de ser bem charmoso. "Olá, você deve ser a Dara, o Henry mencionou que tinha contratado uma nova colaboradora", fala com uma voz animada, "Sim, sou eu e você deve ser o Anthony?" "Aham, mas todos por aqui me chamam de Tony, vamos até o escritório que irei explicar alguns detalhes sobre sua contratação".

Com isso, ele me direciona a uma sala dentro do complexo da pista, entramos e noto que a sala está bem organizada, além de ter vários troféus e quadros nas paredes, ele faz um gesto mandando eu sentar na cadeira na frente de sua mesa, e também se senta. "Dara, aqui está o seu contrato, confira todos os dados, e assine aqui em baixo", diz ele me dando uma caneta, começo a ler o contrato e não vejo nada sobre o que será o trabalho, só noto que meu nome está escrito apenas Dara Winfield, meu sobrenome falso pelos próximos meses, por fim assino e devolvo o contrato para Tony.

"Perfeito, Dara! Você será a assistente de um de nossos pilotos, o seu horário de trabalho é das 7 da manhã às 5 da tarde, com uma hora de almoço. E esta é a chave do seu apartamento. É um prazer contar com você na nossa equipe! Agora melhor você dormir para ter energias para amanhã, até mais!.", ao dizer isso ele me entrega um envelope com todas as informações, meu crachá e chave do apartamento "Obrigada, Tony! Onde ficam os apartamentos?", ele aponta para onde é, digo tchau e sigo em direção ao edifício de 4 andares que fica a pouquíssimos metros de onde estamos.

Enquanto caminho até o prédio, abro o envelope para pegar a chave do apartamento, para saber qual andar devo ir. Na chave tem um chaveiro com o número 421, faço uma nota mental que então devo pegar o elevador para o quarto andar, mas ao entrar no edifício me deparo com escadas, nada de elevador, que raiva, vou ter que subir quatro andares com essa mala que está pesando toneladas. Olho para os lados, para ver se tem alguém que eu possa pagar para carregar minha mala, mas não tem ninguém no saguão e além disso estou sem dinheiro, ou seja, vou ter que carregar sozinha.

O primeiro lance de escadas não é tão difícil quanto esperava, mas a partir do terceiro lance começa a parecer que vai ser impossível subir todos os andares carregando a mala. Continuo a subir, fazendo um esforço fora do normal, até que vejo que tem alguém vindo correndo em minha direção, ele esbarra tão forte em mim que acabamos os dois caindo da escada, para minha sorte só tinha subido poucos degraus.

"Você não olha para onde anda??" pergunto ao levantar do chão, começo a limpar minha roupa e meus braços que agora ganharam um belo arranhão, por conta da mala que estava carregando. "Desculpa, estava com pressa e no celular, daí acabei não te vendo" ele fala, um garoto loiro, alto, com os olhos mais verdes que eu já vi, "Então presta mais atenção da próxima vez" dito isso, pego minha mala e começo a subir novamente, porém com mais dificuldade. "Você quer uma ajuda?" ele diz, "Não preciso da ajuda de ninguém, pode continuar correndo por aí" ao ouvir isso ele fecha a cara e responde "Tudo bem então, boa sorte aí" descendo o resto dos degraus.

Após muitos degraus e muito suor depois, chego até uma porta que tem escrito Apartamento 421, coloco a chave na porta e abro, mas sou surpreendida por uma pessoa deitada no sofá do meu apartamento!


*Nota ao leitor: Obrigada por ler! Irei disponibilizar em breve o segundo capítulo. Se você puder recomendar a história para amigos serei eternamente grata.

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