Você acredita que para cada um de nós existe um único grande amor?
Ou que podemos viver isso várias vezes?
Você acredita em amar duas pessoas ao mesmo tempo?
E em amor à primeira vista?
Acha possível sermos felizes sem vivermos junto a "tampa da nossa panela"?
Eu acredito em todas as formas de amor, mas acho impossível sermos tão bons em lidar com todas elas. Alias, prazer, me chamo Elena.
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Eu passei a minha adolescência toda sem me apaixonar por ninguém e nunca vi problema nisso. Meu pai sempre me disse que o mais importante é cuidarmos do nosso jardim, assim as borboletas viriam naturalmente.
Por isso nunca entendia Felipe e suas mil paixões. Felipe é meu melhor amigo, crescemos juntos. Nossas mães eram melhores amigas e a família dele era a minha família, já que todos os parentes de meus pais moravam em Minas Gerais, estado onde nasceram.
Desde que me entendo como pessoa ele está apaixonado por alguém. Era praticamente uma paixão por ano. Algumas dessas garotas ele até chegou a "namorar", mas eram relacionamentos curtos que não passavam de três meses. Acho que ele tinha um certo fetiche por relacionamentos que estavam na cara que não dariam certo.
Nós sempre discutíamos por causa disso e eu não perdia a oportunidade de tornar esse assunto em piada.
O fato de não me apaixonar não quer dizer que não saia com ninguém. Rolava uma paquera aqui, uns beijos ali, mas não passava disso. Nunca viravam namoro. O que também não quer dizer que não sonhava com o amor. Esperava sim encontrar alguém para dividir e aproveitar a vida. Não aquele amor de conto de fadas. Sonhava com o amor real, aquele que enfrentaria tempestades e dificuldades, mas que também desfrutaria de dias de sol e felicidade.
Felipe é um ano mais velho que eu, por isso nunca estudamos na mesma classe, mas sempre na mesma escola. Nós fazíamos tudo juntos, mas tínhamos outros amigos também. Crescemos com uma turma de cinco amigos que moravam no mesmo bairro que nós, Levi, Eduardo, Rodrigo, Clara e Roberta. Éramos aquele grupinho conhecido pela vizinhança toda, devido a todas as artes que fazíamos. Demos muito trabalho aos nossos pais, desconfio que em alguns momentos eles tiveram medo de que aquela fase não passasse, mas passou.
Eu tive uma boa infância. Nasci e cresci na capital de Santa Catarina, Florianópolis. Famosa como Ilha da Magia ou Floripa.
Meus pais vieram para cá ainda jovens, em 1968 e por isso se consideravam nativos.
No fim do ensino Médio meu pai decidiu que se inscreveria na Escola Naval e pediu que minha mãe, na época namorada dele, viesse junto. Ela não pensou duas vezes antes de aceitar. Além de amá-lo, era seu sonho morar próximo ao mar.
Ela não conhecia os pais que haviam falecido num acidente de moto quando ela ainda era um bebê, por isso foi criada por uma tia, mas não tinham criado laços afetivos e quando ela resolveu partir ninguém se opôs.
Minha mãe era uma mulher criativa, inteligente e muito talentosa com as mãos. Pintava lindos quadros, desenhava e costurava roupas, acessórios e tudo que fosse que sua criatividade permitisse se atrever dava certo. Ela amava a natureza, ficava horas no mar. E sempre estava aprendendo algo novo. Nunca trabalhou em uma empresa de salto e batom. Ela não queria fazer uma coisa só a vida toda. Ela dizia que era perda de tempo, que ela queria saber e fazer tudo que fosse possível. Era uma mulher cheia de vida, sempre com um sorriso no rosto. Não tinha vergonha de expor seus sentimentos, por isso era comum vê-la se declarando para meu pai, independentemente de onde e das pessoas com quem estivessem.
Totalmente diferente do meu pai que aos dezessete anos resolveu entrar para a marinha e seguir carreira nessa instituição tão conservadora. Ele gostava de coisas certas, regradas, planejadas. Ele era mais reservado e não fazia declarações de amor fora da intimidade, mas nem precisava, ele era doce e maleável de um jeito único com ela. Eles estavam o tempo todo entre abraços e beijos.
Apesar das grandes diferenças eles se respeitavam demais. Não era perfeito, eles tinham seus atritos, mas a cumplicidade e o amor sempre falavam mais alto. Eles eram muito felizes.
Desse amor vieram três filhos: eu e meus irmãos, Miguel e Fernando, que eram dois e sete anos mais novos que eu, respectivamente.
Aos meus doze anos minha mãe faleceu. Foi muito rápida e sorrateira a forma como ela nos deixou. Ela descobriu que tinha um câncer no ovário e seis meses depois se foi.
Nós como filhos sentimos demais a perda, mas nada comparado ao meu pai. Ele envelheceu dez anos no período que ela ficou em tratamento e ainda mais depois que ela partiu. Apesar de toda a dor, ele aprendeu a ser mais carinhoso com a gente. Acho que foi o legado que ela deixou para ele.
Apesar de ter perdido minha mãe, ainda muito jovem, com quarenta anos, ele nunca mais se envolveu sentimentalmente com ninguém. Meu pai viveu um único amor em sua vida.
Eu demorei um pouco para conhecer esse amor de tirar o folego, de marcar para sempre a memória e o coração. Para cada pessoa ele acontece de uma forma. Nem sempre é o primeiro, o ultimo ou o único.
Mas não significa que vivi sem amar. Vivi um amor diferente. Não era o tipo de amor que faz o sangue ferver, mas era um tipo de amor que me dava segurança, liberdade e que me fazia sentir amada.
Foi sem planejar e sem pensar que segui esse rumo. Não me arrependo de nada, pois para mim tudo tem motivo e hora certa para acontecer.
Tenho que voltar alguns anos pra explicar isso melhor.
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Com amor,
RomanceElena Lavorini é uma jovem que acaba de completar 18 anos e está prestes a fazer a viagem de seus sonhos: passar um ano inteiro na Itália. Em uma noite com seu melhor amigo, um mês antes de sua partida, alguns drinks e uma atração momentânea transfo...
