As noites não eram muito amáveis com garotinhas amaldiçoadas, mas aquelas em específico tinha um tom ainda mais amedrontador.
O vento batia violentamente nas cortinas da pobre menina, e as árvores, agora, não pareciam tão inofensivas enquanto formavam gigantescas garras com as sombras da noite. A menininha tentou se esconder em seu cobertor, mas nem isso teria a capacidade de fazê-la adormecer nesta noite repleta de assobios.Então, quando outra violenta rajada de vento entrou pela janela, a menina pulou da cama, e saiu o mais depressa possível de seu quarto. Descendo as escadas, acomodou-se nos últimos degraus, sob o calor aconchegante da lareira da sala de estar. Ela encaixou sua visão na brecha do corrimão e sentiu seu mundo derreter.
Lá estava ela, a mulher mais bela do mundo da menina amaldiçoada. A mulher com longos cabelos loiros como palha e os olhos mais dourados que o próprio ouro da coroa do rei. Ela se arrastava pela sala em uma dança preguiçosa e hipnotizante como uma verdadeira ninfa. A menininha olhou para o homem que produzia uma melodia agradável com os dedos sobre as teclas do piano, seu foco estava dividido na execução minuciosa da melodia e a devoção à mulher que se arrastava pela sala com um sorriso satisfeito.
Em seus mais longos devaneios, a menina desejava aquilo, que alguém a olhasse como os dois se olhavam ou a fizesse sorrir até que suas bochechas doessem e seu rosto ficasse marcado.
Antes que a pobre menina pudesse se afogar ainda mais em seus devaneios, a madeira do degrau se dignou a ranger com seu movimento, fazendo com que dois admirados olhassem para os grandes olhos cinza e as mãozinhas pequena e pálidas, que eram as únicas coisas que a escuridão noturna não havia encoberto
—Halain, meu raio de sol, o que faz acordada a esta hora? — a bela mulher perguntou com a voz tão dócil e aveludada que a menina não pode evitar o sorriso envergonhado que preencheu seu rosto junto a um leve rubor.
—mamãe, eles estavam lá! —a menina correu até os braços de sua mãe, pulando em seu colo.
—O vento não parava de fazer sons e tinham garras por toda a parte. —disse a pobre menina com uma voz chorosa
—meu pequeno sol, estamos aqui agora, não precisa se assustar— disse o pai da menina cuja mão acariciava seus longos cabelos.
— Vamos mostrar que não há o que temer, meu raio de sol. Ficaremos com você até que enxergue isso —disse sua mãe enquanto entregava a menina para os braços do pai e começavam a subir as escadas. A menina foi confortada na cama, e sua mãe sentou-se ao seu lado, sorrindo e acariciando seu rosto com afeto , então cantarolou a lenda do rei condenado em doces sons, tão doces que não tardou para que a menina conseguisse, enfim dormir.
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Amaldiçoados
Fantasy"Você não era meu antídoto, era o veneno que corria pelas minha veias e corroía os meus planos. "
