CAPÍTULO I: AMOR AO PRIMEIRO QUASE-TOQUE

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por Vimicius

FEFO POV


Acordei naquela manhã mais uma vez moribundo e um tanto estressado depois de uma péssima noite de sono. Me revirei na cama por alguns minutos completamente perdido, então ergui a cabeça para frente e olhei lentamente para os lados ainda tentando recobrar a consciência de onde eu estava. O dia quente me deixava ainda mais desanimado, já que em plena pandemia, a única coisa que me restava era passar dias e dias repetindo uma rotina que há muito passou a ser desinteressante.

Passado já algum tempo deitado tentando digerir toda a chatice, decidi me levantar para iniciar mais um dia fustigante. Fui ao banheiro, tomei um banho rápido – já que meu corpo havia transpirado muito durante a noite – e, ao escovar os dentes, fui surpreendido por uma dor excruciante que chegava a me deixar tonto: "MERDA! AAAAAAHHH, O QUE ACONTECEU DESTA VEZ?".

Assustado e incomodado com aquela dor, decidi pegar meu celular que estava na pia tocando NiziU, e comecei a procurar desesperadamente o número da minha irmã (que é uma popstar na Austrália), torcendo que ela tivesse tempo para me ajudar. Na primeira tentativa de discagem, tive a sorte dela me atender. Eu e Tuts passamos um curto tempo na ligação, mas eu estava sentindo tanta dor que já não conseguia mais prestar atenção no que ela falava; todavia, ela aparentemente tinha a solução mais óbvia o possível para o meu problema, que era marcar check-up urgente amanhã.

No outro dia, com a dor ainda mais intensa, fui em uma clínica que a Tuts havia me indicado, já que o dentista era um amigo dela. Por volta das 9:00 da manhã, cheguei em frente à um imenso e belo prédio comercial, que por momento me fez questionar sobre o endereço. No hall, um homem muito bonito, vestido com certa elegância, porém bastante peludo me cumprimentava e se apresentava como Martin. Perguntei a ele como chegar na clínica odontológica de estranho nome e o mesmo me apontou que seu chefe estaria operando no 3° andar. Chegando no andar indicado, fui direto ao balcão de atendimento, onde uma se encontrava uma moça sorridente mexendo em seu celular, contudo, um tanto desatenta. Olhei para sua plaquetinha de identificação na sua camiseta e falei de forma tímida: "R-Ray?".

- Oiii! Bem-vindo a Clínica do Golira. Você reservou seu horário com o Dr. Kong?- Sim, reservei ontem para o horário das 10:15.- Que ótimo! Espere que seu nome será chamado. Aliás, você sabia que ele é um dos melhores no que faz?- Espero então que venha valer a pena sair da cama tão cedo para resolver algo tão chato que eu nem imaginava que aconteceria comigo.

Dei as costas de forma meio grosseira à recepcionista, sentei-me na primeira fileira de cadeiras, e enquanto pensava no quão esquisito e lastimável era o que me ocorria, fiquei laureando minha belíssima playlist enquanto deixava Twice tocar nos meus fones extremamente altos, depois voltei minha visão para frente encarando tudo com cara de paisagem. Uma garota bastante estilosa correu de forma abobalhada de dentro do consultório e cochichou com a recepcionista que riu baixinho em um tom capcioso. Passados 20 minutos do horário marcado, aquela garota agora se identificando como Cekcis – a assistente do Dr. Kong – que me chama para ser avaliado.

- Por quê tão atrasada? A consulta não é barata e eu estou com dor – Exclamei possesso com a situação.- Desculpe-nos. Eu e o Dr. Kong estivemos acertando umas coisas lá dentro, porém nada além de problemas administrativos – Afirmou a senhorita enquanto acertava delicadamente as costuras de sua paramentação.- Ok, mas não poderia ter avisado ao invés de me deixar cozinhando aqui cheio de dor?- Senhor, não faça drama. Passaram só 20 minutos. Venha, pois o Kong está te esperando.

Eu me levanto bem devagar, enquanto observo em volta. Em certo momento, redireciono minha visão para o fundo da sala de espera e vejo minha irmã sentada sussurrando lamúrias com uma expressão de puro desgosto, levantando um pouco a máscara para movimentar a ponta o arame do aparelho. Em súbito, grito seu nome e aceno e por um breve momento, ela ajusta a máscara e acena com uma expressão que mistura dor e felicidade. Rindo um tanto da situação, me virei e segui até a sala para ser enfim, examinado. Ao entrar, fui guiado por Cekcis até a cadeira, e lentamente, um homem alto, de corpo bem atlético entrou pela sala e proferiu meu nome da maneira que para mim, seria o começo de um fim extremamente doloroso.

- João Ferrari?

A sua voz intensa e grave ressoou pela sala de uma forma que fez meu corpo vibrar. Sua assistente sorriu de forma safada me olhando perder um pouco do controle e calmamente, se retirou do consultório. Eu olhava ele de uma ponta a outra, porém um volume realmente notável em suas calças me deixou realmente sedento, que me até esquecer a dor momentaneamente e também me trouxe uma libidinosa indagação sobre o que ele estava fazendo com sua parceira e o porquê dela ter saído, já que sempre acredito que duas pessoas não conseguem segurar seus desejos sozinhas em algum lugar.

- João?? - O-oiii! Desculpe. Eu me desliguei por um minuto. - O que te traz aqui? - Ontem fui escovar os dentes e senti uma dor muito intensa que está durando até agora. - Você tem feito tratamentos, visitas a consultas, escovado os dentes regularmente, trocado suas escovas? Sabe que apenas leite não ajuda a manter os dentes firmes, não é? - Na verdade me descuidei por um momento em relação a isso, mas voltei a cuidar com frequência. Já sobre leite... Este está em falta, então criei uma preferência por café. Com tamanho estranhamento à minha fala, ele se pôs mais próximo de mim e apalpou um lado do meu rosto para descobrir onde estava a área mais dolorida. Aquela mão firme tocando o meu rosto me deixava em uma vertigem ainda mais profunda e eu já não sabia mais se eu estava sentindo dor ou puramente tesão. Por extremo descontrole, acabei gemendo baixinho, o que fez ele soltar em claro e alto tom: "É aqui?".

Acabei fechando meus olhos por um instante, e ao abri-los, percebi que minha mão estava quase tocando aquele pau maravilhoso que estava marcando sua roupa e a partir dali eu sabia que eu estava em um caminho sem volta. Antes da minha mão ser preenchida por aquela coisa, ele parou o que estava fazendo e me olhou com total feição de repúdio em relação ao meu ato e, prosseguiu com sua fala, agora um tanto alterada.

- Sabia que isso foi extremamente desrespeitoso? Não acordo cedo para trabalhar e me deparar com molequices. Você não pode tocar tudo o que vê, e acho melhor você ser mais cuidadoso com seus sentimentos.

O clima mórbido não o impediu de seguir um procedimento que em outras mãos seria infinitamente doloroso, mas que ali de fato não doía, e eu, mergulhado agora em um sentimento agridoce só me fazia observá-lo, agora com um desejo.

Depois que saí de lá, tentei durante inúmeros dias forjar outras dores e ligar incessantemente para o consultório para marcar muitas outras avaliações só para vê-lo novamente, contudo, ele sempre estava presente fora do horário que eu estava disposto a sair. Decidi tentar encontra-lo de supetão, porém o máximo que eu via era ele saindo do prédio com aquela aura séria e profundamente sensual enquanto caminhava até seu luxuoso carro insufilmado, de forma que não dava nem para eu observar suas expressões. Definitivamente, este homem me tirou dos eixos de uma forma que nem sei explicar, mas o meu maior anseio que nasceu desde aquele dia atípico é conseguir a mamada daquele ser divino, nem que me custe a vida.

A Mamada MortalStories to obsess over. Discover now