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Cap 1º O Sonho de Herói

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— Aqui tá tão frio! — Toco os meus pés descalços na terra úmida da floresta, coincidentemente, a chuva fraca e o vento forte atingiam meu corpo pequeno.

Quando eu era pirralinha, sonhava em conhecer o mundo fora daquele quarto branco, longe daquelas portas de metal maciço, longe daquele cheiro de álcool, dos treinamentos exaustivos, das conversas dos adultos brancos sem rostos. Sonhava em dividir a sensação que estou sentido agora com os meus irmãos.

— Aqui tem tantos barulhos estranhos.— Eu tentava andar pelo escuro daquela floresta, não conseguia enxergar um palmo a minha frente. Apertava meu braço esquerdo que doía muito. Tudo o que eu conhecia, havia sumido por minha causa, tudo o que eu achava que era o mundo, havia sumido.

Um barulho estrondoso de algo caindo na minha frente faz com que eu saia correndo, gritando por alguém, tentando não cair e, principalmente, não encontrar com um adulto branco sem rosto.

— Calma pequenina, não precisa ter medo. Sabe porquê? — Uma voz de homem grande soa atrás de mim antes que eu corra longe o bastante para que eu não conseguisse ouvir. Olho para trás e vejo uma figura alta e forte parada com os braços formando triângulos com a cintura. — Por que EU cheguei.

Anos depois

— Luci! Vamos minha filha, acorde! — Sou perturbada do meu sono divino e do conforto da minha cama macia — Vaammos Luci, vai se atrasar pro seu primeiro dia do seu glorioso futuro como heroínaaa!!

— Ah não pai, mais 5 minutinhos. — Ainda tonta de sono, me viro para o outro lado tentando fugir deste senhor que me balança me obrigando a levantar.

— Ah é? Ok então. — Meu pai se atira em cima de mim me fazendo cócegas — Vamos Luci, se você já é uma heroína então vai conseguir se livrar de mim bem rapidinho! — Em meio as risadas e a agonia que aquele despertador humano me causava, rolo em desespero para o lado contrário que faz com que eu caia da cama. — Meu Deus minha filha, você tá bem? — O homem se estica para a beirada da cama para se certificar que nada aconteceu comigo. — Ué? Cadê você?

— PEGUEI VOCÊ!! — Atravesso rápido para a frente da cama e pulo com a coberta em cima do homem o prendendo debaixo do lençol — E aí? Mereço 5 minutos?

— HAHAHA Você me pegou espertinha, mas acho que você já está acorda o suficiente para não conseguir mais dormir. — Reviro os olhos — Agora você vai tomar seu banho enquanto termino o café.

— Só espero que você não tenha tentando fazer bolo de morango de novo pai, porque você cozinha muito bem, mas com bolos você é um desastre. — Me levanto do cama jogando meu cabelo em tom de deboche.

— OLHA SÓ! FOI SÓ AQUELA VEZ QUE O BOLO DESMONTOU!! E tinha sido minha primeira vez. — Começo a gargalha com o tom de voz mudando de indignação para depressivo instantaneamente.

— Ta bom, ta bom. Não precisa ficar triste hahaha, só estou enfatizando sobre o desastre que foi quando o bolo caiu na frente de todo mundo depois que o Grantorino tinha avisado que iria cair. — Corro para o banheiro antes que um travesseiro voasse em mim.

Meu primeiro dia na UA, mal consigo acreditar que esse dia chegou. Meu pai me treinou durante anos para esse dia, anos aprendendo a lidar com essa minha individualidade cabreira.

— Meu cabelo parece mais claro. — Observo cada detalhe do meu rosto no espelho. Meu cabelo tá um caos, as mechas cor de creme estão mais pálidas do que antes, as cor de rosa estão desbotadas e as castanhos estão espigadas, meu lindo cabelo napolitano precisa de um descanso dos treinos. MAS POR QUE LOGO HOJE ELES TINHAM QUE ESTAR ASSIM!?!?!? Sério mano? Valeu ai universo.

Termino o banho, a maquiagem e de hidratar minhas cicatrizes e vestido o uniforme. Meu Deus, esse uniforme realmente valoriza o corpo e ainda é fresquinho, só espero que ele não manche com facilidade.

— Luci!! Vem tomar café!!

— Tô descendo. — Corro até as escadas e sento no corrimão, escorrego por ele até chegar a sala. Assim que chego a sala de jantar, meu pai havia prepara um banquete digno de um membro da alta corte real. — Que horas você acordou pra fazer tudo isso?

— Ahh, umas 4:30, mas isso não importa, você precisa comer bem pro seu primeiro dia. — Ele parecia tá tão orgulhoso com o seu banquete, parecia até uma dona de casa.

— Oh pai, você sabe que não precisava e, principalmente, o senhor também precisava descansar, até porque é o seu primeiro dia como professor tá bem. — Ele me empurra para sentar no meu lugar

— Deixa disso menina, isso é um carinho que eu gosto de fazer, poxa. — Diz ele se sentando com um sorriso de criança que acabou de ganhar um carrinho novo. Meu Deus, como pode o herói número um gostar de fazer cafés da manhã elaborados em datas especiais? Sorriu em desistência e começo a me servir. Ovos, bacons, panquecas, sopa quente, frutas, arroz, é uma mistura tão loca de América e Ásia na mesa que chega até ser uma afronta com os dois países.

— O senhor vai comigo pra escola? — pergunto encarando o melão cortado na mesa.

— Você quer que eu vá? Você nunca foi muito fã que eu te levasse pra escola.— É verdade, nunca gostei porque sempre formava uma multidão por onde ele passava, pelo menos antes do acidente que ele sofreu que impossibilitou-o de usar por muito tempo o all for one. Hoje em dia, conseguimos sair até pro shopping. — Bem, de qualquer forma, eu vou encontrar com o jovem Midoriya, você pode me acompanhar se quiser.

— Vou sim!! — Abro um sorriso no rosto. O Midoriya e eu ficamos mais próximos desde que meu pai começou a treinar ele, bem, ele treinava nós dois juntos. Os treinos do Midoriya eram mais voltados para a construção de força e masa corporal e o meu era mais voltado para o controle da individualidade e, as vezes, lutávamos juntos para treiná-lo pro exame da UA.

Terminamos de comer e saímos de casa.

— Você ficou muito linda com esse uniforme, Luci. — Meu pai desvia o olhar da rua por alguns segundos para olhar para mim e sorrir gentilmente.

— Obrigada pai. — Esse é o Meu Pai, ele sempre foi gentil, honesto, doce e amoroso. Minha maior sorte na vida foi ele.

Continuamos conversando no caminho para a UA, ele me contava animado sobre o seu período como aluno lá, contava das provas, do festival de jogos, dos professores de sua época e de como ele sempre sentia um frio na barriga quando parava para pensar que estava estudando para ser um herói, até chegarmos no estacionamento dos professores da UA.

— Acho que nos atrasamos um pouquinho. — Reparo no barulho que estava a universidade, dava pra sentir as vibrações no chão causadas pelos alunos correndo.

— Você tem razão, acho melhor você já ir achar sua sala enquanto eu vou pra sala dos professores. Não vou conseguir falar com o jovem agora. — Ele toma sua forma musculosa e jovem.

— O senhor vai aguentar passar tanto tempo com essa forma? — Me preocupo muito com ele, principalmente, depois do acidente contra aquele vilão maldito.

— É claro que sim, irei fugir a cada meia hora para o banheiro para voltar a minha forma magrela e respirar.— Diz com o seu famoso sorriso. Bufo em reprovação, mas fazer o que, né? Ele é mais teimoso que uma mula.

— Ta bom então, já vou indo. Até depois! — Corro para a entrada do prédio.

Tenho que ser sincera, espero que ninguém nos tenha visto chegar, não iria gostar que soubesse que ele é meu pai. Não que eu não ame ele ou não o admire, pelo contrário, não quero que pense que sou aquele tipo de pessoa esnobe que se acha por ter um pai fodão. Já tive muitos problemas com isso no passado e, também, não quero que associem minhas conquistas ao meu pai, que só ganhei algo por causa dele ou porque sou filha dele. Quero ser a heroína número 1º por mérito próprio e quero que as pessoas saibam que EU venci sozinha.

Quando chego à frente da universidade, encaro aquela grandiosa estrutura. Eu tô aqui, eu REALMENTE consegui. Meu sonho de ser a melhor heroína de todos os e tempos e proteger o legado do meu pai vai começar agora.

Com Lágrimas e Sangue Stories to obsess over. Discover now