O frio de Chicago fazia com que Sérgio revirasse os olhos toda vez que o vento cortante batia em seu rosto, quase o congelando e fazendo seus olhos ficarem apenas com a parte branca. Ajeitou o casaco com o símbolo dos bombeiros estampado, segurou o copo de café com as duas mãos para tentar esquentá-las, mas sem sucesso. Sérgio Pontes definitivamente odiava o inverno.
– Me diga um motivo plausível para eu ficar em uma cidade onde o inverno é horrível? – Sentou na mesa do refeitório com seus colegas.
– Um motivo? – Charlie falou com a boca cheia de bacon – Isla Paige e sua luta para virar vegana – apontou para a socorrista aparentemente insatisfeita com seus bacon de berinjela.
– Me dá um tempo, Bennett – revirou os olhos e cuspiu a comida no prato – Isso não dá para comer, Deus, eu quero bacon de verdade. – Levantou as pressas indo em direção ao pequeno buffet.
– Ainda não sei o por que estou aqui. – resmungou ao se levantar indo para a bancada pegar um café. Tomou um gole, no mesmo momento que engoliu o líquido quente quase teve um orgasmo ao sentir aquecer seu corpo gelado.
Sérgio encarou a garota comendo feito um crocodilo, devorando cada pedaço de carne em seu prato. Soltou um riso nasalado e saiu juntando-se novamente aos seus colegas bombeiros.
Não era muito próximo das duas socorristas, falava sempre o básico ou quando estavam juntavam-se aos bombeiros no bar ao lado do quartel. Mas ele observava, e fazia isso até demais quando se tratava de Isla Paige, a morena era sorridente, sempre com bom humor e dona de uma inteligência anormal, ela sempre sabia o que fazer e como agir durante as emergências.
O homem não poderia negar que a queda já era maior que o penhasco do grand canyon. Isla era a mulher mais linda que ele já tinha visto em sua vida inteira. E sabia que para superar esse sentimento seria quase impossível.
Terminou seu café sem açúcar com um último grande gole, querendo que fosse um whisky sem gelo. Havia prometido a si mesmo que não ia mais pensar na garota.
– Cara, você baba demais na Isla – Noah sussurrou tirando com a cara do melhor amigo.
Noah Stefan, melhor amigo de Sérgio e capitão do Esquadrão 5, acolheu o mais novo em seu apartamento assim que chegou em Chicago. Os dois tinham uma ligação de outra vida, se entendiam, discutiam mas se acertavam no mesmo instante; os outros colegas tinham o hábito de brincar que eles eram o legítimo casal meloso.
Sérgio encarou Noah e revirou os olhos em sinal de tédio. Claro, na tentativa falha de fingir descaso. Era óbvio para todos ali no quartel a paixonite que ele tinha pela amiga.
– Me erra, cara – deu um soco em Noah que ficou choramingando. – Deixa de ser maricas, cara.
– Eu não luto boxe, cara – resmungou mais um pouco alisando o braço onde recebeu o soco.
Sérgio saiu de perto do amigo pronto para arrumar suas coisas e fazer relatórios a pedido do Chefe Logan. Assim que deu meia volta com mais uma xicará de café ouviu os alto falantes.
"Caminhão 41, Carro-Pipa 91, Ambulância 31. Incêndio na rua 3 com a 5"
– Fica ai chorando, eu vou trabalhar – correu até o caminhão e vestiu seus paramentos em segundos, entrou no caminhão arrumando o chapéu. Ficava nervoso em todos os chamados, não importava se era leve ou grave a situação. Ele amava o que fazia.
Isla entrou no carona da ambulância, colocou o cinto de segurança, arrumou o cabelo em um rabo-de-cavalo, virou o rosto para o lado dando de cara com Sérgio a encarando, acenou para o colega e deu uma piscadela.
– O brazilian boy está de quatro por você – Sienna falou enquanto ligava a sirene do carro. – E não adianta negar, todo mundo percebeu, é o assunto mais comentado entre todos do batalhão.
– Não viaja, Rhodes – revirou os olhos.
A única coisa que Paige conseguia imaginar era que Pontes é o cara mais adorável que havia conhecido, o cavalheirismo dele era de causar inveja e querer ser a namorada do loiro. O charme do cabelo loiro com entradinhas e a pequena franja jogada para o lado esquerdo, os olhos cor de mel e a boca muito bem desenhada. Sem contar a voz grossa digna de molhar qualquer calcinha, inclusive a dela.
Meu Deus, no que ela estava pensando? Estava ficando maluca. Ela tinha namorado, não precisava desses pensamentos com o colega de trabalho.
– Chegamos, vai trabalhar e pare de falar merda, Sienna Rhodes. – Isla olhou de forma brava porém na brincadeira para a parceira.
Seria um plantão e tanto. A fábrica de tecidos estava em uma situação precária. Sérgio estava prestes a entrar no incêndio. Olhou uma última vez para ele e rezou que tudo ia dar certo.
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NO TIME FOR TEARS
RomanceIsla Paige nativa de Chicago trabalha como socorrista na famosa Batalhão 23 do Corpo de Bombeiros da capital, passando por um péssimo momento em seu relacionamento se aproxima de Sérgio, o brasileiro perdido na grande cidade a mais de 6 anos, após o...
