Me acordo com um susto que me assombra desde pequena, era um pesadelo, mais uma vez. Os cavaleiros da hierarquia vieram em Avignon atrás de mulheres suspeitas á bruxaria. Eles são chamados de cavaleiro porque conseguem livrar às pessoas de todo mal. Pra mim eles são só ignorantes comandados por um rei burro e velho. Eu consigo me esconder atrás das árvores.
- LÍDIA!! - grita minha mãe com um tom um pouco assustador vindo em minha direção.
- ONDE VOCÊ TAVA?
- Eu estava descansando mãe.
- Não deve dormir por aí, sabe que os cavaleiros estão caçando novamente.
- Como vou saber se vocês não me deixam ir pra cidade. - Solto com um tom debochado
- Não preciso te ensinar novamente as regras, mocinha. - Diz ela irritada. - Só pode ir nos botes conseguir jornais.
- Ah, sim. - Digo me despreguiçando
Meu quarto foi destruído quando meu pai bebeu um pouco demais e queimou "sem querer" todas as coisas que eu tinha. As cartas que eu recebia de um amigo era minha única ocupação, mas meu pai as queimou achando que estava me prostituindo, novamente. PORQUE ELE TEM ESSA CISMA?
Pego uma caixa embaixo da cama que eu mantenho escondida desde pequena. Na caixa tem lembranças da minha vó, que foi condenada a bruxaria quando eu tinha 5 anos. Ela deixou diários, livros, receitas e remédios caso eu precisasse. Também me deixou códigos que eu não consigo decifrar, mas não posso mostrar a ninguém pois eu morreria por isso. DROGA DE MUNDO!!!
- Lidia, vem jantar agora!! - Grita minha mãe. porque ela grita tanto?
- O que tem pro jantar? - pergunta minha irmã sofie.
- O de sempre. - Responde meu pai.
Sofie é a minha única esperança no mundo, ela tem a mesma idade que eu. Eu a amo tanto. Ela é caridosa e me apoia em tudo, apesar de não sermos irmãs de sangue.
- Onde você estava pela manhã Lidia?
- Estava no bosque, lendo e respirando um pouco.
- O que estava lendo?
meu pai tem essa implicância com livros, pra ele, mulheres não conseguem ler nem lutar. Muito menos trabalhar. Eu evito ler perto dele pra ele não me irritar. ELE ME IRRITA SEMPRE.
- O jornal, pai.
- Não pode ficar solta por aí, você quer ser condenada? - pergunta com gestos de superioridade.
- Eu seria condenada apenas por ler jornal? - respondo com sarcasmo.
- Querida os cavaleiros pegam qualquer mulher camponesa, eu não preciso te explicar de novo. - Responde minha mãe.
- Apenas por não ser da nobreza e por não ter opção de moradia? pra mim isso é injusto. Nem sei porque esses caras se nomeiam cavaleiros, pra mim eles são arrogantes.
- ELES PROTEGEM NOSSO POVO DAS BRUXAS E DE TODA MALDIÇÃO DA TERRA. - grita meu pai, furioso.
- CHEGA DESSE ASSUNTO LIDIA, O JANTAR É UM MOMENTO SAGRADO. - Grita minha mãe.
- Eu só estou apenas dando opinião.
- Mulher não pode opinar. - Resmunga meu pai.
Deixo o jantar e saio da mesa correndo pro meu quarto. PORQUE ELE ME PROVOCA TANTO? PORQUE ELE ODEIA TANTO AS MULHERES? Eu o odeio tanto. Não consigo nem descrever.
Pego o diário da minha vó e começo a ler. Acho que parei na página 20. DROGA!!! ta desmarcado. COMO PUDE ESQUECER ONDE PAREI?
Alguém bate na porta e eu me espanto escondendo o diário da vó.
- LIDIA?
- oi, Sofie.
- Não ligue pro que eles dizem, você só vai se irritar mais.
- EU NAO AGUENTO MAIS FICAR PRESA AQUI. - Resmunga eu.
- Eu sei, eu também não aguento. Mas prometo que logo logo vamos ser livres, ok?
- Nós mulheres ou apenas eu e você?
- O que você quiser que seja, só precisa ter fé.
- Perdi a fé desde os 5 anos de idade.
- Você precisa dormir, ta cansada. - Solta ela com um riso engraçado. Ela me acalma sempre.
Eu nunca tive fé, pra mim a igreja foi criada pelo ser humano pra poder sair da realidade que é o mundo ou para seguirem uma lei divina, com medo de castigo. Se existisse mesmo um Deus, não teria toda essa injustiça no mundo, a não ser que ele seja ruim. Mas não tem lógica existir um Deus ruim.
Permaneço pensativa até cair no sono.
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OUTRA VIDA
RomanceDesde o coma, ana vem recordando drásticos momentos perturbadores e confusos em sua mente sobre a história de uma garota chamada Lidia, em uma vida passada. Ao se aprofundar mais, ela descobre que nada na sua vida é por acaso, nem o amor e nem a mor...
