Prólogo

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    O dia estava nublado. Cinza demais para um dia alegre como aquele. O dia que prometia ser o mais feliz da minha vida, aonde tudo o que aconteceu. As brigas, as intrigas, o sequestro, as mentiras e todos os erros que cometemos ficariam para trás e um novo ciclo iniciaria.
    Eu estava radiante e nada poderia tirar a minha alegria. Como eu me iludi. Depois que eu entrei acompanhada do meu pai a cerimônia seguiu normalmente. O João parecia mais feliz do que nunca e ainda que algumas lágrimas ameaçassem escapar de seus olhos eu tinha a plena convicção de que era apenas emoção.
      Tudo seguia normalmente e enquanto o juiz de paz falava eu tentava não lembrar da conversa que tive com o meu pai na noite do dia anterior. Ele jamais descobria e a minha família estaria intacta e feliz. Eu finalmente teria paz, já que João e eu havíamos escolhido uma cidade tranquila e não pretendíamos mais nos envolver nos negócios sujos do meu pai. Porém, o meu sonho foi por água abaixo no momento em que João
viu aquele vídeo.

                               ...

12 horas mais tarde

— Eu matei ela, Ricardo. Eu a matei — meu pai ditou com a voz embargada — eu a matei e estou a ponto de ver a minha filha casar com o filho dela.

       Senti o meu coração bater com rapidez e sem controlar os meus atos eu invadi o escritório do meu pai no galpão noroeste.

— Larissa! — o meu pai gritou surpreso.

    Eu poderia jurar que vi o meu tio sorrir como se tivesse conquistado prêmio ou ganhado um brinde.

— Você matou a Fernanda?! — eu poderia sentir as lágrimas a ponto de escapar e a raiva começar a arder no meu peito.

— Larissa talvez... — o meu tio tentou avançar.

     Eu o empurrei me aproximando da mesa do meu pai. Os meus olhos estavam fixos nos dele e as minhas mãos bateram sobre a mesa.

— Você matou a mãe dele?! — dessa vez eu gritei.

— Sim — ele olhou nos meus olhos friamente.

     Se ele desviasse o olhar eu saberia que estava mentindo, mas ele olhou nos meus olhos.
     Eu senti os meus joelhos fraquejarem e eu cai sentada na cadeira chocada. No dia seguinte eu me casaria com o filho da mulher que o meu pai matou.
    Por muito tempo eu ouvi João chorar e ter crises por causa desse acontecimento. A infância dele foi destruída e ele se tornou um homem dominado pelo desejo de vingança. Ele almejou matar o mandante do assassinato da mãe, mas saber que era o meu pai o destruiria pelo fato ser um dos homens que ele mais admirava.

— Por quê? — dessa vez saiu em um sussurro.

— Eu a amava — ele ditou.

— VOCÊ A MATOU! — eu gritei.

— Ela escolheu ele. — o meu pai disse pesaroso — eu não queria matar ela, eu queria matá-lo...— se referiu ao pai do João.

— O João Pedro vai ficar destruído — eu disse o interrompendo.

— Você não pode contar para ele — eu poderia jurar que eu vi o medo assombrar os seus olhos. — A dor nos transforma, ele vai me matar e você...ele jamais poderá ser igual com você.

— Ele me ama. Ele jamais mataria você — eu me aproximei — papai, vamos falar a verdade — um soluço escapou dos meus lábios — eu vou adiar o casamento.

                                 ...

   O vídeo foi interrompido e aquela voz pavorosa começou a se pronunciar novamente.

— Mas... O casamento está acontecendo — a pessoa disse — parece que alguém escolheu seguir os passos do pai e trair a pessoa que ama.

   O meu noivo olhou para mim com os seus olhos marejados. Eu vi a tristeza e a raiva se fundindo em seu olhar.

— João... — e sussurrei me aproximando.

— Ela sempre faz isso quando quer algo. Tão manipuladora quanto o pai. Eu te avisei, Joãozinho, ela é uma víbora.

    O meu pai ameaçou ir para cima dele, mas com um gesto de João ele foi barrado por seus amigos.

— Tome João, tenha a sua vingança.

     O meu coração parou. Ainda que todo o meu corpo tivesse a certeza de que ele atiraria em mim ou no meu pai alí mesmo, o meu coração tinha a convicção de que ele jogaria a arma fora.



Autora:

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