Conto I - Aquela que Pertence à Noite

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Recomendação de música para Leitura: Winter Fantasy Music - Snowflake Lullaby 

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Os gritos da mulher perfuravam a noite gelada da cidade de Onuir, os ventos levavam as folhas na casinha. A única luz presente era de uma lamparina pendurada na parede da casa simples. Ela se retorcia em dor na pequena cama, gotas de suor permeavam sua pele e seu rosto demonstrava intensa dor. Estavam com ela um homem e um garoto de não mais que seis anos de olhar assustado.

-Calma Olivia, tudo vai dar certo. – Encorajou-a o homem, que procurava por alguma coisa no quarto. – Julian, busque na dispensa alguns panos limpos, rápido!

O garoto assentiu e correu. Os cabelos cacheados da mulher estavam empapados em suor, e ela ora gritava, ora grunhia de dor. Ela agarrou a mão do homem com força e olhou nos seus olhos fixamente.

-Melion... – disse ela num esforço aparente. – Me prometa que se eu não conseguir, você voltará para o Coven.

-Eu... eu não posso querida. – disse ela evitando olhá-la nos olhos. – E você vai conseguir, é mais forte que qualquer um!

-Eles precisam de...ARGH! – ela gritou novamente, e contorceu-se. – De cuidados, de proteção. Talvez você não seja capaz de protegê-los sozinho.

-Não, não sou. Mas você estará comigo. – Respondeu. Ela o olhou com ternura por alguns instantes, até que a dor voltou. Junto a ela, o garoto chegou no quarto com os panos.

-Aqui pai, todos os que eu achei. – Disse ele, um pouco assustado, a voz fina de menino soava um tanto quebrada.

-Muito obrigado, meu rapazinho. - Respondeu o pai, recebendo os panos das mãos dele. – espere lá fora agora, por favor.

Ele voltou a sair do quarto, um pouco relutante, deixando os pais sozinhos.

-Eu preciso que seja forte agora, querida. – Encorajou Melion, e percebendo a dor que sua esposa se encontrava acrescentou. – Mais forte do que nunca.

Ela assentiu. Mais gritos de dor foram ouvidos pelas redondezas, e o garotinho Julian estremecia a cada um dos gritos, com lágrimas permeando os seus olhos. Depois de alguns torturantes minutos o barulho cessou. Por alguns segundos nada se ouviu, até que a voz da mulher soou fraca:

-Deixe-me segurá-la apenas uma vez, Melion. – Ela estendeu os braços fraca. – Eu quero deixa-la sentir o calor de sua mãe apenas uma vez.

O homem chorava profusamente, entregou-a a Olivia. Ele olhava atordoado para a quantidade de sangue nos lençóis da cama e entendia que seria por pouco tempo que teria sua amada. Sentou-se ao seu lado e acariciou seus cabelos por meio de suas lágrimas.

-Hey, menininha. Você é tão linda, tem a cor da pele do seu pai. – Sussurrou ela para a criança adormecida em seus braços. O pequeno ser tinha cabelos abundantes, e uma expressão tranquila, a pele delicada tão morena quanto a de Melion. Ela olhava com inexplicável amor, enquanto pequenas lágrimas peroladas brotavam de seus olhos. – Cuide desses dois rapazes por mim, ok? Você é meu maior presente para eles, o meu Legado. Eu te amo, e sempre vou te amar, Jess...

Então seus olhos se fecharam, e o homem chorou como nunca. Sentiu como a dor de uma espada rasgando seu peito, e não se importou. Nada mais importava. Até quando ele olhou para a criança, e percebeu que ela não respirava. O desespero que tomou conta do homem foi tão imenso que nem seu eu quisesse poderia colocar em palavras. O desespero de perder a mulher e a filha no mesmo momento é demais para qualquer mente, e certamente foi demais para o pobre Melion. E talvez isso, e apenas isso, explique o que ele fez a seguir.

Contos da Arca - Histórias do Mundo de ArcStories to obsess over. Discover now