Dia ensolarado e tempo aberto, era tudo isso que Salazar imaginava ao acordar após uma noite em uma casa subalterna na zona menos urbana de Petrus.
- Já vai se levantar, meu bem? - Indagou uma das moças ao seu lado, com os cabelos desgrenhados e maquiagem borrada após a noite sexual passada.
- Não nos deixe tão cedo... - Murmurou a da direita, contornando os lábios de Salazar com um dos dedos.
Com um suspiro, ele se levantou e desgarrou as mãos de seu corpo, enrolando-se em uma das cobertas e começando a procurar suas vestes espalhadas pelo quarto. Ok, devia admitir que essa vida de mulheres quase todas as noites não levaria a nada, mas o que poderia fazer se não era cavalheiro ou pior ainda, moças dessa burguesia nem sequer pensariam em se envolver com um pirata, ainda mais da laia de Salazar, que brincaria facilmente com os sentimentos de uma moça até roubar toda sua fortuna. Era descarado e não negava isso a ninguém.
Parou em frente a um espelho velho e desbotado do quarto e contornou seus fios negros que lhe caíam até os ombros.
- Podem sair, o dinheiro está na mesa. - Disse secamente enquanto uma das moças se levantava da cama indo em sua direção.
- Poxa, Salazar, não podemos nos divertir mais hoje? Hein? - A moça deslizou as mãos pela virilha exposta de Salazar, que a retirou dali no mesmo instante.
- Eu sei que vocês não querem se divertir, vocês querem mais dinheiro e eu lamento informá-las que não tenho nada do que aparento ter, então saiam. - Ele encarou o espelho com seus olhos negros de modo que atingisse a concubina atrás de si. A mesma balbuciou xingamentos enquanto pegava suas vestes com certa rapidez e se retirou logo em seguida, acompanhada da que estava na cama.
Esse mês as dividas não estavam muito boas para Salazar, nem nos bares que havia frequentado quanto nos locais mais sociais; surgiam cobranças atrás de outras mais antigas e as soluções se estreitavam cada vez que seu nome era mencionado de forma negativa em seus bancos pessoais de empréstimos.
Riu lembrando do porquê não possuir mais a última possibilidade.
A verdade, é que Salazar havia feito empréstimos não consentidos, e isso resultara em maus lençóis.
- Do que mais viveria um pirata, não é mesmo? - Tais palavras foram ditas após ser espancado por quatro homens dos tais bancos pessoais após descobrirem seu roubo de cinco mil rulhas na capital.
Abriu seu cantil e virou na garganta, pigarreando após engasgar com o alto teor de álcool contido no recipiente.
- Droga. - Murmurou e vestiu-se de uma vez, ao sair no bar as moças da noite anterior lhe observaram com desdém caminhar até a saída enquanto outros supostos cachaceiros também o fitavam com atenção.
Precisava sair dali e voltar para sua proa antes que alguém surgisse para lhe cobrar algo que devesse.
- Há quanto tempo, caro Salazar. - Uma voz masculina o cumprimentou pelas costas.
- Nem tanto assim, Dante. - Ele parou por um instante, observando o quanto seu colega de viagens havia mudado em tão pouco tempo. - Está diferente, deixe-me adivinhar, conquistou a velha burguesa?
- Não diga bobagens, sabe que me casei por amor. - Dante sorriu.
Salazar segurou o riso, para ele não existia uma possibilidade de um pirata se casar por amor com alguém da burguesia, aliás, Dante possuía apenas trinta anos e havia se casado com uma senhora vinte anos mais velha.
- Amor uma ova, a não ser que esteja mencionando fazer amor à moda antiga, literalmente. - Debochou.
- Você não muda, Salazar, lembro-me dos tempos em que navegamos pelo mundo juntos e você me ensinava tudo que eu não sabia, inclusive em dar golpe em belas donzelas. - Dante riu e seus olhos puxados se fecharam simultaneamente. Ele era a famosa pessoa que sorria com os olhos para Salazar.
- Não conheci nenhuma donzela, Dante, talvez se eu frequentasse o café das senhoras pudesse encontrar alguma assim como você. - Salazar arqueou uma das sobrancelhas e se virou. - Preciso ir, Dante, até logo.
- Até, amigo. - Dante continuou seu caminho.
Amor, onde já se vira isso? Piratas nem sequer eram aceitos na região e mesmo assim Dante havia se precipitado em achar que seu casamento fosse por amor e não por interesse. A velha, Lilyan Phanton, não era flor que se cheire e casar-se com Dante pode ter sido alguma trama que ainda não fora revelada.
- Estamos prontos? - Salazar indagou ao chegar em seu pequeno navio.
- Sim, acreditamos que há uma ilha onde desembarcaram navios com riquezas, no entanto, ouvi dizer que sereias impediram o retorno da tripulação. - Will, amigo e parceiro de navegação de Salazar esteve sempre atento a boatos e notícias da cidade, inclusive de histórias mentirosas.
- Acredita nisso? - Salazar riu. - Não existem sereias, Will.
- Bom, se eu encontrar alguma garanto que pedirei para me levarem com elas, seria melhor que essa vida que temos. - O senhor gorducho sorriu.
- Encontre-a antes de mim, pois eu seria capaz de matá-la. Imagine a fortuna que nos daria vendendo-a no mercado negro? - Os olhos de Salazar brilharam com a ideia.
Uma pena, pois os planos de lucrar ou assassinar uma sereia estavam prestes a mudar assim que subiram suas velas e começaram a navegar. 🏴☠️
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Salazar
RomanceNo país de Petrus, o caminho mais difícil de se prosperar é de modo simples, pois famílias ricas e burgueses não dão espaço para os menos afortunados. Salazar, não havia escolhido ser pirata porque queria, mas alegava que era o meio que encontrara p...
