Depois de uma tarde inteira de saída às compras com as suas amigas, Qiu Naliang não esperava encontrar na estação de metro um amigo especial, que não via desde que ele tinha iniciado a carreira de ídolo na Coreia.
O que Naliang não sabia, era que es...
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QiuNaliang
Nesta manhã de fim-de-semana presencio uma multidão, e eu estou muito feliz, sendo que hoje começam as promoções de primavera aqui em Huaqiangbei, o bairro que tem os maiores mercados eletrónicos de todo o mundo, ou melhor, o conhecido Vale do Silício da China. Mas hoje vim mesmo para comprar roupa, visto que estou a precisar.
Menos mal que tenho dinheiro, consegui poupar nestes últimos meses. Olho para o meu relógio e vejo que as minhas amigas estão atrasadas. Não me importo, pois sei que é preciso caminhar uns trezentos metros antes de chegar aqui.
(…)
— Naliaang!
Virei-me para trás.
— Desculpa pelo atraso, já estamos aqui — afirmou Yi Zhen.
— Não faz mal! — sorri. — Vamos.
Yi Zhen veio hoje com um vestido justo bege meio amarelado, não lhe ficava muito bem, devido à pele dela ser muito branca. Pelo menos a cor loira do seu cabelo comprido disfarçava um pouco e a carteira que trazia era preta, que tinha um encaixe dourado da Yves Saint Laurent, nada mau.
Eu estava simplesmente vestida com uns calções de ganga, para facilitar as trocas de roupa nos provadores; por cima tinha uma blusa branca folgada e no meu pulso trazia um relógio digital cor-de-rosa que o meu pai tinha comprado no mercado, enquanto que no pulso de Yi Zhen estava encaixado um relógio da Rolex e umas pulseiras douradas.
Não queria cobiçar os acessórios dela, mas não podia resistir. Os pais dela são funcionários de uma empresa milionária, enquanto que o meu pai é motorista dos transportes públicos e a minha mãe vende flores e produtos hortícolas no mercado municipal.
Mesmo assim, frequentámos a mesma escola nos anos do ensino fundamental e hoje somos grandes amigas. Lala Zhu, que também vinha connosco, tornou-se nossa amiga no ano passado.
Neste momento, todas nós estudamos na mesma universidade, porém cursos diferentes.
No futuro, pretendo ter um emprego estável e conseguir ser independente. Os meus pais já fizeram muito por mim, durante estes anos todos. Acho que é a minha vez de demostrar o que valo e garantir que tenhamos uma vida com qualidade. Nestes tempos tem sido difícil, mas agradeço imenso por ter um teto onde dormir, comida para me sustentar e pelo facto de poder estudar numa universidade.
Sei que noutras províncias há pessoas que passam 14 a 20 horas a fio, fabricando roupas a todo o vapor, que no final distribuem-se por todas as partes do mundo a um preço mais alto que a remuneração de um dia de trabalho; o mesmo se passa na cultura de maçãs e produção de carne, ambas em massa.
Infelizmente é assim, mas isso é o que faz com que o país seja uma grande Potência Económica.
O meu sorriso desapareceu devido a estes pensamentos e apercebi-me disso porque Lala estava a cutucar-me.