Pouco tempo após o mundo nascer, ele morreu. A primeira criatura criada era tão poderosa que seu fogo devastou terras e explodiu montanhas. Foi nomeada pelos humanos como dragão, e por meio desse dragão tudo teve seu fim.
Essas criaturas imensas chamadas de dragões, foram a causa da destruição do mundo. Elfos, humanos e anões lutaram contra os poderosos seres alados, mas no fim, não tiveram nenhum resquício de chance. Um dragão se destacava entre os da sua espécie, esse era chamado de Arunka, o majestoso. Jamais existiu dragão mais poderoso que Arunka, pois seu fogo era puro e sua força imensa.
Arunka era reverenciado por todos os seus irmãos dragões, mas o tédio por ser a criatura mais forte viva, rodeava o famoso dragão. Em um ato de traição, ainda nas guerras dracônicas, Arunka se aliou aos humanos e seus aliados para ajudá-los a derrotar todos os outros dragões. O motivo da traição você me pergunta? Tédio. O mais puro e profundo tédio. Arunka queria se sentir vivo, ele queria sentir seu fogo devastar montanhas e ceifar vidas, mas os humanos e seus aliados eram insetos perante sua força, restando apenas seus semelhantes para proporcionar um pouco de diversão ao dragão entediado.
A aliança entre os humanos, elfos e anões aceitaram a ajuda de Arunka, ainda que tenham nutrido certa desconfiança. Cem dragões, esse era o número necessário para se igualar à força de Arunka, ou pelo menos era isso que os dragões traídos achavam.
— Onde ele está, capitão? — gritou o jovem soldado ao ver a nuvem de dragões que se aproximava de sua guarnição.
— Aquele dragão desgraçado nos enganou, ele não virá nos ajudar! — berrou o capitão aos seus homens que detinham faces desesperançosas.
Homens de armadura de prata tremiam de medo. Eles sabiam que nada poderia ferir um dragão, nem mesmo o fio de suas espadas.
— Se um criador de tudo existe, por que ele nos fez tão fracos? — sussurrou o capitão para si mesmo, esperando a morte que vinha dos céus se abater sobre ele e seus homens.
Era o cenário perfeito para Arunka. Humanos tementes por suas vidas, dragões convencidos cheios de poderes e um massacre inevitável que aconteceria em um futuro próximo, tudo isso animava Arunka, o fazia se sentir vivo de verdade.
A morte veio dos céus, mas não a morte que se abateria sobre os humanos. O tempo chuvoso cessou e o sol apareceu, quando Arunka bateu suas asas dispersando as nuvens negras que rodeavam o campo de batalha. Comparado a um dragão normal, o majestoso dragão tinha dez vezes seu tamanho.
— Aquele maldito traidor — disse o dragão que comandava cem dragões atrás de si, antes de ser pulverizado pelas chamas de Arunka.
Cem dragões não foram o suficiente para deter o dragão majestoso. Os humanos nada fizeram, apenas viram dezenas de criaturas colossais caírem uma por vez dos céus. Arunka, não era mais considerado um dragão, nem por seus semelhantes, nem por seus "aliados", Arunka agora era "morte", pois por onde ele batesse suas asas imensas, a morte se abateria sobre o local também.
No fim, apenas um dragão conseguiu acabar com as guerras dracônicas. Apenas um dragão conseguiu subjugar todas as outras criaturas vivas. Mesmo assim, Arunka continuava entediado, pois ele considerou muito fácil a destruição de sua raça. Mediante o tédio, os humanos e todas as outras criaturas vivas na terra pagaram. Arunka era um monstro incontrolável, e assim como destruiu sua raça, destruiu a humanidade e todos os seres vivos restantes também.
— Por que? Por que você me fez tão forte, seu desgraçado? Sou tão forte que nem consigo tirar minha própria vida, tendo que suportar por toda a eternidade o peso da minha existência.
A voz de Arunka ecoava por toda a terra como um trovão, enquanto ele amaldiçoava seu criador.
— Agora você me entende. A razão de eu ter te feito tão forte, foi para que sentisse o mesmo sentimento que eu. Isso pode parecer piada, mas deter todo o poder existente é extremamente tedioso e irritante. Você agora me entende, então viva mais alguns milênios até achar algo que cure esse meu tédio, digamos que você vai me servir como ratinho de laboratório — disse uma voz misteriosa vinda dos céus à Arunka.
Arunka sabia que aquele era seu criador, então ele jurou para si mesmo caçá-lo, jurou para si mesmo matar seu criador.
Batendo suas asas o mais forte que podia, Arunka voou para fora da terra, enquanto o forte vento proveniente de suas asas destroçaram o restante da terra arrasada.
Arunka voou pelo universo em busca de um sentido para sua existência, mas por onde passava ele apenas encontrava seres mais fracos que ele. Chegou um ponto, em que a força do majestoso dragão era tão grande, que o próprio espaço-tempo começou a se curvar perante ele, permitindo que viajasse tanto para o futuro quanto para o passado. Arunka voou pelo tempo, voou e voou, até atingir o começo de toda a criação. O dragão finalmente tinha encontrado seu criador e não deixaria sua chance escapar.
— Então você veio, minha criança — falou o ser, como se já estivesse esperando a vinda de Arunka.
— Esse será seu fim, maldito, não haverá criação, não haverá nada.
Uma risada estridente pode ser ouvida por Arunka, em meio a escuridão que lhe rodeava.
— EU SOU A PRÓPRIA EXISTÊNCIA, SUA CRIATURA INSIGNIFICANTE, O QUE ACHA QUE PODE FAZER COMIGO?
— Se você é a própria existência, então a existência deixará de existir hoje.
Com um último sopro de sua chama mais pura, o dragão majestoso destruiu tudo à sua volta. Arunka destruiu tudo que existiu, que existe ou que viria a existir. O poderoso dragão agora era a própria existência, mas mesmo assim ele continuava entediado. Até que com o seu fogo, resolveu dar vida a seres poderosos iguais a ele, esperando que esses seres dessem um sentido para a existência vazia de Arunka, e que eles lhe proporcionassem a resposta para o tédio infinito que sua força absoluta trazia.
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O Dragão Majestoso
FantasyO dragão mais poderoso que já existiu se rebela contra sua raça apenas por um motivo. Tal motivo pode parecer piada, mas é o motivo verdadeiro.
