1- O início.

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Eram 2Hs da manhã quando mamãe chegou naquele dia, acompanhada de um novo namorado.
Cindy já estava preocupada, já que ela não era de sair assim.
Mas ficou mais calma ao reparar bem no moço, que tratou mamãe educadamente.
Esse, era bem aparentado, devia ter seus 35 anos, simpático. Deixou mamãe na porta, despediu -se e saiu.
Saiu sem olhar pra trás, mas Cindy já imaginava, já que raramente eles olhavam.
E mamãe, foi tomar um banho, e depois se jogou na cama, suspirou e dormiu, exausta. Nem sequer provou o ensopado de legumes que Cindy havia aprendido a preparar.
Mamãe era assim mesmo.
Cindy observou os irmãos dormindo.
Eles eram em 3. Noah, o caçula, tinha 03 anos. Marcus, tinha 05. Cindy a mais velha, com seus recém completos, 09 anos, desde cedo aprendeu a ajudar a cuidar dos irmãos pequenos, sendo um de cada pai, já que mamãe, namorava bastante mas nunca encontrou alguém que realmente a amou.
O pai de Cindy, ela nunca conheceu.
Ele tratou de ir embora quando mamãe engravidou. Assim como os pais dos irmãos.
Nenhum deles os conhecia.
Cindy viu o pai de Noah uma vez.
Enquanto mamãe chorava em soluços apoiada ao batente da porta da frente, implorando para ele não ir embora e dizendo que ela criaria o menino sozinha. Cindy sentiu uma imensa raiva naquele dia, ao ver sua mãe sofrendo tanto.
Ela fingia que não, mas, seu próprio pai fazia falta. Se ele não tivesse ido embora  talvez todos seriam filhos dele, e seriam uma família feliz. Será?...
E assim mamãe seguia namorando e namorando, tentando encontrar seu príncipe encantado.
Ao menos dessa vez, parecia que o namorado era melhor que o anterior.
Cindy nem sabia o nome dele, e nem queria. Aquele homem era grosseiro demais com mamãe, e Cindy não gostava nada daquilo.
Desde pequena ela sabia que uma mulher deve ser tratada como uma dama.
Mamãe não havia dito isso à ela, mas Cindy já havia ouvido coisa parecida na escola e entre As meninas.
Mas mamãe parecia não se importar, já que deixava aquele namorado fazer dela o que quisesse.
Já este, parecia mais gentil,
Mas... será que isso iria durar?

No dia seguinte, mamãe acordou alegre, lavava a louça enquanto Cindy enxugava. Os irmãos brincavam no quintal da pequenina casa.
Mamãe cantarolava como Cindy não via a muito tempo.
-O que será que aconteceu?- pensava -Seja lá o que for, foi algo muito bom. E se mamãe está feliz, também estou.
A menina tratou de ir ajudar seus irmãos e se arrumar para a aula.
Gostava das aulas de educação física, as vezes a professora ensinava a dançar, e Cindy gostava muito.
Mamãe por sua vez, aqueceu o ensopado, e chamou os meninos para almoçar. Cindy olhava para a mãe atônita, pensando se mamãe iria gostar de sua primeira receita.
Mamãe não gostava que Cindy usasse o fogão. Era perigoso. Mas na noite anterior, não teve outra alternativa.
-Hmmm- disse mamãe- isso aqui está maravilhoso -sorriu delicadamente olhando nos olhos da menina.- Quando você crescer, será uma ótima esposa. O dom para a cozinha você já tem.
Os olhos de Cindy brilharam, e os irmãos concordavam com a cabeça, levando mais uma colherada à boca.
Cindy gostou da ideia de ser uma boa cozinheira, mas não sabia sobre a parte de ser esposa.
As situações com os tantos namorados que mamãe tivera, deixaram Cindy muito apreensiva.
-Deve dar muito trabalhão achar um bom marido- Pensava.- será mesmo que posso conseguir isso?...
Enquanto divagava em seus pensamentos, sua mãe organizava a mesa, colocando o lanche na mochila dos meninos.
-Cindy!- mamãe a despertou de seus sonhos acordada.
-sim mamãe - quase pulou com o coração acelerado de susto.
-Termine seu ensopado ou vai se atrasar.
A menina tratou de comer, em seguida levantou-se e seguiu para a porta da frente enquanto aguardava o ônibus escolar passar.
Cindy gostava de ir para a escola, mas, não gostava da maneira como as outras meninas a olhavam.
Era como se elas a olhassem de cima, fazendo-a se sentir inferior.
Elas também falavam coisas baixinho, e Cindy sabia que era sobre ela.
Até ouviu por alto uma vez, quando uma delas dizia coisas sobre sua mãe.
Elas não a queriam por perto, e por isso, Cindy só conseguia fazer amizade com os garotos.
E claro, Isso fazia com que as meninas falassem ainda mais sobre ela, dizendo coisas como: - ela será igualzinha à mãe.
Ela sabia o que isso queria dizer, já havia tentado várias vezes fazer amizade com as meninas, mas nunca lhe deram oportunidade.
Uma vez mencionou com mamãe o que acontecia, chegou pedir para mudar de escola, mas, aquela era a unica escola pública perto de sua casa que tinha vaga, e as escolas particulares eram muito caras. Então mamãe disse à ela que não se importasse, fingisse não ouvir, e que fosse pra escola pra estudar e não pra conversar com meninas mimadas.

Naquele dia, quando ela chegou em casa, sentiu o aroma agradável de lavanda e sabia o que isso significava, mamãe havia passado horas arrumando a casa. Ela fazia isso em seu dia de folga do trabalho.
Mas naquele dia, mamãe parecia especialmente animada. Havia trocado os móveis de lugar, colocou um vaso com flores em cima da mesa da cozinha, estava um ar diferente na casa. Mamãe estava feliz.
No início da noite, mamãe se arrumou como há tempos não fazia, serviu o jantar, mas não comeu.
Disse que iria jantar fora, mas que não iria demorar.
A menina ficou se perguntando se seria como no dia anterior.
As horas passaram rápido, e não era tão tarde quando Cindy ouviu o mesmo barulho de carro da madrugada anterior.
Correu para a janela. Era o mesmo moço simpático.
Abriu a porta, para mamãe, ela desceu do carro, e ele a acompanhou até a porta da casa.
-Boa noite, Isabela.
Beijou mamãe na testa, e saiu.
Os meninos brincavam alegremente no tapete da sala, e Cindy tentou disfarçar sentando-se no sofá.
- Eu sei que você estava na janela, mocinha.- disse mamãe em tom de brincadeira.
Cindy apenas sorriu, e mamãe foi para o banho.
Depois, assistiram um filme infantil pela TV até que Cindy e os meninos  adormeceram no sofá.
Acordaram no dia seguinte,cada um em sua cama, perguntando uns aos outros como o filme acabara. Nenhum deles sabia responder.
- O tio da Lani era o Big Z.
-Caramba, ele tava vivo o tempo todo?- surpreendeu-se Marcus.
- Pois é - mamãe disse, enquanto organizava a mesa para o café- agora todos para o banheiro, escovar os dentes. O café já está na mesa...

Sábado era o dia que mamãe mais trabalhava. Saiu de casa assim que finalizou o café. Deixou a mesma ordem de sempre: Não abrir a porta pra ninguém. Conhecido ou estranho, ninguém.
Mamãe não confiava nas pessoas, e não tinha muitos amigos, então era fácil obedecer, já que quase nunca alguém chamava por ela em casa.
Naquele dia, especialmente, apenas o carteiro deixou uma carta e saiu.
Mamãe apanhou a carta quando chegou, abriu o envelope e fez a mesma expressão preocupada que fazia todasas vezes que chegava uma carta. Cindy imaginava que cartas eram notícias ruins, já que quase sempre que abria uma, mamãe mudava o semblante.
- Devem ser contas- Pensava Cindy.
Mas mamãe jamais dizia pra eles o que estava escrito.
Apenas chegava, jogava fora o envelope, e colocava as cartas em uma pasta pequena depois guardava a pasta em sua bolsa.
Mamãe entrou para o banheiro, tomou um banho demorado, saiu com os cabelos molhados, e enquanto os secava com a toalha, assistia ao noticiário.
- A senhora vai ver o seu namorado hoje mamãe?
- Não Cindy. Estou cansada hoje.
Preciso descansar. Talvez amanhã.
Mamãe enxugou os cabelos, e deixou os soltos caíndo pelos ombros.
Foi até a cozinha, serviu um bocado da comida requentada e comeu.
Mesmo cansada, ela era muito bonita. Olhos expressivos, cabelos loiros, bem cuidados. Não tinha muito dinheiro para mantê -los, mas a dona do salão em que trabalhava, dizia que suas funcionárias deveriam ser exemplo.
Acabou o jantar, lavou o prato e colocou no escorredor de louças.
Voltou para a sala e acompanhava com atenção nenhuma as notícias na TV.
Enquanto as notícias iam passando, os olhos iam ficando pesados, e aos poucos começou a cochilar.
A menina chamou a mãe, ajudou-a a se deitar na cama, e em seguida deu -lhe um beijinho na testa.
-Boa noite mãe.
-Boa noite, filha.
E seguiu para sua cama.
Os meninos já estavam dormindo a essa hora, e a menina foi deitou-se e dormiu rapidamente.

CindyWhere stories live. Discover now