Enquanto caminhava por uma trilha num terreno baldio perto de casa, encontrei um diário de 2016 de um rapaz chamado Daniel. Daniel neste diário descreve e desabafa sobre a sua vida social e amorosa apenas num dia especial que decidiu escrever. Ele passou por muito mas de qualquer forma, parece que o destino lhe reservou o melhor.
Querido diário, 28 de novembro de 2016
Decidi escrever-te um pouco sobre a minha adolescência pois hoje completo os meus 18 anos e já não sou propriamente um miúdo. Lembro-me de quando estava no início da minha adolescência e todos me diziam que nunca iria encontrar o amor da minha vida, tentando-me mandar a baixo. Eu continuei sempre firme e forte pois era o rapaz mais social da altura e toda a gente me conhecia, tinha imensas pessoas à minha volta, parecia tudo um mar de rosas. Como era popular na escola não foi difícil até começar a namorar mas os namoros que tinha nunca duravam muito tempo, até que houve um dia em que conheci uma miúda, antisocial, tímida e que não agradava aos olhos dos outros rapazes, devido a não ser o modelo de rapariga da época. Foi a minha primeira relação séria e sim podemos dizer que fiquei numa espécie de paixão que eu não conseguia decifrar se era real ou tudo imaginação da minha cabeça. Era a primeira vez que me sentia minimamente realizado e parecia que tudo estava a dar certo. O nosso namoro durou cerca de 1 ano com muitos términos pelo meio, devido ao meu descontrolo. Comecei a achar-me superior e dizia-lhe que ela não prestava para mim pois eu merecia melhor. Terminámos de vez quando eu cometi o meu primeiro erro, a traição. Sim, eu acabei por o fazer, era um adolescente sem escrúpulos, estúpido e sem noção das coisas. Mas pronto, não consigo remediar o passado. Como eu estava a dizer, após trair 1 ano de muitos amores, a minha vida começou a desabar drasticamente, comecei a procurar mais e mais "relações" mas nenhuma resultava, por minha culpa. Ao fim de muitas tentativas fracassadas para encontrar alguém, acabei por desistir e foi a partir dai que bati mesmo lá no fundo. Enlouquecido por estar sozinho, o álcool consumiu as minhas veias e acabei por me agarrar ao tabaco com regularidade. Para mim, álcool e tabaco foram sempre duas opções que não queria na minha vida mas não tive opção. Isto durou cerca de 2 anos. No início comecei por perder amigos e no fim dei por mim a isolar-me de tudo e todos. Escondia-me da sociedade, pensei na morte e em todas as formas que podia usar para desaparecer sem que ninguém sentisse falta. Mas eu era um cobarde e não conseguia por fim a mim mesmo. Não tinha amigos ou grande parte deles por decisões que tinha tomado e, por isso, comecei a aperceber-me de que se deixasse escapar os que ainda me restavam, acabaria por bater no fundo de novo. Assim, após todo este sofrimento e angústia decidi por um travão e foi ai que comecei a voltar ao que era, ou pelo menos comecei a tentar. Passaram-se 2 anos e meio. Era verão e eu como ainda não tinha recuperado quase nenhuma amizade, comecei a procurar amigos através de sites, mas rapidamente percebi que não era a melhor escolha para fazer amizades novas. Desci novamente um degrau, meti todos os meus amigos e familia de parte e tentei focar-me na escola. Estudava todos os dias mas nunca obtive sucesso por isso deixei também os estudos. Depois de muito fracassar, comecei a interessar-me por vídeo-jogos e rapidamente fiquei totalmente viciado. O meu único problema era que muitas das vezes não tinha com quem jogar e, por isso, aborrecia-me e desistia facilmente. Foi ai que um certo dia um amigo, dos poucos que restavam, me convidou para jogar com ele e com um grupo de amigos que tinha. Claro que aceitei logo sem pensar duas vezes, não iria perder a oportunidade para conhecer pessoas novas. E assim, dito e feito. Por volta das 23 horas da noite ele mandou-me mensagem para eu entrar num grupo, entrei e conheci várias pessoas. Todas bastantes diferentes umas das outras. Ganhei novas amizades mas a minha cabeça ainda não conseguia aceitar o facto de ser aceito de novo num grupo social e de que poderia voltar a ser amado pelas pessoas. Nesse grupo de amigos existia uma rapariga muito diferente de todas as outras que eu já tinha conhecido, o nome dela era Sofia. A Sofia era bonita, inteligente e a sua bondade interior era incontrolável. Comecei a brincar imenso com ela, até que um dia por descuido consegui o número dela. Fiquei curioso por isso mandei logo mensagem. Perguntava-lhe todas as noites quando iríamos jogar todos juntos e a pouco e pouco fomos ficando cada vez mais próximos um do outro. Ela respondia-me sempre, o que me deixava super alegre. Parecia estar a encontrar um certo conforto que nunca antes tinha sentido, andava bastante confuso. Começamos a falar muito, dia após dia, até que comecei a ganhar interesse. Um interesse estranho que nunca tinha sentido, não sei bem explicar. Falávamos por chamadas de vídeo todas as noites, esperava que ela adormecesse e depois ficava a olhar para ela durante uns segundos e dizia-lhe tudo aquilo que não era capaz de admitir diretamente, meio paranóico mas sabia-me muito bem fazê-lo. No meu consciente ela era perfeita, não sei. A única coisa que tinha como garantia era que ela me fazia qualquer coisa na cabeça, mexia com o meu psicológico. Como disse ela era diferente de todas as outras, era um pouco frágil e tinha as suas paranóias e não se achava atraente, mas para mim isso era o que menos importava. Ela tinha um ótimo coração e acho que foi por isso que me chamou tanto à atenção. Sabia que ela precisava de alguém ao seu lado e pensei bastante se eu seria o melhor para tal, depois de tantos problemas tinha medo de voltar a magoar alguém, ainda por cima, alguém tão especial como ela. Sonhava todos os dias pelo dia em que se iríamos encontrar pessoalmente, transfigurava aqueles sonhos de tal maneira, que parecia mesmo real. Sinto que estávamos destinados a se encontrar mas ainda hoje tenho receio de lhe fazer mal. Falamos até hoje sobre tudo, e eu ainda não tive coragem para lhe ditar os meus sentimentos mas sei que um dia chegará esse momento.
Mais uma vez querido diário eu quis desabafar contigo sobre isto pois andava a inquietar-me tanto, que não podia contar a mais ninguém. Espero que guardes este segredo a sete chaves, voltarei a escrever-te em breve para te noticiar se já consegui seguir em frente.
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Ainda acredito no verdadeiro amor?
RomanceVida social e amorosa na adolescência são assuntos delicados e pelos quais todos nós passamos ou vamos passar, este diário contém um pequeno desabafo de um jovem que perdeu o seu diário.
