O nascimento do príncipe

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O rei Wejopates convidada a todos moradores da cidade Éliote, em Al-Andaluz, a participar da festa de presentação de seu primogênito que nascera naquele dia, numa tarde tempestuosa. A notícia correu de porta a porta. O nascimento do príncipe fora já marcado nos documentos do reino como um dia simbólico. A rua, que dá ao Castelo Éliote, fora ornada de flores e luzes até à beira do parque junto ao rio guadalmedina. À conta da chegada do príncipe: as fábricas, as minas de ouro e outros estabelecimentos foram fechados, pois pela ordem do rei, ninguém podia trabalhar naquele dia.

           — Fechem as fábricas, as minas! São ordens do rei!

O filho do rei Wejopates, que se chamaria — Anemohelios, inexplicavelmente, quando nascera, houvera uma proeza da natureza, como afirmavam os escribas da corte:

         — O príncipe Anemohelios, o filho pródigo, o enviado dos deuses, por ação do seu nascimento, fez tremer as terras do reino e a cidade Éliote quase ia sendo varrida por uma rajada de ventos fortes que festejavam a sua chegada!

Dizia um homem nobre:

        — A sua mãe, Helionina, nossa querida rainha, brilhava como sol, era representação pura da beleza feminina, que até os poetas da corte, dedicam-lhe centenas de poemas.

Rei Wejopates era descendente dos moros, que haviam chegado àquelas terras séculos atrás, através do Estreito de Gibraltar. Era um rei respeitado e aclamado por todos na cidade, não só pelo poder que possuía mas também porque era um rei justo para com todos, prevalecendo sempre as leis. E temido pelos seus inimigos que lhe tinham ódio; Lotófago, rei da cidade de Córdiz e Pirrônico, rei da cidade Granã. Eram reinos vizinhos, separados por muralhas, que próprio rei Wejopates mandara construir depois da última batalha sangrenta que houvera entre esses reinos, dez anos atrás.

Lotófago soube pelo seu conselheiro, Sílex. Que rei Wejopates se tornara pai de um varão e que a cidade não cessava de comentar que tinha sangue de Hércules, que nascera com poderes de Zeus.

        — Então as pessoas acham que o menino é um semideus? Que tolice!

       — É o que a cidade comenta, meu rei. Esta noite, lá vai haver cerimônia para apresentação do menino.

       — Uma cerimônia? Hum… creio que vamos fazer uma visitinha ao rei Wejopates.

         — Não devíamos aparecer, meu rei, porque….

        — Nós vamos, Sílex, já está decidido.

        — Como queira, meu rei — Sílex retirou-se  para o saguão.

A notícia não só correu de porta a porta pelo reino mas como também atravessou as suas fronteiras com os reinos Córdiz e Granã. Rei Pirrônico tornara-se pai no mesmo dia, mas este estava furioso e exasperado por lhe ter nascido uma menina, não um varão, como desejara sempre. A sua esposa: Termolina, dara luz à uma menina linda, com áurea de uma verdadeira deusa, por isso decidiu chamá-la: Caligina.

Como era habitual, o Combustão, cervo do rei Pirrônico, ia  a galopar a cavalo, para contar ao seu rei, a notícia bombástica que corria.

           — Meu amado rei, — informou quase sem fôlego — falam por aí que o rei Wejopates já é pai de um varão.

           — Por que me contas isso? — disse franzindo a testa — Quer que lhe vá dar os parabéns?

           — Não, meu rei, mas…

           — Mas nada, Combustão! Tenho problemas demais com que me preocupar para pensar no Wejopates. Ora essa!

           — Desculpe-me, meu rei,… se o senhor me permitir, gostava de lhe perguntar uma coisa, senhor.

          — Pois diga logo. Quero ficar só.

          — A princesa Caligina, senhor,… acho que devíamos instrui-la já, assim que fizer 5 anos, pois é vossa geração, senhor, por isso tomei a liberdade de procurar um instrutor.

           — Pois fizeste a escolha certa. Não tenho cabeça para isso. Mais alguma coisa?

            — Não senhor, com vossa licença.

            — Saia.

À noite caiu. As ruas estavam todo iluminadas. Podia ver-se o reino de Éliote da montanha, onde se encontravam o rei Lotófago e Sílex, no seu cume.

         — Olha só para isso! Tanta algazarra por um menino que não vai viver para reinar.

         — Por que diz isso, senhor?

         — Valha-me Agne!  Não te está claro, Sílex? — disse o rei Lotófago, virando-se para o seu conselheiro. — Eu vou matar o menino, e os pais, e tomar aquele reino. Essas terras são nossas! eles não passam de intrusos!
       
          — Mas senhor, o rei Wejopates foi…

          — Basta! Não tentes voltar a mexer no passado! Por que me lembras do passado, hã?

          — Perdão, senhor.

          — Voltemos para a carroça, vamos seguir a viagem.

 

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