O Peso do Sobrenome.
Prólogo
O Rio de Janeiro de 1940 não era feito apenas de luzes, sambas na Lapa e a brisa do mar. Nas entranhas das grandes mansões, escondidas atrás de portões de ferro forjado e muros altos, viviam realidades que o tempo e o silêncio faziam questão de enterrar.
Dizem que o sobrenome de uma família é o seu bem mais precioso. Para os Herculano, o nome era uma muralha: um símbolo de poder, tradição e, acima de tudo, uma barreira intransponível entre os que mandam e os que servem.
Cristal era apenas uma dessas vidas que orbitavam o mundo dos Herculano. Uma moça de origem humilde, com mãos calejadas pelo trabalho e um coração que ainda não conhecia a maldade dos homens. Ela não buscava fortuna, nem títulos; apenas um lugar onde pudesse proteger a vida que crescia em seu ventre, fruto de uma promessa quebrada e de um abandono covarde.
Jorge, o caçula da linhagem, era o reflexo de tudo o que havia de errado naquela estrutura: um homem preso aos seus vícios, à boemia e à arrogância de quem nunca precisou conquistar nada. Ele era o príncipe mimado que não sabia o peso das escolhas que fazia.
O destino, porém, é um tecelão caprichoso. Ele decidiu que, para que um homem aprendesse o valor da honra, ele precisaria cair. E para que uma mulher encontrasse o seu verdadeiro lugar, ela precisaria primeiro enfrentar o inferno.
Esta não é apenas uma história sobre uma criada e um patrão. É uma história sobre como o amor, quando floresce em solo proibido, é capaz de derrubar as muralhas mais altas, curar as feridas mais profundas e transformar o mais perdido dos homens em um pilar de luz.
Abra este livro com cuidado. Você está prestes a entrar na Mansão Herculano, onde a dor deu lugar à redenção e onde, contra todas as expectativas, o sangue não foi mais forte que o afeto.