Sangue Azul

Sangue Azul

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Mermaid & Unicorn By MermaidAndUnicorns Updated a day ago

Pensava-se que a realeza tinha sangue azul. 
Eram gente tão superior e distinta que até no líquido que corre nas veias eram diferentes. Abençoados os de sangue azul, pensavam. 
Afinal, tudo se devia ao tom de pele mais claro por estarem sempre cercado de altas paredes, cobertos por tetos trabalhados e pequenas sombrinhas.
Mas e se alguém comum também tivesse sangue azul a correr-lhe nas veias?
A realeza, enfadonhamente repleta de regimes e etiquetas, foi e sempre será misteriosa.
Umas vezes, cumpre-se ao milímetro, quase roboticamente (se robôs existissem na época e permitissem comparação) cada regra - da mais simples à mais estupidamente complicada. Outras vezes, a realeza é injusta e escandalosamente mundana e todos fingem não ver: Traidores coexistem com amantes; amores fogem de amados; justiça agride o justiçeiro; grande caça menor; o certo é errado e o errado nunca foi tão certo. Nunca se soube realmente o que acontecia dentro daquelas paredes reais.
Porque os Reis têm tantas amantes?
Quem matou quem?
Será que ele a ama mesmo?
Chloe nasceu na realeza e sabia cada uma das regras que tinha de seguir. Habituada a conviver com a corte, conhecia bem em quem podia confiar e, se fosse mesmo astuta, perceberia que, ali, ninguém é digno de confiança.
Juliet nascera do outro lado do espelho. Sabia ao pormenor como puxar o lustre das pratas e como devia lavar os preciosos lençóis.
Tão presas. Tão livres.
Tão diferentes. tão iguais.
Uma história não assim tão comum sobre reis e reinados. E, se pensarmos mesmo no assunto, teria definitivamente acontecido algures, por esse mundo.