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"Nossa, cara. Você tá um lixo." Josh disse assim que entrou em meu
apartamento.

"Estou me sentindo melhor agora, valeu" minha voz era puro sarcasmo.

Fechei a porta e me voltei até o sofá, me jogando sobre o mesmo. Ouvi
Josh suspirar e se afundar na minha poltrona.

"Cade meu remédio?" perguntei com os olhos fechados.

Ele me ignorou e começou uma de suas palestras.

"Eu sei que deve ser dificil para você lidar com a perda de seu pai, mas você só está se afundando, faz uma semana que você não vai para a faculdade e não sai desse apartamento, que aliás, também está um lixo." Ele faz uma pausa antes de continuar.  "Você não pode continuar trazendo garotas para cá e as mandando embora no dia seguinte. Você acha que ele iria querer
isso?"

Eu afundei meus dedos na almofada atrás de minha cabeça. Josh
não poderia saber o que ele queria.

Josh não podia ler a porra de sua
mente. Aliás, ele estava morto.

"Que você se isolasse do mundo? Acho que nós dois sabemos a resposta, você só tem que parar de agir feito um
garotinho assustado. Você já é um homem, porra. Aja como um."

Josh era o tipo de amigo super protetor, eu admirava pra caralho essa caracteristica nele, mas isso me irritava profundamente algumas vezes.

"Eu sei."

É tudo que eu falo.

Não quero começar uma discussão, sei que ele está certo, mas não foi ele
que perdeu o seu melhor amigo, eu e meu pai éramos muito próximos, se
havia algum vestígio de bondade em mim, era por causa da forma que ele
me criou, completamente pacífica. Não me lembro de ele ter me batido, ou gritado comigo. Ao contrário da mulher que eu insistia em chamar de mãe, ela era o verdadeiro Diabo, em sua forma mais esnobe e fútil possivel.

Ouvi ele estalar a língua e se levantar.

"Você tem alguma bebida por aqui?" ele perguntou e eu quis dar risada.

"Esquece. E claro que você tem, é de Noah Urrea que estamos falando."
Abri os olhos e observei enquanto ele ia até a cozinha e voltava com uma
garrafa de cerveja em suas mãos.

"Vai rolar uma festa hoje de noite" ele comentou casualmente.

Eu fiquei em silêncio, o ignorando. Eu não estava no clima para
movimentação e barulho hoje.

"Da Sina, cara" completou com um sorriso malicioso em seus lábios.

"E daí?"

"E daí que ela é a garota mais gostosa da faculdade" seu tom de voz era
como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo e eu um idiota.

"Eu não costumo ficar com a mesma garota por mais de uma vez."
Liguei a TV e Josh praticamente engasgou com sua cerveja e me fitou
com os olhos azuis arregalados.

"Que inferno." Ele passou a mão pelo queixo, limpando o líquido. "Como
assim não repete?"

"É isso aí, cara" respondi observando o programa de culinária que estava
passando na TV, até que não era tão ruim assim.

"Só um maluco rejeitaria Sina Deinert!" ele exclamou indignado.

Sorri torto.

"Então devo ser um maluco" respondi dando de ombros e observando a
mulher da tevê cortando alguns legumes e jogando numa enorme panela com agua quente.

" Preciso de cafeína, vamos à cafeteria do Dimmy. As garçonetes de lá são
quentes como o inferno e eles ainda servem o melhor café da cidade."

𝐀𝐏𝐄𝐍𝐀𝐒 𝐌𝐀𝐈𝐒 𝐔𝐌𝐀↺𝐍𝐎𝐀𝐕𝐀𝐍𝐈Onde as histórias ganham vida. Descobre agora