Continuando o Contra-Ataque

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— Ártemis —

Minutos depois da explosão, Natto saltou no lago. A bomba fez a água subir e descer como um jato, causando um estrondo. Fale-me sobre coisas sem graça: aquela bomba podia ter mandado todos nós pelos ares. O que será que deu na cabeça desses caras do IPC? Desistiram de nos pegar vivos?

Bia abriu os olhos e viu nossas carinhas a rodeando. Na verdade, nós esperávamos seu despertar já fazia dois minutos. Ela estava encharcada, deitada sobre a grama, esboçando uma expressão boba. Olhou para nós fixamente e, quando se deu conta de quem éramos, seus finos lábios se alargaram.

— Bom dia, luz do dia — exclamou o Cavaleiro, também encharcado. Seus cabelos caíam sobre os olhos, fazendo-o parecer um surfista maluco. — Dormiu bem?

Bia respondeu com um som gutural, sentou-se na grama e surpreendeu o chefe com um abraço. Acho que os abraços dela eram os mais apertados e repentinos do mundo.

— Que bom — disse Natto, envolvendo-a de volta.

Eu e Équis nos entreolhamos. Aquela entreolhada do tipo "sorte a nossa que tudo deu certo no final".

— Que bom que você está bem, Bia.

Natto voltou a se emocionar, as sobrancelhas franzidas como daquela vez em que ele se distraiu ao ver Bia pela primeira vez no auditório. Eu já estava ficando curiosa para saber o motivo. Será que o Cavaleiro era tão emotivo desse jeito? Nesses cinco anos que convivi com ele, sozinha, não me lembro de uma vez sequer em que ele tenha me apresentando uma genuína expressão triste ou séria que não fosse durante o trabalho... ou quando falávamos do nosso passado.

— Eu vi pelo que você passou, Bia — continuou Natto, alisando o cabelo dela por trás. — Quando te toquei pela primeira vez, não sei o porquê, mas eu pude ver o que aconteceu com a sua família.

Bia permaneceu calada por um instante. Parecia estar se lembrando de algo. Eu tinha certeza de que, mesmo naquele estado, Bia nos entendia perfeitamente. Ela começou a balançar a cabeça pra cima e pra baixo e soltou uma risada, seus olhinhos brilhando. Tocou a mão do Cavaleiro e começou a apontar pra ele.

— Loirinho... — Acho que a escutei dizer.

Espera, eu a escutei dizer?

— Vocês ouviram isso? — perguntei, abismada.

Équis fez uma careta confusa. Natto balançou a cabeça.

— Acho que depois de um tempo — disse o chefe, fazendo um cafuné em Bia — a gente começa a entender nossa nova parceira.

Do outro lado do Instituto, nossa detetive favorita descia das colinas do planalto. Ray chegou, mandou seu batalhão acumular os corpos dos soldados e algemá-los, trouxe o esquadrão antibomba para verificar os prédios e, de quebra, ainda colocou o tal do Nevoeiro dentro de uma câmara de vidro. Eu não fazia ideia de onde é que surgiu aquela coisa: o que mais me intrigava era como em sã consciência o corpo de bombeiros tinha uma cápsula de vidro gigante de laboratório guardada em algum lugar. Fiquei pensando em como aquele cara iria respirar ali dentro, mas... que se dane. Ele se transformava em gás. Não devia precisar respirar, né?

Levamos Bia até sua cadeira de rodas e subimos o planalto para conversar com a Detetive Ray. Ela estava sendo entrevistada por alguns repórteres que chegaram depois da confusão. Ao redor, o mesmo acontecia com as pessoas normais. E claro, só não vieram atrás de nós porque pedimos com jeitinho que ficássemos em paz por um tempo.

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