13. Invisível pelo último dia. (Mike)

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Engatinhei sem vergonha, sem orgulho, sem pudor pelo asfalto, resvalei a mão no chão quente até chegar ao corpo morto. Eu não podia crer em um final pior. Qualquer um não seria tão ruim quanto não tê-la viva em algum lugar, mesmo sem mim. Acho que não respirei naqueles segundos, meu corpo estava em parada total. Puxei a ponta da lona com um medo absurdo de encontrar a infelicidade pra sempre. Já esperando na garganta um grito, eu vi de uma vez só o rosto.

E não era dela e, sim, do ator que eu imaginara ser o "ele".

Deixei-me cair sentado e levei a mão ao rosto. Entendi porque queriam me impedir: não era Jade. Mas, seria o outro corpo o dela? Antes que eu fizesse o mesmo movimento, ouvi uma voz atrás de mim e senti uma mão no meu ombro:

— A garota já está na ambulância. O outro rapaz era o irmão dele, que estava no banco de trás sem cinto. — O bombeiro apontou e eu recobrei o ânimo instantaneamente.

Corri para o veículo ainda aberto as portas.

— Sou o assessor dela! Eu sou da família — apresentei-me e os enfermeiros me olharam, liberando a passagem na porta.

Subi às pressas e a vi imobilizada da cabeça ao pescoço, já com soro na veia. Olhei todos os pedacinhos do seu ser e tive vontade de tocar em cada um para me certificar.

— Eu to aqui. Eu to aqui com você. Agora, está tudo bem. — disse perto do seu rosto de olhos fechados. — Eu te amo...

— Vamos partir para o hospital. — O enfermeiro informou.

— Preciso pegar a bolsa dela no carro — lembrei e eles piscaram. Acho que não acreditaram que eu pudesse naquele estado emocional pensar em tudo. Na verdade, eu sempre fui pago para pensar por Jade, agir, conduzir e mandar por ela.

Pulei para fora e fui até o veículo. De repente, notei que a ideia de mundo desabitado e silencioso da minha chegada fora só o foco que dei em Jade, havia muita gente e jornalistas já.

Eles filmaram tudo e nem sei como vou explicar meu ataque de paixão depois. Peguei seus documentos, conferi se seu celular estava dentro da bolsa e coloquei no ombro.

— Você é o namorado dela? — perguntou uma jornalista novata, que provavelmente não cobre celebridade, mas, casos policiais e de cidade.

— Ele é o assessor. — Gritou uma outra como se a chamasse de burra.

— Mas, ele disse que amava ela. — A garota rebateu.

— Hei, você sabia que a Jade estava te traindo? — Alguém gritou do bando de urubus munidos de microfones e blocos de notas. Eles são assim, podem fazer da sua vida uma refeição.

Abaixei a cabeça sem estar preparado pra explicar como Jade me traiu e voltei para a ambulância.

Dentro, sentado ao seu lado, sacolejando no caminho de muitas curvas rápidas, eu me mantive segurando a ponta dos seus dedos, como se me agarrasse a sua pontinha de vida.

Ela me traíra porque eu a traíra antes. Nada se justifica, mas, eu também não era inocente. Talvez, por isso, nós nos merecemos. E, mesmo que tivesse coerência nos vingarmos, isso ainda sim machucava. Deixei latejar aqui dentro em silêncio, um silêncio que eu precisaria quebrar para explicar por ela, falar por ela, argumentar por ela. Na verdade, por mim. Agora, eu estou envolvido na história e sai do anonimato.

Meu telefone tocou no bolso e não atendi. Sei que são eles querendo exclusividade do furo. Eu não estou pronto, eu ainda não sei quais as melhores palavras para narrar que a garota que eu amo estava num carro com outro carinha. Mas, o enfermeiro olhou-me com reprovação e peguei o celular.

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