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S I N A  D E I N E R T

— Não é possível!- bufei pela décima quinta vez depois de tentar ligar para Noah, ele não atendia por nada no mundo— você pode tentar pra mim?

— De novo?!- Sabina quase cuspiu todo o salgadinho de batata que comia.

Eu precisava de alguém para me ajudar, alguém que me desce um conselho e finalmente me ajudasse a decidir o que fazer. Como Any e Josh ainda estavam em Londres, Shivani não parava de trabalhar e todos os meus amigos sensatos estavam ocupados, Sabina foi a única que pode correr para a minha casa quando liguei.

— Por favor Sabi, eu preciso falar com ele!

Implorei novamente, fazia três dias que eu não sabia do Noah. Pensei várias vezes em ir lá e usar a desculpa de que eu queria ver minha afilhada, já que ela ficaria na casa dele até o final da semana, mas desisti. Eu tinha terminado, certo? Não fazia sentido ficar correndo atrás do Noah para... pedir ajuda. Era isso que eu queria. Queria que ele me dissesse de novo para ir morar em Nova York e voltar quando nosso filho estivesse para nascer. Quebrou meu coração, mas eu precisava ouvir novamente.

— Sina, senta aqui- ela apontou com a cabeça para o espaço vago no sofá, tirei suas pernas dali e me sentei— o que você vai falar pra ele?

— Que...- demorei para responder, isso fez com que a morena apontasse o dedo para mim.

— Está vendo? Nem você sabe. Amiga, pensa um pouco. Vocês estão separados, não faz mais sentido você ir até a casa do Noah pedir conselhos, entende?

— Mas ele...- suspirei e abaixei a cabeça— ele é meu melhor amigo, não consigo esquecer isso. E... ele prometeu que sempre estaria ao meu lado pra me ajudar. Eu preciso dele Sabi, muito.

Minha amiga correu para a cozinha, escutei a torneira sendo ligada e depois desligada. Sabina correu até mim de novo e me abraçou, deixando que eu deixasse a cabeça em seu peito enquanto ela acariciava meu cabelo.

— Escuta minha boneca, eu te entendo, você não é uma doidinha por causa disso- soltei uma risadinha— vai lá Si, Noah é o pai do seu filho, ele vai te entender. Mas... eu posso te falar uma coisa?

— Claro- limpei uma lágrima que escorreu do meu rosto e levantei a cabeça.

— Eu te amo, amo tanto quanto amo o Noah. Mas eu quero pedir um favor, para os dois- balançei a cabeça, afirmando que ela podia continuar— não brinque com ele, pode ser? Não brinque com vocês. Você pediu espaço, ele está te dando espaço, e isso pode ser o melhor para vocês dois. Tente não forçar as coisas, ok?

— Pode deixar- sorri fraco e beijei sua bochecha, constatei ali que foi sim uma benção Sabina ter sido a única que pôde me socorrer— obrigada.

— Sempre que você precisar- nos abraçamos novamente e ela beijou a minha bochecha.

[...]

Fiquei um completo minuto parada na porta da casa de Noah, sem coragem de bater. Ele não me atendia, então provavelmente não queria me ver. Por outro lado, eu precisava que ele soubesse o que eu estava sentindo. Ele precisava saber que não estava sendo fácil tomar uma decisão, não como ele estava pensando que era. E eu...

Eu precisava dele.

Minhas costas estavam doendo, a cada dia que passava meu bebê me cobrava mais. Eu estava cansando de ficar em pé, e quando meu vestido branco longo foi balançado por um frio vento de fim de tarde, toquei a porta sem nem perceber. Não tive tempo de me condenar pelo ato, ouvi algumas vozes abafadas e alguns segundos depois a porta foi aberta. Era Alicia, vestida somente com sua calcinha de joaninhas.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora