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Acordei— como de costume— sentindo o feto chutar minha pobre barriga. As dores estavam ficando cada vez piores, e tudo tendia a piorar. Nesses meses que me isolei de todos, aprendi a lidar com cada sentimento que o bebê me trazia. Aprendi que não ia adiantar ficando reclamando de dor, achar ruim minhas mudanças estranhas de humor. Eram coisas naturais, as quais eu precisei aceitar.

Minhas amigas, mesmo distantes, me ajudaram muito. Shivani me ensinou vários exercícios para aliviar dor, o estresse, já que está cursando medicina. Sabina se encarregava de me entupir de doces e chocolates, já que era a única coisa que me dava paz nos momentos de surtos. Outra coisa que eu comecei a fazer foi meditar de manhã, era maravilhoso, isso foi Noah quem me ensinou. Ele dizia que seu sonho era conseguir meditar de manhã, tive vontade de fazer aquilo, talvez pelo nosso filho.

Sentei no meio da cama e cruzei minhas pernas, coloquei minhas mãos na minha barriga e arrumei a postura. Respirei fundo, fechei os olhos e tentei limpar minha mente. Era difícil, já que eu só conseguia pensar em Noah na maioria das vezes. Imaginei várias vezes o meu filho ou filha, seu rostinho, nós dois juntos. Ou nós três, não sei. Meu celular apitou e eu saí do meu estado de relaxamento, li a mensagem de Shivani e levantei rápido da cama.

"Nour está nos esperando, te busco em vinte minutos!"

— Vamos lá pequena coisa- sorri olhando para a minha barriga- preciso de ajuda, preciso me arrumar rápido.
Eu realmente consegui me arrumar rapidamente, coloquei um vestido de alça preto longo e deixei meu cabelo solto. Saí do meu apartamento e encontrei Shivani na frente do prédio, a mulher era uma das que mais me apoiava, já que me ajudava a cuidar da saúde do bebê.

— Bom dia!- cumprimentei minha amiga depois que entrei no seu carro.

— E aí, animada pra saber qual é o sexo do bebê?- respirei fundo para conter a ansiedade e sorri.

— Muito, não consigo nem me aguentar- nós rimos— Shiv, você acha que... Noah vai estar lá?

— Eu acho que ele vai sim, com certeza. Ele não para de falar sobre o bebê de vocês, está muito animado com a ideia de ser pai. Até pediu ajuda pra Alicia, eles combinaram de escolher o nome do bebê- abri minha boca, chocada com tamanha traição da minha afilhada.

— Não acredito, que errado!- nós demos risadas e conversamos sobre possíveis nomes pelo resto do caminho.

Quando chegamos ao hospital, meu coração estava quase saindo pela boca. Eu já havia entrado no terceiro mês da gravidez, o tempo certo onde o sexo do bebê já estava definido. Essa era a menor das minhas preocupações, o fato de que o bebê podia não ter o pai tão presente era o que tirava meu sono. Eu com certeza deixaria Noah fazer parte da vida do nosso filho, isso era algo óbvio. Mas, e se ele não quisesse ficar perto de mim? Se ele não quisesse compartilhar as experiências comigo, fazer passeios ou...

— Sina?- olhei para Shivani, que me encarava preocupada— tudo bem?- balançei a cabeça afirmando e ela tocou meu ombro para me guiar pelo corredor branco da clínica— Nour já está esperando, ela vai ser sua obstreta. Ok?

— Ok- suspirei, nós entramos na sala e fomos recebidas por uma jovem médica.

Nour pulou dois anos na escola, foi a pessoa mais nova da sua turma quando ela se formou em medicina e era uma das obstretas mais procuradas pelas mães de São Paulo. Graças à Deus eu tinha amigos em cada canto da cidade.

— Vamos lá Sina. Pode deitar aqui, vou passar o gel na sua barriga e você vai olhar para esse monitor aqui, tudo bem?- a médica disse e eu concordei, deitei na cama e levantei minha blusa até a altura dos seios.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora