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"Querido Noah, eu sei que talvez você nunca mais queira olhar para mim, talvez me queira morta, não sei. Odeio pensar que você pode estar me odiando. Odeio lembrar o jeito que você me olhou quando eu fui embora do Brasil. Me desculpa por te deixar, pensei ser o melhor a se fazer. Vejo suas fotos no Instagram com o pessoal, seu sorriso ainda é lindo, como você. Sinto sua falta, muitas coisas aqui em Nova York me lembram você. A cidade é perfeita para tirar fotos, você adoraria. Eu adoraria te ter aqui. Ryan está bem também, não que você se importe ou queira saber, mas eu achei importante te contar. Eu sempre vou te contar tudo, e sempre vou confiar em você. Eu ainda te amo e sinto que sempre vou amar.

Com carinho, Sina."

Coloquei a última coisa do Noah dentro da caixa, junto com todas as coisas que eu juntei no último mês, inclusive a carta que eu escrevi quando ainda morava em Nova York, mas nunca tive coragem de enviar. Os enjoos se tornaram mais frequentes, eles me fizeram pedir um tempo do trabalho e passar a maior parte dos meus dias dentro de casa. Passar muito tempo comigo mesma, com a minha mente, nunca foi uma boa coisa para mim. Fiquei sem notícias de Noah na primeira semana, depois comecei a perguntar sobre ele para Josh e Any, já que Noah passava muito tempo com eles.

Eu sabia que uma hora ou outra ele iria querer conviver com o bebê, mesmo que ele ainda estivesse dentro de mim. Eu jamais tiraria isso dele, eu só precisava de tempo para aprender a ver Noah e não morrer de chorar. Eu chorava só em pensar nele, vê-lo então seria o meu fim. Minha vida começou a dar errado quando eu tomei minha primeira decisão séria na minha vida, dar as costas ao Noah foi o marco.

Quando tudo começou a dar errado.
Dessa vez eu não me sentia culpada por deixá-lo, eu estava triste, muito triste. As meninas vinham me ver de vez em quando, Heyoon marcou minha primeira ultrassom para daqui a alguns meses. Eu estava ansiosa. Meu filho, ou filha, era um dos meus únicos motivos para levantar da cama. O bebê não tinha culpa de nada, e estava me fazendo compainha de graça.
Eu amava aquela coisinha.

Quando dois toques na porta me fizeram despertar, senti meu coração bater mais rápido. Eu sabia quem era, mas mesmo assim não corri até meu quarto para vestir uma blusa, já que eu estava só de top e calça. Respirei fundo e apertei a maçaneta antes de abrir a porta para ele. Precisei me segurar para não rodear seu corpo com os meus braços, eu ainda estava triste com ele. Mas não consegui evitar sorrir, mesmo não recebendo um sorriso de volta.

- Entra- dei alguns passos para trás, deixando um bom espaço para que Noah entrasse.

Ele observou todo o meu apartamento, devia ter notado que eu tirei algumas coisas da decoração. No caso, eu quebrei algumas coisas da decoração, mas aquilo não era importante. Olhei para o sofá e quase tive um infarto, a caixa ainda estava ali, e eu desejei que ela não estivesse ali. Não me entendi. O combinado não era entregar aquelas coisas para o dono? E, de novo, ignorando todos os meus planos, peguei aquela caixa e a escondi atrás do balcão da cozinha. Tentei ser rápida o suficiente para que Noah não notasse, e acho que deu certo, pois ele não olhava para mim quando olhei para ele.

- Como você está?- perguntou olhando para o chão, logo depois de enfiar suas mãos no bolso do casaco azul.

- Bem. Estamos bem, na verdade. E você?- Noah balançou a cabeça negativamente, ainda sem olhar para mim- o que houve? Tem alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?

- Volte a ser nós- ele levantou o olhar para mim, só então percebi que ele estava chorando- nossa, eu achei que seria mais fácil encontrar com você depois de tanto tempo- riu sem humor.

- Eu também achei que seria mais fácil- andei devagar até o meu sofá, onde sentei com um pouco de dificuldade, meu corpo estava doendo e também estava inchado.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora