UMA DELÍCIA DE VIZINHA

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Depois de dois anos morando em Portugal por causa do mestrado, retornei ao Brasil devido a uma proposta de trabalho irrecusável numa cidade diferente de onde eu morava quando fui embora. Iria começar uma vida totalmente nova em 2016: emprego novo, apartamento novo e quem sabe uma namorada nova, já que estava solteira há três anos.

Com a ajuda de um amigo de um amigo, consegui alugar um bom apartamento em um prédio bem bacana, que possuía uma extensa área de lazer, com quadras de esporte, academia, salão de festas e até uma pista de corrida.

Como não tinha ninguém para me ajudar a arrumar meu novo lar, eu acordava bem cedo e dormia muito tarde colocando tudo no lugar. E, no final de dois dias inteiros, o apartamento estava do jeito que eu imaginei. Agradeci que ainda teria uma semana de folga antes de começar a trabalhar. Estava tão exausta após dois dias de trabalho, que passei o dia seguinte praticamente dormindo.

Descansada, acordei bem-disposta no outro dia e resolvi conhecer a academia do condomínio. Estava há dias sem malhar, devido à mudança que tomou muito do meu tempo. Vesti uma calça legging cinza, um top da mesma cor e uma camiseta verde. Calcei os tênis, amarrei meu cabelo longo num rabo de cavalo bem alto e saí de casa com uma garrafinha de água numa mão e uma toalhinha na outra.

Chegando na ampla academia do condomínio, encontrei apenas uma mulher correndo numa das esteiras. Simpática como sempre fui, olhei-a e, dando um sorriso em sua direção, cumprimentei-a com um bom dia.

— Bom dia. — Ela respondeu com a voz ofegante.

Subi na esteira do lado e comecei a andar para me aquecer um pouco. Não se passou nem cinco minutos, a mulher parou de correr, desceu de sua esteira e, pondo-se de frente para mim, perguntou:

— Você é nova aqui, não é?

— Sim. Mudei há quatro dias... — Respondi.

— Seja bem-vinda ao condomínio! Laura. — Ela falou estendendo a mão para mim, que continuava andando.

— Obrigada, Laura! Prazer, Milena. — Disse meu nome apertando sua mão macia.

Laura era uma mulher estranhamente bonita. Digo isso porque ela tinha olhos, boca e nariz grandes, mas que, no conjunto, deixavam-na com uma beleza bem interessante. Pelo menos, eu achei. Seu rosto era emoldurado com cabelos longos aloirados com mechas, que também estavam amarrados num rabo de cavalo. Ela usava um short colado não muito curto, um top e tênis. A barriga de fora chamava atenção de qualquer ser humano. Notei que ela devia dar muita importância à aparência, porque o corpo da mulher parecia esculpido. Tudo era proporcionalmente benfeito.

— E você faz o que da vida, Milena? — Ela indagou passando sua toalhinha pelo pescoço suado.

O gesto não passou despercebido por mim, que tentei me concentrar na pergunta e respondi:

— Sou jornalista.

— Sério?! Eu também! — Laura disse com empolgação. — Quer dizer, fui. — Ela revirou os olhos.

— Como assim? — Perguntei com curiosidade, diminuindo a velocidade da esteira, que estava quase parando.

— Estou sem trabalhar há uns cinco anos. Tive filhos, dei uma parada e acabei não voltando ao mercado de trabalho.

— Sei como é... — Resumi a dizer.

— Você também tem filhos?

— Não! — Sorri. — Disse que sei como é, porque entendo a situação, não porque já tenha passado por isso.

— Ah! Mas você é casada? — Ela me perguntou.

— Também não. Solteiríssima! — Sorri outra vez.

CONTOS ERÓTICOS LÉSBICOS - Livro IVOnde as histórias ganham vida. Descobre agora