A GAROTA DO ÔNIBUS

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Todos os dias eu ia para a faculdade e voltava para casa de ônibus. A trajeto era relativamente longo, já que a universidade onde eu estudava se localizava em um bairro mais distante. Quase sempre o ônibus estava lotado. Quase sempre eu encontrava uma garota encantadora que, quase sempre, estava de vestidos floridos. Quase sempre ela estava com livros nas mãos e uma bolsa pendurada no ombro. Mas, sempre, eu a olhava com desejo.

Numa das primeiras vezes que a vi, percebi que o seu itinerário era ainda mais longo do que o meu: ela sempre estava no ônibus quando eu o pegava e ainda permanecia quando eu descia. Já entrava no ônibus à sua procura. Mas tinha dias que não a encontrava e parecia que a viagem ficava ainda mais demorada.

Quando ela estava no ônibus, eu percebia que ela me olhava de relance, enquanto procurava um lugar para sentar ou ao menos me segurar. E nas vezes que me via com o olhar fixo nela, ela rapidamente desviava e eu via timidez em seu semblante, o que me deixava ainda mais atraída por ela. Apesar de algumas trocas de olhares, eu nunca tinha tido coragem de me aproximar dela.

Certo dia, muito tempo depois da primeira vez que eu a vi, peguei o ônibus e ele estava particularmente mais lotado do que o de costume. Encontrei-a em pé no corredor do ônibus. Criei coragem e parei próximo a ela. Nossos olhares acanhados se encontraram depressa. Apesar de nossos braços se roçarem com o balançar do ônibus, não nos olhamos mais durante o restante da viagem. Ficamos sentindo apenas os leves toques da pele dos nossos braços. Quando dei sinal para descer, passei por ela e, propositalmente, encostei meu corpo no seu bem devagar.

No outro dia, lá estava ela no mesmo lugar e tudo se repetiu. Fiquei próxima a ela, relanceamos nossos olhares uma para a outra e o único contato entre nós se deu pela pele dos nossos braços. No entanto, dessa vez, eu sorri e ela retribuiu. Quando fui ultrapassá-la para descer, bati de propósito meu livro em seu braço e sussurrei quase em seu ouvido:

— Desculpa.

Ela olhou para mim sorrindo e disse:

— Não foi nada.

No dia seguinte, tudo se repetiu outra vez: sorrisos... olhares... e braços se tocando...

Em determinado momento, soltei minha mão para ajeitar meu cabelo e quando voltei a me segurar no encosto da cadeira de novo, minha mão pousou em cima da dela. Retirei-a depressa e falei, olhando-a de soslaio:

— Desculpa.

— Não foi nada. — Ela disse.

Em outro dia, um vendedor de balas passou por ela com tanta pressa que a empurrou por cima de mim e eu aproveitei para segurá-la pela cintura. Ela acabou encostando a boca na minha blusa, sujando-a de batom.

— Desculpa. — Ela falou enrubescida.

— Não foi nada. — Eu disse sorrindo.

Depois das trocas de sorrisos, de olhares, de termos o mesmo diálogo por três vezes e dos inocentes contatos de braços, a garota desconhecida não me saía da minha cabeça. Não sabia nada sobre ela, nem ao menos o seu nome, e isso me fazia desejá-la ainda mais. Até sonhei com ela algumas noites. Algumas dessas vezes, acordava pulsante e só conseguia voltar a dormir quando me tocava pensando nela. Até durante as aulas ela me vinha à cabeça, me excitando inapropriadamente.

Nos dois dias seguintes, não a vi quando peguei o ônibus, o que me deixou bastante frustrada. Passei as viagens olhando para quem entrava na esperança vã de ela subir a qualquer momento. No dia seguinte, assim que subi no ônibus, meus olhos a encontraram e meu corpo todo pulsou forte. Quando estava andando para me aproximar dela, a pessoa que estava sentada na cadeira do corredor saiu e ela se sentou.

CONTOS ERÓTICOS LÉSBICOS - Livro IOnde as histórias ganham vida. Descobre agora