10 - Cupido

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Wanessa

Minha vó chamava de "síndrome da perna irriquieta", quando eu ficava balançando a perna sem parar caso estivesse ansiosa com algo. No caso, dessa vez, não era eu a surtada, mas sim o Dani.

Como estávamos em semana de provas, só podíamos usar o período da tarde para estudar e fazer o que quiséssemos no tempo livre até dar a hora de ir embora. O meu plano, naquele dia, era ficar na biblioteca e tirar um cochilo, já que a gente foi dormir mega tarde na noite anterior. Na volta do aeroporto, nós passamos numa hamburgueria que foi um sonho depois de ter jantado no aeroporto; e até terminarmos de comer e fazermos a digestão daquele bolo de cenoura, além de nos arrumar para deitar... acho que tive só umas 3 horas de sono.

Além do mais, eu estava ficando com ansiedade alheia só de ver o Dani olhando pro relógio a cada 30 segundos.

O motivo do nervosismo dele era um mistério pra mim, e pra falar a verdade, quem deveria estar mais nervosa era eu — afinal, meu pai tinha ido viajar na noite anterior e eu estava dormindo na casa de um colega pela primeira vez desde o 4° ano, quando a Raissa fez uma festa do pijama no aniversário dela.

— O que tá pegando? — Tentei perguntar pro Dani, mas não tive sucesso em conseguir uma resposta satisfatória.

— Algo ótimo vai acontecer. — Ele falou todo misterioso, e então se virou para a Milena; os dois trocaram um risinho cúmplice que me fez franzir a testa.

Sei.

Não deu pra especular muito, já que assim que o sinal tocou, não pude nem guardar minhas coisas, porque Daniel pegou minha mão e pediu pra que eu o seguisse — o que era inevitável quando se está sendo arrastada pela escola. Não tive a menor chance de protestar.

Saímos da sala de estudos no 5° andar e ele chamou o elevador, disse que era para evitar a fadiga. Não fez muito sentido, porque depois que descemos, ele me levou até lá no Marinho, que é Longe Pra Cacete; fomos pro 1° andar, onde ficam as salas de artes e onde os clubes se reúnem. No dia da enchente, essas salas foram parcialmente destruídas, mas como a escola é particular, logo tudo foi reposto. Meu pai mesmo doou um piano novo.

— Você não ia ensaiar com a sua melhor amiga hoje? — Perguntei no deboche mesmo, porque agora Daniel e Jennifer eram BBFs demais pro meu gosto, ao ponto de eu achar que aquele peste estava me traindo. Ele só deu uma risadinha indecifrável que me deixou com mais suspeitas.

Dani parou de repente, mas como eu estava no embalo dei mais alguns passos, parando de frente pra porta aberta da sala de música em que Jennifer esperava... alguém? Ela estava de costas, mas eu a conhecia muito bem, não era nem necessário ela se virar do jeito que virou, como se fosse uma cena dramática de série adolescente, jogando o cabelo e sorrindo com a covinha na bochecha esquerda.

[PAUSA] As coisas que nos escolhemOnde as histórias ganham vida. Descobre agora