Memórias

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Pov. Nico

Já fazia alguns dias desde que fui resgatado daquela dannazione de vaso, mas mesmo assim eu estou exausto.

Está na hora do jantar no Argo II mas não tenho cabeça para comer, mesmo repetindo isso vi o sorriso carinhoso de minha irmã tentando me convencer a me juntar aos outros tripulantes.

-- Nico você precisa comer, não pode se esconder de todos e ainda está fraco.-- disse ela timidamente.

Por um momento reconheci minha mãe nos olhos dourados de Haz.

" -- Il mio angelo nero avete bisogno di mangiare.
[ Meu anjo negro você precisa comer ]

-- Solo se si ottiene me fuori di quella scuola
[ só se a senhora me tirar daquele colégio]

Maria me olhava com seus belos poços negros cheios de bondade mas eu só distinguia em seu rosto as marcas da exaustão e preocupação mascaradas.

-- Sono la mamma dispiace, non ti preoccupare.
[ Me desculpe mãe, não se preocupe. ]-- e eu ia comer.

Eu sabia que não era fácil ser mãe solteira naquela época e a respeitava muito para seguir conversa."

-- Okay Haz estou indo -- declarei por vencido saído lentamente da cama e me dirigindo ao refeitório em sua companhia.

A refeição seguiu - se em silêncio até que Piper mencionou o nome de Annabeth e uma conversa com vozes embargadas começou, não ouvi o que diziam pois estava perdido em meus próprios pensamentos e na realidade eu não queria escutar pois ainda via Percy pendurado na beira do precipício me encarando todas as vezes que olhava para baixo, mas como filho de Hades eu podia sentir o clima de luto que se alastrava. Logo que terminei de comer agradei o braço de minha irmã e fui para a enfermaria não antes de ver o brilho de seus olhos se transformando em lágrimas em meio a conversa.

Desde que Parcy e Annabeth caíram no tártaro as conversas são sempre assim, doloridas, e os poucos risos que se ouviram foram causados pelo Valdez, porém ele próprio com sua pinta de palhaço andava mais quieto, todos estavam preocupados com ele, mas eu já esperava desde que fui resgatado notei que o latino tinha uma aura de dor por trás de suas piadas.

Em fim me deitei em uma maca.

A noite passava lenta, e toda vez que eu fecho os olhos vejo o tártaro e sua profundidade de horror.

Desistindo de dormir fui até a beirada do navio e encarei os domínios de Poseidon no escuro, Percy. ..

Já havia desistido do garoto, sabia que ele tinha Annabeth e gostava dos dois demais para prolongar aquele amor não correspondido, mas aqueles olhos verdes.

São parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes dos do David, enquanto os do Percy são divertidos mas indomaveis assim como o mar em um dia de sol os de David eram indecifráveis mas frágeis como a mais rara das esmeraldas. David. ..

" Lembro da primeira vez que vi o mar, foi em uma tela do loiro, mesmo criança ele era algum tipo de prodígio em arte e como viajava muito, acabou pintando um quadro de uma praia onde a água batia devastadora em algumas rochas, ao mesmo tempo que lambia calmamente a areia do outro lado da praia. Ele me entregou como presente em um final de tarde em nosso esconderijo secreto.

-- dipinto per voi mai dimenticare che il mare è imprevedibile, ma è imprevedibile, che garantisce una sola vita, il mio angelo
[ pintei para você nunca se esqueçer de que o mar é imprevisível, mas é o imprevisível que nos garante uma vida única, meu anjo ]

Somente Zeus sabe o quanto eu sorri naquele dia "

Sem notar lágrimas rolavam em meu rosto contorcido em um sorriso bobo e se afogavam ao mar.

-- Tudo bem D ' Angelo? -- disse uma voz impassível atrás de mim.

Senti um arrepio em minha nuca e quase caí do navio tentando me virar.

Esse capítulo foi muito melancólico, eu sei mas vale dar uma olhada nos próximos ;)

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