9 - Surpresas

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Hugo

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Hugo

Parte da banda MARCHA precisaria sair mais cedo por motivos que Luciano não conseguiu me explicar direito, o que queria dizer que Wanessa viria para nossa casa na quinta-feira ao invés da sexta. Em teoria, ela ainda poderia ficar na casa da avó, mas Lu e eu combinamos algo sem que as crianças soubessem.

Quando saí com Dani da escola dizendo que teríamos que ir pra Penha ajudar a preparar os legumes pro jantar de aniversário do meu pai, ele nem questionou; afinal, era algo normal que fazíamos todo fim de ano, e algo que ele não costumava fazer para os aniversários dos avós porque nós raramente estávamos no Brasil nessas épocas.

Nós enfrentamos o trânsito do fim da tarde para atravessar a cidade e picar batatas por algumas horas. Minha cunhada assou um bolo de cenoura — que era sua especialidade — a mais para levarmos pra casa e deixou Dani e as meninas limparem os potes e panelas com dedos e colheres.

Era bom ver meu filho tendo mais contato com os primos assim. Antes, confesso que fui um pouco egoísta, me mudando de cidade em cidade, levando Dani comigo, mas (entre outras coisas) era minha profissão e eu sentia que deveria ir onde valorizavam meu trabalho — não importa quantas vezes o Taisson disse que era melhor eu me acomodar com meu diploma da educação física e ficar por aqui.

Como meus irmãos era muito mais velhos que eu, eles adoravam me aporrinhar com o papo da Experiência, mas eu sempre soube que o certo era traçar meu próprio caminho. Foi assim que terminei com um filho a tiracolo e no fundo eu acho que eles sabiam que eu só faria o que eu queria. Eles aporrinhavam, mas não entravam no meu caminho. Respeito, o nome, o que, para minha família, gerava um balanço estranho.

Quando a gente vinha pra Penha assim, que nem desta vez, Taisson e a esposa, Aurea, se sentiam confortáveis em nos receber, e eram relutantes em nos deixar ir. As crianças se davam muito bem, eles diziam. Era incrível em muitos aspectos, porque Cecilia e Daniel eram os tipos de primos 8 ou 80 e eu não tinha certeza se todo mundo na família tinha reparado neste detalhe.

Pelo menos quando tinha comida envolvida e eles podiam dar uma mãozinha em grupo, como era o caso nos jantares de família, e eles se bicavam um pouco menos, o que era um consolo.

— Sabe que Cecilia não gosta dessa Wanessa, né? — Aurea comentou depois do jantar, enquanto estávamos na sala esperando o bolo esfriar para podermos levar pra casa.

Dei de ombros.

— É rixa de criança por causa do esporte. — Expliquei. — E ainda rixa de segunda mão, porque o problema de Ceci é com a amiga da Nessa.

— Mesmo assim, vocês acabaram de conhecer a menina e...

— Deixa ele, Aurea. — Taisson interrompeu se metendo no assunto. Nem parecia que ele estava prestando atenção, porque tinha um jogo de basquete passando na TV, mas ainda assim... — tentando impressionar o crush. É assim que falam, né?

[PAUSA] As coisas que nos escolhemOnde as histórias ganham vida. Descobre agora