- Sua vadia do caralho! Engole essa rola que eu vou te encher de porra!

Não pude conter minha careta enquanto encarava o vídeo que passava no notebook, posicionado na mesinha de centro, enquanto nós nos acomodávamos no sofá da sala do nosso apartamento.

Eu me sentia uma intrusa em meu próprio ninho. Estava com os joelhos encostados um no outro e sentada quase à beira do assento, sem conseguir relaxar. Não conseguia tirar o olho da tela, mas eu estava mais horrorizada do que qualquer outra coisa.

Estávamos assistindo ao vídeo por uma meia hora, ao que me parecia. E, durante todo aquele tempo, a mulher estava chupando o pau do homem. Meia hora. E ele nem um carinho nos peitos dela tinha feito.

Bruno, ao meu lado, era o meu completo oposto. Ele estava esparramado no sofá com um sorriso convencido e acariciava sua ereção por cima da calça. Parecia muito contente consigo mesmo, e os dedos que ele passava em minha coluna me levavam a acreditar que esperava que estivéssemos indo seguir o mesmo caminho do vídeo.

Senti os lábios de Bruno se aproximando, mas a repulsa e o nervosismo provocado por aquele absurdo de vídeo me fizeram sacudir a mão no ar e afastá-lo enquanto eu caía de bunda no chão.

Ótimo, Rebecca. Parabéns.

- Que foi, gata? - Bruno logo levantou as sobrancelhas para mim. - Meu vídeo não te excitou?

Não, Bruno. Nem um pouco.

- Ah, bom... Eu... - as palavras ficaram na minha garganta e eu acabei dando de ombros.

- Eu devia ter adivinhado.

O quê? Que você produz vídeos ruins e machistas? Devia sim.

Ele se levantou, fechou o notebook, me fazendo suspirar aliviada, e, então, rodeou o sofá, passando a mão pelos cabelos. Em quatro anos de namoro, eu o conhecia o suficiente para perceber que meu alívio iria durar muito pouco. Quando ele parou e balançou a cabeça negativamente, apenas engoli em seco.

- Como vou ficar com você, Rebecca? - inquiriu. - Como eu, um produtor de vídeos eróticos, posso namorar com a garota mais frígida da cidade?

Ei. Quem te ensinou essa palavra difícil?

- Frígida? - estava completamente embasbacada. Na minha cabeça, a pergunta continuou: produtor de vídeos eróticos? Ele, no máximo, montava o cenário. E isso nem era tão difícil.

- Frígida, sim - resmungou. - Ai, Bru, não vou engolir seu gozo não. Ai, Bru, por trás dói. Ai, Bru, cuidado pra não rasgar minha calcinha. Que saco, Rebecca!

Tá. Eu podia mesmo ter dito todas essas coisas. Podia. Mas que saco dizia eu! Eu nem lembrava mais quando o produtor de filmes eróticos tinha me feito gozar pela última vez. Por que eu tinha que ajudar ele sempre?

- Ah, cala boca, Bruno!

Levantei-me em um pulo e, na raiva, acabei por chutar o sofá sem querer. Fiquei com mais raiva ainda.

- Quer saber de uma coisa, Becca?

- Não! - interrompi - Quer saber de uma coisa você, seu imbecil! - gritei, bufando pelas ventas. - Frígida? Frígida? Você não pode chamar uma mulher de frígida só porque você não consegue fazê-la sentir prazer, babaca. Isso é incompetência sua! Porque minhas mãos, amor, elas me levam mais longe que você!

Bruno estava estático, olhando para mim como se eu tivesse sido trocada por um alienígena enquanto ele piscara. Tomei uma lufada de ar e segurei meu forninho. Eram quatro anos de relacionamento sério que eu iria jogar para o ar, provavelmente de cabeça quente, mas não pensava que iria me arrepender.

- Chega. Estou indo pra minha tia. Quando eu conseguir um lugar pra ficar, venho pegar minhas coisas - anunciei.

Atravessei a sala, pegando minha bolsa e minhas chaves em cima da mesa da cozinha, onde eu as havia abandonado quando cheguei do trabalho. Achei que ele ainda estavesse tentando entender o que havia acontecido quando eu encostei minha mão na maçaneta.

- Pegar suas coisas? - questionou, confuso.

Apenas virei meu rosto para ele, para encarar seu descrédito em minha decisão louca e completamente impulsiva.

- Acabou, Bru - expliquei, como quem fala com uma criança. - Você não entende o que é um clitóris e também não consegue identificar um pé na bunda? Estou terminando com você. E veja se aprende a fazer uma mulher gozar. Vai te ajudar com seus filmes e no seu próximo relacionamento.

E antes que ele pudesse dizer alguma coisa, lá estava eu, saindo desvairada do apartamento que dividíamos há quase dois anos, com a respiração alterada e o coração acelerado.

Meu deus. Eu terminei com o Bruno!



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