Cavaleiro vs Nevoeiro

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— Capítulo 13 —

          Natto se virou e deu de cara com as pontas de fuzis apontadas em seu rosto. Certamente, se disparassem, ele se tornaria uma peneira, e a resistência anormal de Cavaleiro não lhe adiantaria de nada. Poderia apostar que queriam capturá-lo vivo e que a munição não era "tão letal", mas, naquele instante, duvidava até mesmo de que sua superagilidade pudesse resolver os problemas.

          — Chefe! — gritou Ártemis, correndo para trás de um pilar. Do outro lado, Natto fizera o mesmo enquanto os soldados começavam os disparos. As balas estouravam nas paredes, causando estalidos. — Eu tenho um plano para sair dessa. E sem discussões dessa vez. Eu vou saltar e eletrizá-los, daí, então, você vai me transformar.

          — C-Certo. — Natto não conseguia pensar muito bem desde que o ataque começara, mas os baques, um em seguida do outro, branqueavam sua mente. Estava com dificuldades para se localizar, ainda mais quando pensara estar tão seguro com as crianças no auditório. Será que havia mais deles esperando lá fora? Onde estarão os outros? De onde eles vão sair dessa vez, caramba?

          E Ártemis sabia enxergar muito bem aquela minúscula hesitação do Cavaleiro. Ela via que ele suava e esboçava um semblante pálido, e sempre que Natto se sentia desorientado, a Garota Elétrica precisava tomar as rédeas da situação. Sem hesitação ou medo, pois ele nunca chegaria até ali sem ela. E nem ela, sem ele. Havia muito em jogo para que perdessem a guerra contra o IPC agora, e Ártemis sabia disso.

          Ela escorregou no assoalho encerado, parou no meio dos dois pilares e bateu com a palma da mão no chão. As faíscas azuis pularam, crescendo da madeira, e marcaram o chão de negro. Lá na frente, um grupo de soldados gemeram e caíram, contorcendo-se com o choque.

          O corredor em que a batalha ocorria era largo, duas portas de cada parede. Quando um grupo, mais atrás do primeiro que fechava a entrada do corredor, apontou os fuzis em Ártemis, Natto a transformou. Aquele modelo de ataque parecia funcionar bem entre eles, o que revelava o entrosamento de ambos. E, mesmo com tal química, Natto ficava assustado com a possibilidade de que algo pudesse separá-lo da Garota Elétrica. Os dois tinham um longo tempo juntos e certamente teriam mais, se não fosse o perigo atrapalhando...

          Depois de derrotar o segundo grupo, o Cavaleiro rapidamente desfez a transformação da Espada. Voltando a sua forma humana, Ártemis quase fora atingida por um soldado que abriu bruscamente uma das portas e disparou. Natto percebeu o perigo e se jogou em frente a ela, recebendo o tiro no braço. Eram coisas como aquela que ele temia: querendo ou não, Ártemis não tinha a mesma força que ele.

          — Desgraçado! — A Garota Elétrica conduziu seus elétrons na parede e fritou o inimigo, esboçando uma careta raivosa. Ela olhou pra Nato, docilmente, e o apoiou no ombro. — C-Chefe, você está bem?

          — Sim. Estou sim, baixinha, mas volte para sua forma de Arma. É muito perigoso... Aaaaah.

          — Calma aí, grandão. — Ela o levou rapidamente de volta às costas do pilar. Pegou uma pinça no bolso do sobretudo e retirou a bala cuidadosamente enquanto Natto apertava os olhos por conta da dor excruciante. Ártemis já estava acostumada a fazer aquilo. Ela tirou o próprio sobretudo, ficando apenas com uma regata preta que mostrava seus bracinhos delicados. Pegou o traje, embolou-o na mão e o ajustou como uma compressa na região que sangrava em Natto e que ele sentia arder para caramba até nos ossos, feito uma dormência dolorosa. Gemendo, ele encostou na parede, aliviado, sorriu e agradeceu aos cuidados da médica. Dali em diante, era só esperar o tempo curar a ferida.

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