Capítulo 2

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"Eles sabem". Ele pensa. "Merda, eles sabem". Ryan se senta nas escadas do lado de fora esperando por Trey e Bri para eles caminharem para a escola juntos. "A Bri não vai contar pra ninguém, ela disse que não ia contar pra ninguém". Ele vê os dois virando a esquina e pula das escadas em direção a eles.
- Eu juro de dedinho que não vou contar pra ninguém. - ele ouve Bri dizendo.
"Ela não vai contar pra ninguém". Ele continua repetindo mentalmente, até alcançar Trey e Bri.
- Ryan, você sabe que eu não vou contar pra ninguém, né? - ela pergunta - Quer dizer, - ela para. é como se ela estivesse debatendo sobre como terminar a frase. Ela balança a cabeça como se estivesse dispensando um pensamento e continua - eu juro que não vou contar pra ninguém, só tomem cuidado. Eu não quero que aconteça nada com vocês. - Ela coloca os braços ao redor dos garotos - Eu não sei o que eu faria.
Eles passam pelas portas da escola e Bri avista Niccola no armário dela.
- Vejo vocês na aula de história! - Ela diz enquanto corre até o armário de Niccola.
- Viu, eu disse que a gente podia confiar nela. - Trey afirma.
- É, acho que vocês tinham razão, mas e o Tuck? Ele só saiu correndo depois que viu a gente e eu não vi mais ele desde então. - Ryan dá uma pausa e olha ao redor para ver se ninguém estava prestando atenção. Ele abaixa o volume da voz para um sussurro - Cê acha que ele, sei lá, contou pro pai dele ou algo do tipo? Ele não é um dos comandantes-chefe?
- Não sei. - Trey responde - Mas parece tudo bem até agora, então eu não acho que ele tenha contado pra ninguém, nem pro pai. De todo jeito, a gente ainda pode perguntar pra ele na aula de história.
Os corredores começaram a se esvaziar assim que o sinal tocou anunciando o começo das aulas.
- Te vejo no próximo horário. - Trey diz enquanto entra para a sala de matemática.
- Te vejo no próximo horário. - Ryan responde.
Ele caminha até a sala de ciências e até sua carteira. Ele ainda não sabe se confia completamente na Bri ou no Tuck, ele só não consegue se livrar da sensação de que vai dar errado.

Tuck
Tuck encara o relógio, aguardando o término do primeiro horário. "Só mais 5 minutos". Ele se deixa levar pelos pensamentos, já que nunca gostou de Português. Ele é submergido por seus pensamentos sobre ontem, enquanto mentalmente se retira da sala. "Eles acham que eu contei pro meu pai. Eu tenho que contar pra eles que não". Ele confere o relógio de novo. "4 minutos, 4 minutos até a aula de história e daí eu posso contar pra eles". Ele pausa por um segundo, sabendo o que estava por vir, mas tentando reprimir aquilo. Tentando esquecer. "Talvez eu possa contar pra eles como eu me sinto. Não, não e não. Você não sente nada". Ele resiste, tentando ignorar, tentando fazer aquilo desaparecer. "Talvez eu possa contar pra eles que eu sinto que esse não sou eu, como se eu não me sentisse como eu mesmo". Ele estava tão absorto em seus pensamentos que ele estava enfiando os dedos nas têmporas. "Você tá imaginando coisas. Para. Os pensamentos continuavam vindo. Eles vão te levar. Eles vão te matar". Ele negou os pensamentos de novo e de novo, mas ele sabia que lá no fundo ele não estava imaginando coisas. "Só conta pra eles que você quer ser uma garota, conta pra eles que você devia ser uma garota. Sua cabeça está a ponto de explodir. NÃO!" O sinal toca e ele pula na carteira, seus pensamentos param de vir. Uma dor sobe para sua cabeça e ele tira as mãos, percebendo o quão forte ele estava apertando. Ele enfia os livros na mochila enquanto sua cabeça lateja e corre para o corredor a caminho da sala de matemática.
Tuck entra na sala de história e olha ao redor até achar Bri, Trey e Ryan cochichando. Ele chega perto deles.
- Eu não contei pro meu pai - ele diz.
Um leve sentimento de alívio percorre seu corpo como se um peso no seu peito houvesse sido removido.
- Ah, ok. Isso é bom. - Ryan diz, com um pouco do medo saindo dele também.
- É, obrigado, - Trey acrescenta - mas, tipo, por quê?
Tuck olha ao redor. Quase todo mundo já está na sala, sentados em seus lugares ou em grupinhos.
- Tem muita gente aqui. - Tuck responde. - Vocês têm alguma coisa depois da aula? A gente pode se encontrar na pista de skate e conversar lá.
- Não, tem muita gente lá, - Bri observa. - vamos nos encontrar na costa do lago perto da ponte, nunca tem ninguém lá
- Ok, lá é melhor. Tá bom pra todo mundo? - Tuck pergunta.
- Aham. - Trey e Ryan dizem ao mesmo tempo.
- Ok, então na costa do lado perto da ponte às 4. - Tuck conclui, com a voz tremendo um pouco.
-Bom dia, turma - Prof. Laurens anuncia sua chegada na sala.
Os quatro se separam, movendo as carteiras. Eles não conversam novamente até se encontrarem no lago, mas durante a aula eles trocam olhares nervosos, não tendo ideia de que se esperar ou que segredos logo seriam revelados.

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