7 - Histórias

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Daniel

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Daniel

Por mais que eu odiasse não me concentrar na escola, especialmente na semana logo antes das provas, não saiu da minha mente as mensagens que Wanessa tinha me mandado pedindo pra ranquear as meninas. Ela fez uma pergunta tão estranhamente objetiva que me deixou completamente bugado, e passei a maior parte do tempo me segurando para não perguntar o que significava; o outro resto de tempo foi efetivamente perguntando.

Não deu certo, porque a Wanessa, descobri, era ótima em manter a boca fechada. Quer dizer, até hoje ela não tinha me dito se a palavra chave da música nova da MARCHA era mesmo "progressão" ou não. Ficava difícil acreditar que alguns a chamavam de fada do spoiler, já era hora do almoço e ela ainda não tinha dado nenhuma dica — nem sobre as mensagens, nem sobre a música.

— Tudo que estou dizendo, — Falei pela milésima vez passo a passo atrás dela na fila da merenda, tentando convencê-la. — É pra você me contar porque perguntou.

Inabalável, Nessa estendeu seu prato para a merendeira colocar um pouco de legumes; ela resmungou sobre algo que estava de mais e depois sorriu contente, mas não vi o que era.

Nós ficamos pra trás no almoço porque eu a segurei pra perguntar (de novo) sem as meninas por perto. Estendi meu prato também e quando a merendeira encheu a colher de vagem, fiz uma careta, puxando o prato pra perto de mim. Só estendi de novo quando tinha mais cenoura e batatas.

— E tudo que estou dizendo, — Wanessa respondeu esperando por mim ao lado do suco. Nós escolhemos o de laranja e passamos pra sobremesa (gelatina colorida). — É pra você confiar em mim. Eu sei o que estou fazendo, mano, relaxa.

Ela andou na frente até a mesa onde estavam Hannah, Milena e Nathila e sentou de frente para elas. Eu sentei ao seu lado.

— É meio difícil relaxar quando se está preocupado.

— Preocupação? — Hannah perguntou, inclinando a cabeça pro lado intrigada. Fiz que sim e ela me repreendeu. — Basta a cada dia seu próprio mal, Daniel.

Wanessa concordou.

— Escuta a sábia Hannah, ela é a mais velha do grupo. — Nessa disse com seriedade e dei uma risadinha.

Organizei minha comida, deixando o suco ao alcance da mão direita, a sobremesa à esquerda e depois colocando sal na salada antes de abrir a garrafa de suco para começar a comer. Quando olhei pra frente, vi que Hannah estava me encarando. Será que ela ficou brava porque eu ri? Ela era um pouco assustadora.

Seus olhos foram de mim pra Wanessa e de volta pra mim conforme ela mastigava devagar. Tentei disfarçar e cutuquei minha comida, misturando a farinha com o arroz e feijão antes de acrescentar a carne; eu estava empurrando as vagens pro canto do prato quando ouvi Nessa resmungar com seu jeito dramático.

[PAUSA] As coisas que nos escolhemOnde as histórias ganham vida. Descobre agora