Capítulo 1

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Niccola
"Tem alguma coisa errada", Niccola pensa enquanto olha para a foto da família na mesa. Ela olha para si mesma, em pé entre sua mãe e sua irmã. Seu cabelo castanho afro e olhos cor de avelã são iguais aos de sua irmã. Se a irmã fosse mais velha, elas pareceriam gêmeas. Ela olha de novo para a foto e algo ainda parece errado. Ela sabe que quer uma família, mas toda vez que ela olha para aquela foto e tenta se ver no lugar de sua mãe com um marido e filhos, só não parece certo. Não são as crianças. Ela ama crianças, e a vida toda ela sempre quis ter. Mas quando ela se imagina com um marido, ela não se sente feliz. Mas isso é loucura. Toda mulher encontra um marido algum dia, é assim que funciona. "A menos que", ela começa a pensar em uma coisa, mas logo inibe esse pensamento. "Não, isso é loucura, é errado. Você vai achar um marido". Ela repete isso umas 10 para se convencer de que é verdade, mas ela simplesmente não consegue tirar essa sensação. A sensação de que talvez ela não queira um marido, e sim uma esposa.

- Bom dia, querida! - Seu pai diz enquanto desce as escadas.
Seu cabelo castanho cacheado balança enquanto ele passa por ela, e seus olhos são tão azuis que você poderia confundir com o oceano. Ele é mais velho, mas parece que nem chegou aos 40. Ele dá um beijo na testa da mãe de Niccola e senta na mesa do café. Sua mãe é basicamente o oposto, com cabelos e olhos castanhos escuros. Ela parece ser bem mais velha que seu marido, mas eles têm a mesma idade. Niccola segue seu pai até a cozinha, tentando esquecer tudo que se passa dentro dela.
- O que tem pro café? - Ela pergunta.
Sua mãe coloca dois pratos, um para Niccola e um para sua irmã, que chega correndo.
- O de sempre, pão com manteiga e café com leite. - Sua mãe responde.
Niccola acaba o café o mais rápido possível e praticamente corre até a escola. "Eu só quero chegar na escola pra poder ignorar todos esses pensamentos por algumas horas", ela pensa. Ela passa pela porta principal e o som de pessoas conversando e armários sendo fechados a submerge. Ela foca em achar seus amigos e abana seus pensamentos para longe. Por enquanto.

Bri
Bri caminha com Trey para a escola, tentando convencê-lo a manter um segredo. Eles poderiam se passar por irmãos, ambos tendo cabelo preto, o da Bri um pouco maior que um long bob, e o do Trey encaracolado e curto. Os dois têm olhos verdes, e ambos andam com um ar de confiança.
- Eu juro de dedinho que não vou contar pra ninguém! - Ela promete para Trey, mas ele ainda está com medo de que alguma coisa vai escapar. Além do mais, não é um segredinho que vai deixar algumas pessoas com raiva dele ou algo do tipo. Se alguém descobrisse o que ele fez, o governo viria e o levaria, e daí quem sabe o que aconteceria com ele?

Um dia antes

Bri caminha rua abaixo, olhando ao redor de tempos em tempos, pra ter certeza de que ninguém a estaria seguindo. Aquela estrada não era usada há anos, e parece que não é asfaltada há décadas. A cada passo que dá, Bri chuta uma pedra. Os prédios estão na mesma condição que a estrada, abandonados. Janelas quebradas, e paredes caindo aos pedaços. Dentro não tem nada além de poeira e, de vez em quando, uma cadeira velha ou uma mesa quebrada. É por isso que Bri ama o lugar. Está tudo muito desgastado e bagunçado no ver das pessoas, então ela tem o lugar todo para si. Ela finalmente chega no último prédio à direita, e escala o que um dia era uma janela, mas agora é só um buraco com alguns pedaços de vidro nos lados. Ela anda até a porta do alçapão no canto, abre ela, e pula lá dentro.

Lá dentro está o único lugar que ela gosta em sua cidade doida, os pontos antigos de décadas atrás, antes do governo limitar o tempo livre. Havia uma pista de skate, uma quadra de basquete, um campo de futebol e umas arquibancadas. Ela joga a mochila pro lado, sobe no skate e dá algumas voltas. Ela olha ao redor procurando Trey ou Ryan mas não consegue achar nenhum dos dois. "Eles provavelmente não chegaram ainda'', ela pensa. Depois de dar mais algumas voltas, ela olha a hora. 16h38. "Que estranho, eles sempre estão aqui às 16h30". Ela caminha até um grupo de pessoas conversando sentadas. São em maioria meninos, mas tem uma menina que ficou presa na mente de Bri por algum motivo. "Ela é bem bonita". O pensamento surge na cabeça de Bri antes que ela possa impedir. "Não, isso é estranho". Ela resiste ao pensamento quase que instantaneamente. Ela olha para os meninos, e seus olhos fixam em um em particular. "Olha, ele é bonito, foca nele". Ela abana o outro pensamento que persistia em sua cabeça. Ela anda até eles.
- Ei, vocês viram o Trey ou o Ryan?
- Aham, - o menino bonito responde. Ela tenta focar nele, mas seus olhos ficam desviando para a garota. - eu acho que vi eles passando perto das arquibancadas.
- Ah, obrigada. - Bri responde - Vocês ligam se eu for junto com vocês? O Ryan pegou meu skate emprestado e eu preciso dele de volta.
- Sim, claro. Eu sou... - ele dá uma pausa, como se tivesse que decidir que nome usar - Tuck. - ele completa. Seu olhar é como se houvesse doído dizer aquilo.
- Eu me chamo Bri - ela responde.
Eles andam até as arquibancadas onde Tuck viu Trey e Ryan irem.
- As damas primeiro - Tuck diz, e Bri escala as arquibancadas com Tuck logo atrás. Eles escutam vozes atrás de uns caixotes.
- Devem ser eles - Bri afirma.
Eles dão a volta nas caixas. E estavam certos. Trey e Ryan estão lá. Se beijando.

Revolution L (Portuguese)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora