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N O A H  U R R E A

Sina estava chorando e soluçando enquanto me encarava, ela se afastou quando tentei segurar seus braços, e passou esbarrando em mim quando saiu da minha casa. O mundo estava caindo lá fora, mas antes que eu pudesse ir atrás dela, me puxaram para dentro e me empurraram. Josh estava bufando na minha frente, e por pouco não me deu um soco.

- O que eu fiz??- tentei me defender, mesmo sabendo que meu irmão não faria nada comigo.

- Não venha com essa Noah Jacob Urrea Beauchamp! Você sabe muito bem o que fez e... NOAH!- Josh passou a mão no cabelo e rosnou de raiva- sério?? Ela era a pessoa que...

- MAS EU NÃO SEI O QUE...- droga.

Não existia muitas chances da Sina saber o que aconteceu comigo no final da reunião que tive mais cedo, mas essa era a única explicação possível. Flávia era louca, mais louca do que eu imaginava. Aquela desnaturada conseguiu passar pela portaria e pelos seguranças até me encontrar na sala de reunião. Tentei sair quando todos saíram, mas a mulher me encurralou antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.

"- Dá pra parar de marcação?- pedi recolhendo as minhas pastas na mesa. Flávia estava pressioando o corpo contra a porta, me impedindo de sair- desculpa pela expressão, mas você é louca.
- Os loucos são as melhores pessoas, nunca ouviu dizerem?- ela sorriu e eu quis rir da sua tentativa de me seduzir.
- Não, você é louca de um jeito diferente, e está me deixando louco também.

Quando tentei passar pela porta, ela virou meu corpo e me jogou ali. Eu não conseguiria sair sem machucá-la, então respirei fundo e pedi pacientemente para que ela me deixasse sair.
- Lembra do que você me disse em Los Angeles? Que a sua loirinha era muito melhor que eu? Não perdoei ainda Noah, eu sei que você só está...
- Você está fora de si, com certeza."

Flávia me beijou, não consegui me afastar ou tomar qualquer atitude. Ela parecia mais forte que eu naquele momento, talvez porquê minha cabeça estava imaginando como contar para Sina que uma louca me beijou quando eu menos esperava. Quando finalmente consegui empurrá-la, saí desesperado da sala e limpei a minha boca. Minha namorada não iria gostar nada daquilo, eu iria contar, mas precisava ser do jeito certo. Meu medo era que ela fizesse algo com o homem do parque, mas eu acabei a desapontando do pior jeito possível.

Meu irmão ligou a televisão e eu pude ver o vídeo de Flávia me encarando mais cedo, era o exato momento em que ela me beijou.
Sina viu ela me beijando. Saí correndo de casa atrás da Sina, a chuva parecia ter piorado mil vezes mais. Empurrei algumas pessoas por não estar enxergando direito, corri muito até a casa da Sina, e a vi de costas atravessando a rua. Esperei que estivéssemos já do outro lado e puxei seu braço.

- Você precisa me ouvir!- ela virou o rosto quando pedi- deixa eu explicar, aquele vídeo não é nada.

Eu queria que ela gritasse comigo, queria que ela me batesse e me chamasse de qualquer palavrão que as pessoas chamam aquelas que as magoam. Nada disso aconteceu, coloquei as mãos dela em meu peito, desesperado.

- Me bate. Por favor, me bate, faz qualquer coisa!- a água que corria pelo meu rosto nem era da chuva mais, eram minhas lágrimas- Sina!

Meu coração quebrou quando ela me encarou totalmente decepcionada. Eu devia abrir minha boca para explicar que eu não tinha feito nada, que não era culpa minha e que nós não precisávamos brigar por isso, mas não consegui. Eu só a beijei e segurei seu rosto com força, Sina não devolveu o beijo, mas não me empurrou.

- Por favor!- pedi alto, o barulho da chuva estava me enlouquecendo- por favor Si... Eu preciso que você faça alguma coisa- tirei os fios de cabelo molhados que caiam em seu rosto e encostei minha testa na sua- eu não fiz nada amor, acredita em mim.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora