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A sala estava preenchida pelo breu deixado pelo mais novo antes de entrar no quarto. No meio dela uma sombra se movia vagarosamente, mas tudo que Changkyun conseguia ver era uma imagem completamente embaçada. Ele sabia que seu óculos estava esquecido sobre a mesa da cozinha. Infelizmente não tinha como chegar ao cômodo citado sem que fosse visto.

Até o momento, por sorte, a sombra não havia notado a sua presença. O Im apertou as duas mãos ao redor do taco e o colocou atrás da cabeça, ficando em posição de ataque.

Se mantendo escondido, usando a escuridão ao seu favor, ele esperou que a pessoa se aproximasse mais.

Porém a sombra parou no meio da sala e Changkyun pode sentir o olhar sobre si. A única coisa que se podia ouvir era o barulho dos batimentos cardíacos do garoto. O medo o atingiu com força ao ponto de enfraquecer o aperto no taco. E se a pessoa estivesse com uma arma?

O Im era novo demais para morrer. Ele se quer viu o seu filho terminar a escola, embora duvidasse da existência de uma instituição que desse aulas para gatos. Seokkie ainda era um filhote, não podia perder um dos pais tão cedo.
E se ele implorar para que a pessoa ao menos o deixe se despedir do seu bebê?

Enquanto seus pensamentos o levava por caminhos perigosos, o desconhecido usava a luz do celular para encontrar o caminho. Não foi uma surpresa que seu coração disparasse ao avistar o mais novo parado em um canto da sala.

Um palavrão saiu por entre os seus lábios e tentando acalmar o coração agitado, ele apertou o interruptor fazendo com que a luz tomasse o lugar do breu.

— Changkyun o seu plano era me matar do coração ou usando esse treco?! — O seu colega exclamou irritado.

— Perdão, hyung. Eu fiquei com medo. — Respondeu envergonhado. Depois de colocar o taco próximo ao sofá ele seguiu o mais velho até a cozinha.

— Eu já disse pra parar de ouvir aquelas coisas. Isso tá te deixando paranoico. — Ele encarou o mais novo enquanto servia dois copos com água, pegando um e entregando o outro para o Im.

— Mas, Senhor Yoo não é muito tarde para alguém conservador estar chegando em casa? — Provocou em um tom divertido ingerindo o líquido.

As bochechas vermelhas do amigo e a demora na resposta fizeram com que o Im percebesse que havia algo a ser falado.

— Kihyun hyung, pode jogar os nomes na mesa agora. — Pediu com a expressão transbordando curiosidade. O que poderia fazer se o mistério o atraía?
Ainda mais se envolvesse seu colega.

O mais velho fingiu um bocejo e olhou para o pequeno relógio sobre o balcão, o qual era utilizado para contabilizar o horário necessário em cada receita que preparava.

— Tá tarde, né? Melhor irmos dormir. — A tentativa falha de mudar o assunto fez com que o Im começasse a desconfiar ainda mais do sorriso que o seu hyung tentava conter.

— Eu fiquei até tarde pra resolver uns assuntos no estúdio de fotografia. — Respondeu ao olhar curioso e ingeriu de uma só vez todo o conteúdo do copo. De forma suspeita ele desejou boa noite ao mais novo e se trancou no próprio quarto.

Kihyun suspirou e permitiu que o sorriso passasse a dominar o seu rosto, junto a lembrança do que havia acontecido.

Changkyun permaneceu na cozinha encarando o relógio. Já passavam das três da madrugada e ele sabia que o mais velho saia do trabalho às noves da noite. Faltavam muitas peças no quebra-cabeça, mas ele o resolveria de qualquer forma. Não naquele momento, pois ele precisava dormir.

Por isso logo que chegou ao seu quarto ele se jogou na cama e com o olhar focado no pequeno filhote ele adormeceu.

Não demorou muito para que o mais novo fosse acordado aos berros do seu hyung, que gentilmente batia em seu ombro na intenção de desperta-lo.

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