Estranho & Incomum

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História por Tany Isuzu

Revisão por Tany Isuzu

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          Existe algo que faça o seu coração bater mais rápido?

          Um mero estudante do ensino médio como eu se sentiu o rei do mundo ao encontrar uma cartinha com letra feminina presa no portão de casa. Era breve, "encontre-me nos fundos da escola antes das aulas começarem". Eu tinha minhas suspeitas sobre sua autora, no entanto, não queria colocar nenhuma carroça na frente dos bois.

          Agradeci ao fato de minha mãe ter me tirado da cama mais cedo aquele dia, mal continha minha alegria enquanto corria até lá, torcendo para dar tempo. Ah, uma confissão! Eu era um felizardo!

          Respirei fundo e fui diminuindo o ritmo até chegar ao local combinado, não queria me passar como afobado. Mas, se fosse mesmo quem eu pensava, ela não ligaria, provavelmente acharia fofo como me animo demais.

          A menina na minha mente era a Larissa. Éramos amigos desde que me lembro por gente. Até uns anos atrás, eu jamais imaginaria ficar tão feliz com a possibilidade de ouvir uma confissão dela, porém, com o passar dos anos, minha amiga de infância foi ficando mais e mais linda. Estava se tornando uma beldade.

          Sempre foi meio estranha, tinha uns papos meio doidos de coisas obscuras que nunca entendi, o que a fazia ter poucos amigos. Mas era uma garota feliz e cheia de vida. Eu seria um sortudo se recebesse uma confissão dela.

          Ao chegar no local indicado, ainda era bem cedo, faltava meia hora para as aulas começarem. No entanto, ela estava já lá. Virada de costas para mim, mas deve ter me ouvido chegar, atrapalhado e nervoso. Ela se virou devagar para mim e sorriu. Não era o seu sorriso de sempre, parecia mais travado e robótico. Pensei que seria por estar tão nervosa quanto eu, por isso não conseguia agir como sempre.

          Entretanto, sua voz calma e sem vida me tirou dessa ilusão.

          Existe algo que faça o seu coração bater mais rápido?

          A destruição do que eu considerava normal fez isso comigo.

          — Sou uma manticora — disse ela.

          Dessa forma, exatamente dessa forma robótica e estranha, minha vida foi jogada de pernas para o ar por quatro dias.

          Existe uma festa regional aqui na cidade, chamada de O Bom Jesus da Cana Verde, não e muito conhecida fora do sul do Brasil, mas é bem popular aqui nos arredores. Muita gente vem durante o mês de agosto para a festa religiosa, pois o santuário da cidade é famoso por isso. Que acaba atraindo vários vendedores e até um parque de diversões ambulante.

          Este ano, eu esperava me confessar para ela. Ou o contrário. E podermos, quem sabe, nos beijar e fazer coisas de namorados dentro da roda gigante, mas... nada saiu como o esperado.

          — Sou uma manticora.

          — Uma o quê?

          — Uma manticora — repetiu, calma.

          — Calma, calma. Que que é isso, Larissa? — Deu a louca nessa menina ou o quê? Sério que ela me fez vir aqui correndo só para me pregar uma peça? Tem alguém nos filmando com o celular escondido por perto? — Me poupa, vai, não acredito que vim cedo aqui pra ouvir isso...

          — Não estou mentindo. Sei que é repentino, mas quis revelar a verdade a você o quanto antes.

          Parei naquele instante e olhei para ela.

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