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Pen Your Pride

No dia seguinte, Bella chegou ao trabalho, ainda a pensar em Michael e no seu recente comportamento. Ele não ligara durante toda a noite, mas ela também não o fizera, tendo-se limitado a deitar-se debaixo dos cobertores e a tentar adormecer, sempre sem sucesso, acabando por abrir os olhos novamente, para verificar o telemóvel. Nem uma única chamada de Michael havia sido perdida. Estava preocupada, pois ele podia estar novamente com problemas. Bella conseguia compreender o seu comportamento, se bem que não na totalidade, mas, mesmo assim, não conseguia deixar de estar zangada. Não poderia ele apenas ser normal? Não poderia ele ser carinhoso e compreensivo o tempo todo? Por que raio era ele como era? O que tinha feito ela de mal ao mundo para se apaixonar por alguém assim?

Entrou pelas portas automáticas e dirigiu-se ao elevador rapidamente. A rececionista não se encontrava no seu posto de trabalho, por isso não teve de se preocupar em fingir um sorriso e em desejar os bons dias a Madalynn. Respirou fundo lentamente duas vezes enquanto o elevador subia e, quanto a porta dupla metálica de abriu, já se sentia mais calma. Queria conseguir tirar Michael da sua mente durante umas horas, mas sentia que isso não seria possível. Estava demasiado preocupada.

Caminhou até ao escritório e, mal entrou pela porta de madeira clara, viu um relance de todos os seus colegas. O seu olhar fixou-se em Jonathan, que baixou ligeira e discretamente o colarinho da camisa, para que apenas Bella visse, mostrando os dois chupões que decoravam o seu pescoço. O moreno lançou-lhe, outra vez, um olhar vitorioso e piscou-lhe o olho. Ela revirou os olhos, sem disposição para o aturar. Como podia ter espaço na sua mente para pensar nas idiotices de Jonathan, quando estava tão preocupada com Michael?

Sentou-se à sua secretária e ligou o computador, começando imediatamente a trabalhar. Precisava de distrair os seus pensamentos pessoais e focar-se nos profissionais.

Enquanto trabalhava, não conseguiu não reparar, com irritação, que os seus dedos estavam, anormalmente, a falhar as teclas em que ela pretendia carregar. Parou durante um pouco, respirando fundo. Depois, continuou o trabalho. Quando, alguns segundos mais tarde, olhou para o ecrã do computador, viu como as palavras apresentavam montes de letras trocadas. Pousou os braços em cima da mesa e levantou ligeiramente a mão direita, observando como toda ela tremia desde o pulso até às pontas dos dedos. Soltou um suspiro de frustração.

- Está tudo bem? - Ouviu a voz de Kristen, que ostentava um tom preocupado e incomodado.

- Claro que está! - Um tom gozoso saiu da boca de Jonathan, surpreendendo-a e levando-a a olhar para ele. - Ela só não lida bem com a derrota! - Exclamou, rindo-se ligeiramente. Bella respirou fundo novamente, daquela vez fechando os olhos com força. - Não é, Bella? - Acrescentou, ao não obter uma resposta.

Ela tentou respirar fundo pela décima vez, mas não conseguiu. Estava demasiado irritada para que o ar lhe passasse lentamente pelas veias. Levantou-se do lugar, irritada com o facto de aquele homem não entender o sentido de respeito. Parecia pensar que tudo girava à volta dele.

- Jonathan, a minha vida não é como a tua, sim?! - Quase gritou, irritação, frustração e o sentimento de não ser compreendida ou respeitada a tomarem conta de todo o seu corpo. Sentia-se cada vez mais quente, como se todas as suas células estivessem a ameaçar explodir. Pelo canto do olho esquerdo, conseguiu distinguir o contorno do corpo de Paul a levantar-se a encaminhar-se rapidamente para ela. - A minha vida não é apenas feita de sexo e trabalho! Eu preocupo-me com pessoas, eu sinto coisas! - O seu tom elevou-se ainda mais e o seu braço foi gentilmente agarrado pelo amigo loiro, que a empurrou suavemente as costas até se encontrarem ambos fora da sala. Paul fechou a porta e olhou para ela.

Bella arfou de frustração, esforçando-se ao máximo para conter as lágrimas. Jonathan não merecia que ela borrasse a maquilhagem devido à sua idiotice. No entanto, não conseguia deixar de pensar em Michael e em como ele não havia ligado. Não conseguia deixar de pensar sobre onde estaria ele, com quem, a fazer o quê; não se conseguia deixar de interrogar sobre como se estaria ele a sentir.

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